O noivado entre as companhias aéreas Gol e Azul terminou após cerca de nove meses. Em comunicado ao mercado divulgado na noite de ontem (25), as duas empresas informaram o fim das negociações da fusão que poderia criar a maior companhia aérea do Brasil em termos de marketshare.
“As partes não tiveram discussões significativas ou progrediram em uma possível operação de combinação de negócios por vários meses como resultado do foco da Azul em seu processo de Chapter 11”, afirmou a Abra, holding controladora da Gol em comunicação à Azul, segundo fato relevante. Com a perspectiva de que a Azul conseguirá focar em seu processo de RJ, as ações AZUL4 sobem cerca de 10% nesta manhã.
Segundo a Abra, as primeiras discussões relacionadas ao processo de fusão aconteceram em outro momento econômico para as companhias. Depois de meses de rumores, o acordo entre as duas foi firmado em janeiro deste ano. Na época, a Gol se encontrava em processo de recuperação judicial nos Estados Unidos (chapter 11, em inglês), enquanto a Azul buscava renegociar as suas dívidas e se refinanciar.
As coisas mudaram nos últimos meses. A Gol encerrou o seu processo de Chapter 11 em junho — afirmando que o seu foco agora está no crescimento. Na época, o presidente-executivo da companhia, Celso Ferrer, havia informado que as negociações com a Azul seguiriam, mas uma fusão só aconteceria se fosse “acrescentar resultados. Se for para acrescentar rota, se for para acrescentar crescimento, se for melhor para todo mundo.”
Pouco antes do encerramento do processo de RJ da Gol, foi a vez da Azul entrar com o pedido de Chapter 11 — já com um plano de refinanciamento de dívidas e injeção de capital capaz de tirar a empresa da recuperação judicial até o fim do ano.
Na ocasião do anúncio da RJ da Azul, alguns gestores que conversaram com a Forbes haviam sinalizado a possibilidade de que as duas empresas suspendessem as negociações e as retomassem após a conclusão dos processos de Chapter 11.
O presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) havia feito críticas à conduta das empresas no processo de fusão. No início deste mês, Gustavo Augusto afirmou à Reuters que as duas companhias aéreas deveriam parar de comentar a fusão em público, a menos que estivessem preparadas para buscá-la formalmente.
“Quando é uma empresa que tem ações, que você tem uma posição dominante no mercado e você tem que ter uma preocupação, uma cautela com a sua comunicação, você não deve anunciar uma operação de fusão, aquisição, que não está pronta e não foi apresentada às autoridades reguladoras”, disse Augusto na época.
Fim da parceria
Uma semana antes das declarações do presidente do Cade, o conselho havia notificado as duas empresas sobre o acordo de codeshare firmado em 2024. O acordo permite que uma companhia negocie voos operados pela outra. Elas tinham 30 dias para se manifestar e não poderia estender a parceria para rotas adicionais antes de análise do órgão.
Agora, a Gol informou que as empresas encerraram o acordo de codeshare, mas as passagens já emitidas durante a vigência do codeshare serão honradas e os voos estão garantidos.
Em fato relevante, a Azul apontou que segue comprometida com o fortalecimento de sua estrutura de capital e que manterá o mercado informado sobre os desdobramentos do fim da cooperação comercial entre as duas companhias.