O lucro líquido da Sabesp encerrou o segundo semestre com um salto, motivado em parte pelas melhorias nas operações da empresa, diante de sua privatização. O desempenho ficou acima do esperado, ao chegar a R$ 1,96 bilhão, elevação de 64% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando a companhia ainda era administrada pelo governo do Estado de São Paulo.
O resultado operacional, medido pelo Ebitda ajustado, foi de R$ 3,62 bilhões, crescimento de 21,5% e acima dos R$ 3,15 bilhões esperados, em média, por analistas, segundo dados compilados pela LSEG. A expectativa para lucro líquido apontava para R$ 1,28 bilhão no segundo trimestre.
Parte do desempenho está ligado às consequências da privatização, que ajudaram a empresa, atualmente sob gestão do grupo Equatorial, a reduzir custos e despesas operacionais em quase meio bilhão de reais. Nessa conta estão reduções de R$ 246 milhões com depreciação e amortização de R$ 80 milhões com pessoal, uma vez que a empresa reduziu o número de funcionários no período em mil posições, passando a ser de 9,2 mil no final de junho.
Além disso, a Sabesp obteve redução de R$ 200 milhões com “provisões legais” no segundo trimestre, algo que o diretor financeiro, Daniel Szlak, afirmou que tratou-se de um acordo envolvendo um “caso relevante”.
“Queremos eventualmente acelerar o investimento para anteciparmos as metas (de universalização) e, com isso, continuar melhorando os indicadores de eficiência para liberar recursos próprios e eventualmente contratarmos crescimento adicional” fora da área atual de atuação da empresa, disse Szlak.
Segundo ele, a Sabesp atende atualmente 52% das cidades do Estado, mas “adoraria atender 90%, para mim é muito mais natural”, afirmou, referindo-se a potenciais regiões de interesse da empresa em futuros leilões de saneamento.
A Sabesp ainda promoveu uma série de reduções de descontos nas contas de grandes clientes cujos efeitos ainda não estão todos computados no balanço do segundo trimestre, segundo Szlak.
“Tem um prazo de cura ainda. Ao longo do segundo semestre esperamos capturar razoavelmente isso (redução dos descontos) para terminarmos o ano de forma bastante completa”, disse o executivo.
Questionado sobre o impacto jurídico da estratégia, Szlak afirmou que a Sabesp conseguiu derrubar “dois terços das liminares” que tinham sido concedidas pela Justiça contra a redução dos descontos nas contas dos grandes clientes, mas não deu detalhes.
No balanço do segundo trimestre, a empresa elevou o volume faturado de clientes em 1,7% sobre um ano antes, realizando 161 mil novas ligações de serviços de saneamento, em meio a um total investido no período de R$ 3,6 bilhões, ante R$ 1,3 bilhão desembolsado no segundo trimestre de 2024.
Na semana passada (7), a Sabesp anunciou acordo de R$ 3,8 bilhões com a Telefônica Brasil para instalação e operação de hidrômetros “inteligentes”. Para Szlak destacou que o contrato vai permitir a produção local dos equipamentos por fabricantes europeus, mas não deu estimativa de economias à empresa, que serão derivadas da leitura automática do consumo de água que será permitida pelos equipamentos.
Já sobre a multa de R$ 23 milhões da agência paulista de regulação de serviços públicos, Arsesp, contra a companhia por vazamento de esgoto no rio Pinheiros, o executivo afirmou que a empresa “provavelmente vai trazer de avião” os equipamentos fabricados na China sob medida para a troca de bombas da Estação Elevatória de Esgoto (EEE) do rio que já ultrapassaram a vida útil em cinco anos.