Bom dia. Estamos na terça-feira, 12 de agosto.
Cenários
Hoje é dia de inflação. No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) deve divulgar o índice IPCA referente a julho. A mediana das estimativas dos investidores é de estabilidade em um patamar elevado. A expectativa é de uma variação de 0,37%, acima dos 0,24% de junho.
No acumulado em 12 meses até julho, a projeção é de uma variação de 5,34%, em linha com os 5,35% acumulados nos 12 meses até junho. Se confirmada, essa variação significa uma inflação 0,84 ponto percentual acima do teto da meta, que é de 4,50%.
O cenário nos Estados Unidos é semelhante. A mediana das estimativas para o Consumer Price Index (CPI) de julho é de 0,2%, abaixo dos 0,3% observados em junho. Mesmo assim, a inflação acumulada em 12 meses deve avançar para 2,8%, acima dos 2,7% acumulados nos 12 meses até junho.
No caso do núcleo do CPI, que não considera os preços mais voláteis dos alimentos e da energia, a projeção é de uma elevação para 0,3% ante os 0,2% em junho. A projeção para o núcleo da inflação em 12 meses é de 3,0%, acima dos 2,9% nos 12 meses até junho. A meta de inflação nos EUA é de 2,0%.
Se as projeções dos investidores se confirmarem tanto para o Brasil quanto para os Estados Unidos, a expectativa é de manutenção dos juros na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) agendada para setembro. No entanto, há menos segurança em relação às perspectivas para o que vai ocorrer nos Estados Unidos.
Em suas últimas reuniões, o Federal Reserve (FED), o banco central americano, tem adotado uma atitude cautelosa. Jerome Powell, presidente do FED, tem afirmado repetidamente que a autoridade monetária vai esperar que os dados divulgados confirmem uma baixa de preços. Porém, Donald Trump tem pressionado pela baixa dos juros e há uma preocupação do mercado com a possibilidade de o FED começar a afrouxar a política monetária com base em expectativas e não em dados. Não por acaso, as expectativas dos investidores são de 87% de probabilidade de corte dos juros americanos na reunião do FED agendada para setembro.
No entanto, o mercado também deverá esperar pela reunião anual do FED de Jackson Hole, agendada para o fim de agosto. Tradicionalmente, as lideranças da autoridade monetária aproveitam esse encontro para fornecer indicações sobre a trajetória dos juros e as percepções a respeito da economia.
Perspectivas
Como havia sido previsto pelos analistas na segunda-feira (11), Trump adiou por mais 90 dias a aplicação de tarifas comerciais pesadas sobre a China. O país asiático, principal parceiro comercial dos Estados Unidos (e do resto do mundo) seguirá pagando tarifas “provisórias” de 30%.
Em abril, ao longo de uma série de aumentos, o governo americano havia aumentado as tarifas sobre as importações chinesas para 145%. A China retaliou impondo taxas de 125% sobre produtos americanos. No entanto, os dois lados concordaram em suspender a maioria dessas tarifas em maio, após os negociadores se reunirem em Genebra. Os EUA reduziram suas tarifas para 30%, e a China reduziu suas alíquotas para 10%. Esses eram os percentuais que deveriam ter expirado nesta terça-feira, mas que seguem inalterados por mais 90 dias.
Indicadores
- Brasil
IPCA (Jul)
Esperado: 0,37%
Anterior: 0,24%
IPCA (12m)
Esperado: 5,34%
Anterior: 5,35%
- Estados Unidos
Consumer Price Index / CPI (Jul)
Esperado: 0,2%
Anterior: 0,3%
Consumer Price Index / CPI (12m)
Esperado: 2,8%
Anterior: 2,7%
Núcleo do Consumer Price Index / CPI (Jul)
Esperado: 0,3%
Anterior: 0,2%
Núcleo do Consumer Price Index / CPI (12m)
Esperado: 3,0%
Anterior: 2,9%