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Novonor Encaminha Acordo para Venda de Controle da Braskem

Conclusão da operação pode encerrar um longo período de preocupações com a liquidez da petroquímica

3 min

Após anos de tentativas frustradas, a Novonor (ex-Odebrecht) enfim deixou o controle da Braskem (BRKM5). Nesta segunda-feira (15), a petroquímica informou que foi comunicada da operação entre a sua holding e a empresa de investimentos IG4 Capital.

A Novonor, em recuperação judicial, permanecerá com apenas 4% da Braskem. O restante, hoje em poder dos bancos como garantia de dívidas, será transferido para um fundo de capital privado da IG4. Assim, o grupo passará a deter 50,111% do capital votante e 34,323% do capital total da petroquímica. Ou seja: a IG4 assumirá R$ 20 bilhões em dívidas garantidas por ações da Braskem.

O acordo de exclusividade foi firmado entre o FIDC e os credores da Nonovor. O documento tem validade de 60 dias.

A expectativa é que o FIDC compartilhe o controle com a Petrobras, hoje o segundo maior acionista da companhia. “A atual equipe de gestão da Braskem e seus assessores permanecem inalterados, assegurando plena continuidade operacional”, informou o fundo.

Em reação ao anúncio, as ações BRKM5 sobem mais de 5%, a R$ 8,38.

Para o Bank of America, a operação é positiva para a Braskem, já que a mudança de controle deve vir acompanhada de mudanças na diretoria.

“Consideramos a notícia positiva, pois pode ajudar a resolver a principal preocupação dos investidores em relação à liquidez da Braskem no curto e médio prazo, em meio a um cenário ainda desafiador para os spreads petroquímicos. Acreditamos que essa notícia, juntamente com o acordo com o Estado de Alagoas, está contribuindo para o forte desempenho das ações”, explicam os analistas.

A expectativa do BofA é que as mudanças facilitem o acesso da Braskem a novos financiamentos, incluindo linhas de crédito do BNDES. Hoje, a petroquímica possuí uma dívida de cerca de US$ 1 bilhão (R$ 5,3 bilhões) e, devido a um caixa de pouco mais de US$ 2,3 bilhões (R$ 12,20 bi), corre o risco de ficar com a sua liquidez limitada.

Única saída

Em recuperação judicial desde 2019, a Novonor acumula dívidas e tentativas de reestruturação que ainda refletem o impacto da Operação Lava Jato na companhia. Desde o início do processo, a venda da Braskem era vista como estratégica para devolver liquidez ao grupo.

De lá para cá, foram diversas as tentativas de vendas, quase sempre bloqueadas pelos bancos credores que detinham ações da Braskem como garantia de dívidas. A leitura, na maior parte do tempo, era de que o ativo estava sendo vendido abaixo do seu potencial.

Hoje as ações BRKM5 valem menos do que valiam na máxima histórica, quando chegaram a valer mais de R$ 65.

Em 2024, a Novonor registrou um prejuízo de R$ 16,9 bilhões, com uma dívida bruta consolidada que ultrapassa a casa dos R$ 110 bilhões — sendo R$ 46 bilhões referentes à dívida corporativa da Braskem. Caso o acordo seja concretizado, a transferência das ações deve reduzir o passivo da holding para algo próximo dos R$ 70 bilhões. 

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