O Grupo Refit, atual controlador da antiga Refinaria de Manguinhos no Rio de Janeiro, carrega o legado de uma das principais estruturas privadas de refino do país. A unidade nasceu dentro do ambiente nacionalista da campanha “O petróleo é nosso”, nos anos 1950, e iniciou suas operações em 1954, após apenas 255 dias de obras.
Tornou-se a primeira refinaria privada do estado e abasteceu o então Distrito Federal, contribuindo para a expansão urbana e industrial do Rio. Hoje o conglomerado está sob o comando do empresário Ricardo Magro.
Nesta quinta-feira (27), o Grupo Refit voltou ao centro das atenções ao se tornar alvo da Operação Poço de Lobato, conduzida pelo Ministério Público e pela Receita Federal. As autoridades apuram suspeitas de sonegação, fraude tributária e ocultação de patrimônio. Segundo a Receita, o grupo mantém relações financeiras com empresas e pessoas ligadas à Operação Carbono Oculto, realizada em agosto de 2025, e figura como o maior devedor contumaz do país, com débitos que ultrapassam R$ 26 bilhões.
Uma das denúncias aponta que o grupo teria declarado cargas de gasolina como produtos destinados à industrialização, o que reduziria o valor de impostos a pagar. A investigação também analisa movimentações financeiras por meio de holdings, offshores e fundos de investimento.
História e importância
A história da refinaria ajuda a entender sua relevância. Segundo informações divulgadas pela própria companhia, a antiga Manguinhos ampliou sua produção ao longo das décadas e chegou a processar 10 mil barris por dia nos anos 1960.
A empresa enfrentou pressões políticas durante o regime militar, abriu capital na Bolsa do Rio em 1972 e passou por períodos de baixa operação na década de 1980. Após a Lei do Petróleo, de 1997, que quebrou o monopólio estatal, a refinaria recebeu investimentos de grupos internacionais como YPF e Repsol.
Mesmo assim, a situação financeira se deteriorou e as operações foram interrompidas em 2005. Em 2008, o controle passou para o Grupo Andrade Magro, que investiu na modernização do parque industrial e permitiu a retomada da produção em 2010.
Em 2012, a empresa enfrentou uma tentativa de desapropriação pelo governo estadual, revertida pelo STF (Supremo Tribunal Federal) três anos depois. No ano seguinte, ainda sob o nome Refinaria de Petróleo de Manguinhos, a companhia informou à CVM que havia solicitado recuperação judicial, aprovada pela Justiça em 2015. Esse processo segue vigente.
O reposicionamento da marca ocorreu em 2017, quando o grupo adotou o nome Refit. A empresa lançou combustíveis comuns já aditivados e ampliou a escala de produção. Em 2023, alcançou 1,5 bilhão de litros de gasolina e diesel e passou a figurar entre as maiores refinarias privadas do país, destacando sua importância econômica para o estado do Rio de Janeiro.
Polêmicas
A fase recente, porém, é marcada por novos entraves regulatórios. Em 26 de setembro deste ano, a ANP interditou a Refit por irregularidades que incluíam suspeita de importação de gasolina rotulada como “nafta” e falta de evidências de refino.
A medida veio no contexto das Operações Cadeia de Carbono e Carbono Oculto. A interdição foi parcialmente suspensa em 25 de outubro, permitindo a volta das atividades de comercialização e formulação de combustíveis, embora a torre de destilação permaneça sem autorização para operar.