1. Início
  2. /
  3. Forbes Money
  4. /
  5. Como Caio Amato Superou o Bullying e Chegou Ao Topo da Oakley
Forbes Money

Como Caio Amato Superou o Bullying e Chegou Ao Topo da Oakley

Brasileiro de cidade do interior paulista é o principal responsável por impulsionar marca e trazer estrelas como Kylian Mbappé e Travis Scott como aliados

5 min

Apesar de ter nascido nos EUA há 50 anos, a Oakley, marca de óculos, roupas e acessórios hoje pertence à EssilorLuxottica, a multinacional franco-italiana criada por Leonardo Del Vecchio e que tem uma receita estimada em US$ 28,7 bilhões (R$ 153,3 bilhões), segundo a Forbes

“Prima” da Ray-Ban, a grande estrela do grupo, a Oakley tem comando global de Caio Amato, um paulista nascido na pequena cidade de Mococa que enfrentou bullying na infância, viu no esporte sua redenção e hoje imprime o seu estilo próprio para fazer a marca deslanchar ainda mais.

No cargo desde abril deste ano, ele contou à Forbes como conseguiu trazer estrelas e personalidades para a marca, entre elas o jogador Kylian Mbappé, atacante do Real Madrid, o rapper americano Travis Scott, a esquiadora Mikaela Shifrin, dona de duas medalhas olímpicas, e o jogador de basquete Jaylen Brown, ala do Boston Celtics. “Estamos trazendo pessoas que têm a mesma visão e o mesmo propósito que a gente para nos ajudar a construir o futuro da marca”, diz Amato.

Embora a Oakley não detalhe as suas receitas, ele adianta que há cinco anos a marca vem batendo recorde de vendas. E o Brasil é figura central na América Latina não só quando o assunto é Oakley, mas também na EssilorLuxottica como um todo, segundo revelam os dados da companhia. E o curioso é que o maior destaque da Oakley no Brasil são as suas armações, segundo os dados financeiros do conglomerado referentes ao primeiro semestre deste ano.

“Hoje em dia, a Oakley vive o melhor momento da sua história e em 2025 ela completa 50 anos. Isso é resultado direto de uma cultura baseada em três pilares. Primeiro, não prever o futuro, mas criá-lo”, afirma o executivo.

Histórico de superação

Amato diz estar ciente da responsabilidade que carrega. A superação pelo desafio, aliás, começou cedo na vida dele. E o executivo costuma repetir que as tais adversidades que passou na vida ajudam a moldar o seu estilo de gestão.

Ele classifica a sua infância como “bem disfuncional”. Aos cinco anos, a empresa da família quebrou, e eles se viram em apuros. Segundo diz, um de seus sonhos na infância era ter um Oakley, porém, as condições da família não permitiam.

Amato credita a essa situação o desenvolvimento de uma uma obesidade mórbida com 12 anos de idade, que o levou a ficar com cerca de 140 quilos. Devido a isso, sofreu muito bullying por não ser aceito.

Apesar do peso, sempre praticou futebol, cerca de quatro ou cinco vezes na semana, segundo lembra. Foi a sua tábua de salvação. O futebol não apenas permitiu que ele calasse os autores de bullying que sofria como também lhe deu vida nova. Nascia ali o embrião do executivo que comanda uma das marcas mais icônicas do mundo e muito relacionada aos esportes.

Amato decidiu que, assim como a sua vida havia sido transformada por meio do esporte, ele também poderia fazer com que outras pessoas também experimentassem superações por meio do esporte.

A liderança e as estrelas

Antes de chegar na Oakley, onde está há 4 anos, ele passou 15 anos em outras empresas. Um de seus lemas prediletos é fazer com que as pessoas sejam aceitas como ela são.

A chegada à Oakley foi considerada por ele uma oportunidade de “elevar ao cubo” sua habilidade de transformar vidas por meio do esporte. Ele mesmo diz ser um adepto constante de esportes, praticando corrida regularmente, e esquiando por lazer.

Uma de suas ações mais conhecidas foi trazer para a marca figuras famosas. E, por mais que isso possa parecer inicialmente um contrassenso, ele diz que a parceria com o rapper Travis Scott, criada há dois anos, nem tinha como objetivo potencializar as vendas. Scott assumiu o cargo de Chief Visionary Officer (Chefe de Visão) da marca.

“A gente percebeu que a nossa visão e o nosso propósito estavam alinhados. O Travis ama criar um universo próprio para os shows dele. Nós da Oakley criamos o universo para criar produtos através disso. Então a gente trabalhou junto por dois anos sem ter um contrato comercial, e sem obrigação nenhuma”, afirma o executivo.

Em relação ao jogador Kylian Mbappé, atacante do Real Madrid, e a esquiadora Mikaela Shifrin, ele diz que ambos exemplificam um outro propósito da Oakley, a de ser uma marca plural e autêntica.

Futuro

Amato afirma ter três estruturas centrais quando o assunto é o futuro da marca. “O primeiro é o esporte, continuamos definindo problemas, encontrando soluções e embrulhando em arte, como dizemos internamente”, explica.

O executivo diz que o segundo é cultura e comunidade, já que a Oakley quer fazer parte delas, não impor nossa presença. “Trabalhamos lado a lado com criadores para que os produtos se tornem objetos de autoexpressão”, diz.

O terceiro pilar é a inovação tecnológica. Um exemplo é a parceria com a Meta, lançada no dia 20 de junho deste ano. O Oakley Meta é uma nova categoria de óculos de performance com inteligência artificial. O primeiro modelo, o Oakley Meta HSTN, tem recursos semelhantes ao Ray-Ban Meta e oferece aprimoramentos técnicos como gravação Ultra HD 3K, alto-falantes de ouvido aberto.

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.