O volume de vendas varejistas do primeiro semestre caiu 0,5% em relação ao último semestre, segundo o Índice de Varejo Stone (IVS), divulgado nesta quinta-feira (10). A pesquisa indica que, em junho, a retração foi de 4,2% em relação a maio e de 4,6% em relação ao mesmo período de 2024. O comércio digital continua sendo o mais afetado, ao cair 4,5% contra 3,4% do físico. No comparativo anual, os recuos foram de 10,6% e 4%, respectivamente.
O cenário reflete uma desaceleração já sentida por outros setores da economia, após cerca de um ano de política monetária restritiva. Neste momento, a taxa básica de juros está em 15% e a inflação acumulada nos últimos 12 meses é de 5,32%, o que reduz o poder aquisitivo das famílias e o acesso ao crédito. Logo, setores mais sensíveis a esses dois pontos sofrem mais.
“Apesar da taxa de desemprego continuar em queda e da criação de empregos formais, os números já apontam para uma possível desaceleração no ritmo do mercado de trabalho. Por outro lado, o consumo das famílias segue pressionado pelo alto comprometimento da renda com dívidas, o que impacta diretamente o varejo”, afirmou Guilherme Freitas, economista cientista de dados da Stone.
Em junho, os segmentos mais dependentes da renda — como Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo, e Artigos Farmacêuticos — sofreram um decréscimo de 3,7%, enquanto os afetados pelo crédito (Móveis e Eletrodomésticos, Tecidos, Vestuário e Calçados, Veículos e Informática) recuaram 3,9%. No acumulado, as quedas são de 0,2% e 0,3%, respectivamente.
Em meio ao cenário de desaceleração, os setores que mais sentiram no período foram o de Móveis e Eletrodomésticos, com queda de 6,4%, Material de Construção (6,3%) e Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico (4,3%). Já no comparativo regional, os estados que registraram os maiores avanços no varejo foram Amapá (4,5%), Tocantins (3,8%) e Roraima (3,7%).
Na terça-feira (8), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou dados sobre as vendas varejistas do Brasil de maio. O setor sofreu um recuo de 0,2% em relação a abril, chegando ao segundo mês consecutivo em queda. A sequência negativa vem após três meses de alta e recorde da série histórica — desde 2020 — em março.