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IPCA Acelera e Avança 0,18% em Novembro Por Conta de Movimentos Atípicos

Normalização do custo de energia elétrica e alta de hospedagem causada pela COP 30 jogaram o índice para cima. Apesar da alta no mês, tendência de desinfllação continua

3 min

O IPCA de novembro avançou 0,18%, acelerando frente aos 0,09% de outubro, mas abaixo das expectativas do mercado, que apontava alta de 0,20% dos preços no mês. No acumulado em 12 meses, o índice recuou de 4,68% para 4,46%, movimento que reforça a tendência de desinflação, apesar da alta mensal.

A alta mensal foi influenciada principalmente por Habitação (0,52%) e Despesas Pessoais (0,77%), ambas com impacto de 0,08 ponto percentual. Por outro lado, alimentos e combustíveis exerceram força desinflacionária: a alimentação no domicílio caiu pelo sexto mês seguido e os combustíveis recuaram, refletindo a redução recente no preço da gasolina nas distribuidoras.

Segundo Leonardo Costa, economista do ASA, a leitura do mês foi marcada por dois choques. O primeiro foi a normalização do custo da energia elétrica, que deixou para trás a deflação de outubro (quando houve recuo da bandeira tarifária, da vermelha 2 para a vermelha 1), registrando alta em novembro por conta de reajustes ordinários regionais. O segundo foi o impacto extraordinário da COP 30 em Belém, que gerou salto nos preços de hospedagem (quase 180% na região metropolitana de Belém), pressionando o grupo  de Despesas Pessoais de forma atípica. “Esses dois fatores explicam boa parte da aceleração do índice”.

Os choques localizados de alta, mais a leitura benigna dos núcleos da inflação (que mostram a tendência de preços mais persistente ao remover componentes mais voláteis), é compatível com a tendência de arrefecimento gradual da inflação no curto prazo, na visão do economista. “O quadro geral da inflação permanece favorável e conta com a desinflação de alimentos no domicílio e dos bens industrializados, com o câmbio mais baixo colaborando. O IPCA de 2025 segue projetado em 4,2%, mesma taxa para 2026”.

Com o resultado, a inflação fica abaixo do teto da meta pela primeira vez em mais de um ano.

Como o indicador afeta a Selic?

Em conjunto com indicadores recentes que já apontam desaceleração da atividade econômica, o comportamento dos preços do IPCA dá ainda mais conforto para que o Banco Central promova um corte gradual da taxa Selic de 15% para 14,75% já em janeiro de 2026, na visão de Arnaldo Lima, líder de relações institucionais da Polo Capital.

“Seria um movimento mais eficiente em termos de previsibilidade da política monetária do que uma redução concentrada de 0,50 ponto percentual em março, que poderia ser interpretada como uma reação tardia da autoridade monetária, mantendo por mais tempo um juro real excessivamente elevado, com efeitos adversos sobre a própria oferta e a inflação futura”.

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