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O Que o Acordo entre Trump, Otan e Groenlândia Pode Significar para os Americanos?

Entre sexta-feira (16) e terça-feira (20), o S&P 500 recuou quase 2,1%, mesmo com a presença das grandes empresas de tecnologia no índice

4 min

Uma análise recente avaliou como a postura deDonald Trumpem relação à Groenlândia — e as ações adotadas para pressionar pela aquisição do território pelos EUA — poderia gerar custos significativos para os americanos.

A última semana evidenciou, primeiro, algumas implicações negativas e, depois, certos recuos. Trump deixou claro que desejava a Groenlândia em um nível psicológico pessoal, associado à ideia de sucesso, como revelou uma extensa reportagem recente do The New York Times. Segundo a Reuters, Trump também chegou a vincular sua posição sobre a Groenlândia ao fato de não ter recebido o Prêmio Nobel da Paz.

A questão envolve uma geopolítica de grande escala, incluindo o risco de colocar os Estados Unidos em rota de colisão com todos os países da Otan. O “princípio mais fundamental” do Tratado do Atlântico Norte é o Artigo 5º, que estabelece que “um ataque armado contra um membro da Otan deve ser considerado um ataque contra todos.”

Havia três caminhos básicos para Trump “possuir” a Groenlândia, atendendo a esse desejo pessoal: uma compra aprovada formalmente, o uso da força militar ou a persuasão da Dinamarca e da Otan para que aceitassem sua posição.

O custo de curto prazo

A persuasão de Trump veio na forma de ameaça. Na prática, ou os países concordariam com suas exigências, ou ele imporia tarifas adicionais de 10%, a partir de 1º de fevereiro, sobre produtos provenientes da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido. Sem um acordo, essas taxas extras subiriam para 25% em 1º de junho.

Os mercados reagiram imediatamente, diante da preocupação com a imprevisibilidade contínua que caracteriza a atual administração.

Entre sexta-feira, 16 de janeiro, e terça-feira, 20 de janeiro, o S&P 500 recuou quase 2,1%, mesmo com a presença das grandes empresas de tecnologia no índice. O Dow Jones Industrial Average caiu 1,7%. Já o Nasdaq recuou 2,4%.

O rendimento do título do Tesouro americano de 10 anos — base para diversas taxas de juros, incluindo a hipoteca residencial de 30 anos — subiu de 4,17% para 4,29%, uma diferença de 0,12 ponto percentual, considerada significativa nesse contexto.

Um recuo rápido

Na quarta-feira, 21 de janeiro, surgiram notícias de que Trump havia recuado da imposição das tarifas adicionais após alcançar o “esboço de um acordo futuro” sobre a Groenlândia e a região do Ártico com o secretário-geral da Otan,Mark Rutte, segundo diversos relatos, incluindo uma reportagem doThe Wall Street Journal.

O jornal também citou Trump dizendo, mais cedo naquele dia: “Provavelmente não conseguiremos nada a menos que eu decida usar força excessiva, algo que nos tornaria, francamente, imparáveis, mas eu não farei isso”.

O líder americano acrescentou: “Essa foi provavelmente a declaração mais forte que fiz, porque as pessoas achavam que eu usaria força, mas não preciso disso. Não quero usar força. Não vou usar força”.

Os mercados acionários se recuperaram parcialmente, retornando aproximadamente à metade do nível em que estavam no início do ano. O rendimento do título do Tesouro de 10 anos está em torno de 4,25%.

E agora?

O acordo entre os Estados Unidos e a Otan estabelece apenas um esboço de um acordo futuro — o que, na prática, revela muito pouco. Mais relevantes do que as oscilações das ações são os movimentos do mercado de títulos.

Esses preços são definidos por mercados e investidores que, em geral, tendem a ser mais cautelosos e preditivos do que o mercado acionário.

Mesmo com algum arrefecimento recente, o mercado continua avaliando o que esse esboço de acordo pode significar, qual será o impacto do crescimento da dívida nacional e se ainda existe espaço para uma inflação mais elevada no futuro.

O fato de o rendimento do título de 10 anos continuar elevado é um sinal de que o mercado de títulos não está convencido de que Trump, em uma referência à era do falecido presidente Gerald Ford, conseguirá “domar a inflação agora.”

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