O IPCA-15 avançou 0,18% em outubro, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (24) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O índice ficou abaixo da expectativa do mercado, que apontava mediana de 0,25%, e representa um recuo frente a setembro, que marcou 0,48%.
Em 12 meses, o índice acumula alta de 4,94%, sinalizando moderação dos preços e reforçando o cenário de desinflação gradual.
O desempenho do IPCA-15 de outubro se deve em grande parte pelo grupo alimentação, que recuou 0,2%, apresentando queda pela quinta vez consecutiva. Por outro lado, o grupo transportes foi o que apresentou maior alta, de 0,41%. Confira o sobe e desce abaixo:
Maiores altas
- Transportes: +0,41%. Pressionados por gasolina (+0,99%), etanol (+3,09%) e passagens aéreas (+4,39%);
- Despesas pessoais: +0,42%. Alta se deve pelo desempenho de lazer e serviços, como cinema, teatro e pacotes turísticos;
- Vestuário: +0,45%. Reflete um movimento típico do período de troca de coleções.
Maiores quedas
- Artigos de residência: -0,64%, generalizada, mas com maior força pelo desempenho dos eletroeletrônicos;
- Alimentação e bebidas: -0,02%, maiores baixas foram para cebola, arroz e leite longa vida.
- Habitação: +0,16%, com a energia elétrica residencial caindo 1,09%, e, assim, aliviando o impacto da nova bandeira tarifária vermelha.
Com a palavra, os analistas
Entre os economistas, o consenso é que o resultado reforça um quadro mais benigno para a inflação, com melhora qualitativa nos núcleos e surpresas baixistas em bens industriais e serviços subjacentes.
A leitura de outubro indica que a desinflação está ganhando consistência, ainda que parte dos componentes, especialmente os ligados a serviços e mão de obram, siga exigindo cautela.
Há espaço para corte de juros?
Não há consenso para acreditar num corte de juros, segundo oito economistas contados. Apenas dois deles, Lucas Barbosa, da AZ Quest, e Paulo Gala, do Banco Master, analisam haver um certo “conforto” e espaço para corte de juros pelo Banco Central.
Pablo Spyer, da Ancord (Associação Nacional das Corretoras de Valores) e Rafael Cardoso, do Banco Daycoval, defendem uma postura mais prudente, alertando que a pressão dos serviços ainda impede um relaxamento prematuro da política monetária. “No conjunto, o resultado apoia a continuidade das revisões baixistas nas expectativas de inflação, mas não altera o panorama geral nem traz confiança adicional no processo de desinflação”, diz Natalie Victal, da SulAmérica Investimentos.
Alexandre Maluf, da XP, afirma que a expectativa de 4,7% de inflação para este ano deve ser revisada para baixo, e pode ficar até abaixo de 4,5%, o que ficaria abaixo do teto da meta. Leonardo Costa, do ASA Investimentos, também projeta 4,5% para este ano, e 4,8% em 2026 (com viés de baixa).
O centro da meta é de 3%, com 1,5 pontos percentuais de tolerância para ambas as direções (mais ou menos).
“O resultado é muito bom do indicador, mas não devemos nos “emocionar” com os números. É sabido que a autoridade monetária está de olho em 2027 e, sendo assim, o mercado tem que ele mesmo revisar as projeções para termos assim um alívio nas condições monetárias atuais”, afirma o economista e consultor André Perfeito.