Bom dia. Estamos na terça-feira, 23 de setembro.
Cenários
O Comitê de Política Monetária (Copom) divulgou na manhã desta terça-feira (23) a Ata da reunião de número 273, realizada nos dias 16 e 17 de setembro, em que a Selic foi mantida em 15% ao ano, como era amplamente esperado pelo mercado. Com a divulgação da Ata, o Copom compartilha a visão do Banco Central (BC) sobre as perspectivas para a inflação, a atividade econômica e os juros. O cenário visto das janelas do BC é adverso, mas controlado.
No cenário externo, além das tarifas comerciais de 50% que os Estados Unidos lançaram sobre diversos produtos brasileiros, o Comitê está observando o comportamento dos juros. “[O]s movimentos de curto prazo da política monetária norte-americana têm tido maior impacto. Sobressai, assim, o debate sobre o início do ciclo de corte por parte do Federal Reserve e o ritmo de crescimento norte-americano”, informa a Ata. Claro, há consequências: “A avaliação predominante no Comitê é de que persiste maior incerteza no cenário externo e, consequentemente, o Copom deve preservar uma postura de cautela.”
No cenário interno, a Ata trouxe uma avaliação um pouco mais positiva. “A conjuntura de atividade econômica doméstica segue indicando certa moderação no crescimento e (…) traz maior convicção de que o cenário delineado pelo Comitê está, até agora, se concretizando”, diz o texto. “As pesquisas setoriais mensais e os dados mais tempestivos de consumo corroboram (…) uma redução gradual de crescimento.”
Mais adiante, o texto informa que “O Comitê avalia que, apesar dos sinais mistos, os sinais advindos da demanda e da atividade econômica até aqui sugerem que o cenário se desenrola conforme esperado e compatível com a política monetária em curso.”
Porém, o Copom não está 100% seguro. “Em momentos de inflexão no ciclo econômico, é natural que se observem sinais mistos advindos de indicadores econômicos ou de diferentes mercados. Desse modo, o Comitê seguirá acompanhando a totalidade dos dados”, diz a Ata.
No que de fato interessa ao Copom, as metas de inflação, ainda que observem “um incipiente movimento de queda nas expectativas de inflação medidas pelo Focus, mas ainda mais concentrado nos horizontes mais curtos”, os membros do Comitê avaliam que “as expectativas de inflação, medidas por diferentes instrumentos e obtidas de diferentes grupos de agentes, permanecem acima da meta de inflação em todos os horizontes, mantendo o cenário de inflação adverso”.
Ou seja, não dá para relaxar. E isso fica claro no trecho da Ata que diz que “em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”. Para não deixar dúvidas, o texto informa que “os núcleos de inflação têm se mantido acima do valor compatível com o atingimento da meta há meses, corroborando a interpretação de uma inflação pressionada pela demanda e que requer uma política monetária contracionista por um período bastante prolongado”.
Por quanto tempo? O Copom quer esperar para ver. “Na medida em o cenário tem se delineado conforme esperado, o Comitê inicia um novo estágio em que opta por manter a taxa inalterada e seguir avaliando se, mantido o nível corrente por período bastante prolongado, tal estratégia será suficiente para a convergência da inflação à meta.”
Perspectivas
A Ata do Copom manteve o tom duro dos textos anteriores, avaliando que os juros permanecerão elevados por bastante tempo e que não hesitará em elevar as taxas se a inflação sair do controle. No entanto, há um pequeno sinal de otimismo, quando o texto afirma que a demanda está se comportando “conforme o esperado”, ou seja, desacelerando devido à política monetária apertada.
Indicadores
- Brasil
Ata do Copom
- Estados Unidos
PMI Industrial (Set)
Esperado: 52,2
Anterior: 53,0
PMI dos Serviços (Set)
Esperado: 54,0
Anterior: 54,5
Discurso de Donald Trump
Discurso de Jerome Powell