A soja segue como a grande rainha do agronegócio brasileiro. Líder absoluta em produção e principal commodity agrícola comercializada pelo país no mercado internacional, o complexo soja (formado pela venda do grão, óleo e farelo) continua sustentando boa parte da balança comercial do agro, mesmo em um ano marcado por ajustes de preços globais.
No acumulado de janeiro a dezembro de 2025, o complexo soja movimentou US$ 50,6 bilhões (R$ 278,3 bilhões, segundo a cotação atual), valor 3% inferior ao registrado no mesmo período de 2024, segundo dados da plataforma AgroStat, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com base nas informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC).
Apesar da leve retração em valor, o desempenho reforça o peso estratégico da soja, que respondeu por 32,6% de tudo o que o agro brasileiro exportou no ano.
Quando observado o comércio exterior total do país, a relevância é ainda mais evidente. O complexo soja representou 15,9% dos US$ 317,8 bilhões (R$ 1,8 trilhão) exportados pelo Brasil em commodities ao longo de 2025, confirmando o papel central do grão na economia nacional.
Volume cresce e sustenta liderança global

Se os preços internacionais pressionaram o valor total exportado, o mesmo não ocorreu com os volumes embarcados. Em 2025, o Brasil exportou 127,4 milhões de toneladas de soja e derivados, crescimento de 7% frente a 2024, quando os embarques somaram 119,2 milhões de toneladas.
Do total exportado neste ano, 104,8 milhões de toneladas corresponderam a grãos, 21,3 milhões de toneladas a farelo de soja e 1,3 milhão de toneladas a óleo de soja.
O aumento no volume evidencia a força da produção brasileira e a capacidade logística do país em atender uma demanda global crescente por proteína vegetal e insumos para ração animal.
China segue dominante, mas diversificação avança
A China manteve sua posição como principal destino da soja brasileira, comprando 82,9 milhões de toneladas e desembolsando US$ 33,5 bilhões (R$ 184,3 bilhões) entre janeiro e novembro de 2025. O volume de compras chinesas representa 65,1% de todo o complexo soja exportado pelo Brasil no período, reforçando a interdependência entre os dois países.
Na sequência aparecem mercados tradicionais e emergentes, como Tailândia, Espanha, Indonésia, Países Baixos, Vietnã e Turquia, demonstrando que, embora a China concentre a maior fatia, a soja brasileira está cada vez mais presente em diferentes regiões do mundo.
Novos mercados ganham relevância

Além dos grandes compradores, 2025 marcou a ascensão de destinos até então pouco expressivos, mas que passaram a ter papel relevante no comércio da soja brasileira.
O caso mais emblemático é o Paquistão, que saltou de uma importação quase simbólica em 2024, de US$ 15,8 mil (R$ 87,0 mil) por 18,1 toneladas, para US$ 554,9 milhões (R$ 3,1 bilhões) por 1,4 milhão de toneladas em 2025, tornando-se o 12º maior importador da soja brasileira em volume.
Movimento semelhante foi observado na Romênia, que ampliou suas compras de US$ 40,4 milhões (R$ 222,2 milhões) para US$ 118,2 milhões (R$ 650,1 milhões), com o volume passando de 98 mil para 343,4 mil toneladas no complexo soja.
Países como Nigéria, Costa do Marfim, Serra Leoa e Barbados também avançaram, sinalizando uma estratégia clara de diversificação de mercados por parte do Brasil.
Produção recorde sustenta desempenho comercial

O excelente desempenho comercial de 2025 tem origem direta no campo. A safra brasileira de soja 2024/25 foi estimada em 171,5 milhões de toneladas, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), consolidando o Brasil como maior produtor mundial do grão.
No cenário global, a produção total foi estimada em 427,15 milhões de toneladas, o que significa que o Brasil respondeu sozinho por 40,1% de toda a soja produzida no mundo. Trata-se de um nível de liderança sem precedentes.
Para a safra 2025/26, as projeções seguem otimistas. O USDA prevê uma produção mundial ligeiramente menor, de 422,54 milhões de toneladas, queda de 1,08%. O Brasil, na contramão, deve ampliar sua colheita para 175 milhões de toneladas, crescimento de 2,04%.
Já a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) trabalha com uma estimativa ainda mais robusta, de 177,1 milhões de toneladas, alta de 3,3% e um novo recorde, caso se confirme.
Pilar estrutural do agronegócio brasileiro
Os números de 2025 deixam claro que a soja segue sendo o principal pilar do agronegócio brasileiro. Mesmo diante de oscilações de preços, o crescimento em volume, a abertura de novos mercados e a liderança produtiva mundial colocam o grão como elemento central da estratégia econômica do país.
Mais do que uma commodity, a soja se consolida como um ativo geopolítico, comercial e produtivo, capaz de sustentar renda no campo, impulsionar exportações e reforçar a posição do Brasil como potência agroalimentar global.