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De Londrina ao Mundo: os Forbes U30 que Querem Transformar o Açaí em um Negócio Global

Cofundadores da The Best Açaí recebem investimento de R$ 80 milhões da Auster Capital para ampliar a produção e chegar aos Estados Unidos

6 min

Criada em 2017 pelos amigos Sérgio Kendy, Matheus Bragatto e Mateus Queiroz, a The Best Açaí nasceu em Londrina (PR) com um investimento de R$ 5 mil de cada sócio. Oito anos depois, a empresa do trio de Forbes Under 30 de 2023 soma 812 unidades em 636 cidades brasileiras, uma fábrica própria e faturamento projetado de R$ 1 bilhão em 2025.

Agora, a rede de açaí self-service inicia um novo capítulo: o primeiro aporte de sua história, no valor de R$ 80 milhões, feito pelo fundo de private equity Auster Capital.

O investimento entrará integralmente no caixa da companhia, que opera com alavancagem próxima de zero. O objetivo é fortalecer a infraestrutura industrial e sustentar a meta de se tornar uma marca global, com 1.500 lojas vendidas até o fim de 2026.

A escolha pela Auster Capital

Durante o processo de busca por um parceiro estratégico, a The Best Açaí recebeu diversas ofertas de fundos, algumas com interesse majoritário da empresa. Após avaliar oito finalistas, os sócios escolheram a Auster Capital, que ficará com menos de 25% de participação, mantendo os fundadores como os controladores.

Segundo Kendy, CEO da rede, a decisão levou em conta a experiência da gestora em internacionalização. Com sede em São Paulo e escritório em Miami, a Auster atua também no setor de alimentação. Um dos sócios, Rodrigo Musiello (ex-COO de Burger King, Tim Hortons, Popeyes e Firehouse Subs), passará a integrar o conselho do novo escritório da The Best Açaí na Flórida.

A Auster adota uma postura discreta e seletiva, realizando em média um investimento a cada dois anos. O que despertou o interesse da gestora foi o potencial de escala da rede, considerada um modelo low cost premium: baixo custo de implantação, alto valor percebido e rentabilidade comprovada. Mesmo em ritmo acelerado de expansão, a The Best Açaí manteve a lucratividade das franquias e a qualidade da operação.

Outro ponto que pesou na escolha foi o modelo verticalizado da marca, que controla a produção e o fornecimento aos franqueados. Como sócia minoritária, a Auster vai ajudar a institucionalizar a empresa, estruturando um conselho de administração e comitês financeiros e de expansão, com o propósito de atrair novos investidores estratégicos.

O destino dos R$ 80 milhões

A The Best Açaí foi considerada, em relatório da Associação Brasileira de Franchising (ABF), a rede de franquias que mais cresce no Brasil. Das 812 lojas, 23 são próprias e o restante, franqueadas.

A meta dos três Forbes Under 30 é ambiciosa: transformar a marca em um nome global, com 20 mil pontos de venda e presença entre gigantes como Starbucks e McDonald’s. Antes de conquistar o mundo, porém, o foco é ampliar a base industrial.

A Amadelli Alimentos, fábrica do grupo localizada em Ibiporã (PR), será uma das primeiras a receber investimento. A unidade fornece praticamente todos os produtos vendidos nas lojas, do açaí aos sorvetes e toppings,  e está próxima da capacidade máxima. Cerca de R$ 10 milhões do aporte (aproximadamente 12%) serão destinados à ampliação da planta, que passará a produzir também cremes e recheios.

Outros R$ 35 milhões financiarão a construção de uma segunda fábrica, essencial para a internacionalização. A definição do local deve ocorrer até dezembro, com opções analisadas no Brasil (Espírito Santo ou Pará, por motivos logísticos e tributários) e no exterior (Panamá ou Paraguai), visando facilitar a exportação. A previsão é que a nova unidade entre em operação parcial no final de 2026. O restante do valor permanecerá em caixa para sustentar o crescimento.

Até o fim deste ano, a The Best Açaí pretende atingir 1.200 lojas vendidas. Hoje, são 1.050, das quais 812 já em operação. A meta de faturamento de R$ 1,1 bilhão em 2025 segue firme, o que representaria um avanço de cerca de 30% em relação ao ano anterior. A expectativa é que todas as 1.500 lojas vendidas estejam em funcionamento até 2027.

Açaí com sotaque americano

A The Best Açaí já opera fora do Brasil, com 12 lojas no Paraguai, escolhidas pela proximidade com Londrina e pelas condições tributárias mais favoráveis. O próximo passo é mais ousado: conquistar o mercado dos Estados Unidos.

A estreia americana está prevista entre março e junho de 2026 e acontecerá em etapas. O plano é abrir duas lojas próprias e três franquias de super franqueados brasileiros, que já possuem diversas unidades no Brasil e manifestaram interesse em investir no novo mercado.

O objetivo é testar a aceitação do modelo de self-service antes de expandir. “Sabemos que os americanos gostam de açaí, mas queremos entender se eles estão dispostos a pagar pela experiência completa que oferecemos”, afirma Kendy.

Os desafios são grandes. O custo de implantação de uma loja nos Estados Unidos é estimado em US$ 350 mil (R$ 1,25 milhão), mais que o triplo do valor no Brasil (R$ 350 mil). Por outro lado, a expectativa de faturamento mensal é de US$ 50 mil (R$ 178 mil), acima da média brasileira, de R$ 107 mil. O payback estimado é de 23 meses, contra 16 meses no Brasil, o que reforça a cautela no início da operação. Ainda assim, segundo Kendy, a entrada no mercado americano é um caminho sem volta.

De olho na Nasdaq

Dos R$ 1,1 bilhão projetados para 2025, a indústria deve responder por cerca de R$ 430 milhões, e a rede de franquias, por R$ 720 milhões.

O aporte da Auster Capital é visto como o primeiro passo de uma jornada maior. Para atingir a meta de 20 mil operações globais, novas rodadas de investimento serão inevitáveis. A entrada do fundo também fortalece a governança corporativa e aumenta a credibilidade da empresa junto a bancos e investidores, preparando o terreno para um crescimento exponencial e, futuramente, um IPO internacional.

Kendy não descarta o destino: “A Nasdaq está no nosso radar”.

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