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Operações de Aumento de Capital Avançam 80% em 2025; Entenda a Razão para o “Boom”

Anúncios na CVM subiram de 61 para 110 e se concentraram no último mês do ano. Bom desempenho da bolsa brasileira, juros altos e questões tributárias são motivos

4 min

Se você lê o noticiário corporativo todos os dias, pode estar com a sensação de que está “chovendo” aumento de capital nas empresas da B3. Não é só impressão, os números mostram que a prática tem passado por um “boom” — principalmente no último mês.  

Em 2025, o número de empresas que fizeram operações de aumento de capital no Brasil subiu 80,3% em comparação a 2024, de 61 para 110. É o que aponta um levantamento da MZ Group divulgado em primeira mão para a Forbes. Juntas, elas somam um valor de mercado de R$ 1,04 trilhão, sendo que 41,7% valem entre R$ 1 bilhão e R$ 10 bilhões.

As informações foram coletadas em documentos disponibilizados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por meio de software da consultoria.

É natural que as operações tenham subido em um ano no qual a bolsa teve um ótimo desempenho e avançou 34% no ano passado. Muitas empresas aproveitam a janela de valorização para realizar as operações, já que o mercado brasileiro costuma ser mais volátil.

Com despesas financeiras mais altas em um ambiente com juros de 15% ao ano, o caixa das empresas é consumido de forma mais intensa, o que demanda soluções como o aumento de capital. Abaixo algumas das maiores operações de aumento de capital no ano:

  • Axia: R$ 30 bilhões para capitalização de reservas de lucros com bonificação de ações
  • Suzano: R$ 5 bilhões para capitalização de reserva para aumento de capital e parte para reserva de investimentos
  • Itaúsa: R$ 2,5 bilhões para capitalização de reservas com bonificação em ações
  • Cyrela: R$ 2,49 bilhões para capitalização de reservas de lucros com bonificação
  • Prio: R$ 2,47 bilhões para capitalização de recursos alocados na reserva de lucros

A prática ocorreu também em setores como o do agronegócio, que estava bastante alavancado e passou por um ciclo de baixa no preço das commodities. Um exemplo foi o aumento de capital de R$ 10 bilhões anunciado pela Cosan, com o objetivo de melhorar sua estrutura de capital e reduzir a alavancagem financeira.

MZ Group/ ReproduçãoEstudo sobre aumento de capital da MZ Group

As principais justificativas para realizar as operações foram reestruturação e otimização da estrutura de capital (36,6%) e capitalização de reservas e lucros (34,7%). Em 2025, 64,6% das empresas que realizaram aumento de capital tiveram ações com desempenho positivo, com 27,8% delas registrando 50% de valorização.

Mudanças tributárias

Essas costumam ser as justificativas padrões para operações de aumento de capital, mas não foram apenas empresas precisando de fôlego que engordaram a lista de operações na reta final de 2025.

Houve um outro motivo para o reforço dessas operações no ano passado, segundo o analista de um grande banco internacional: realizar a operação como uma sinalização ao mercado antes de mudanças tributárias. Tanto que o mês de dezembro foi o que contou com mais registros de documentos relacionados a essas operações na CVM em todo o ano. Ao todo, foram 60 — mais que o dobro de todos os meses anteriores, nos quais os registros não passaram de 26.

A tributação na fonte de dividendos acima de R$ 50 mil por mês passa a vigorar neste ano e muitas empresas correram para antecipar a distribuição de proventos de forma a garantir a isenção. Mas as que não se sentiram à vontade para isso, diante de potenciais tensões em um ano eleitoral no Brasil e por razões geopolíticas no exterior, recorreram ao aumento de capital com emissão de novas classes de ações.

Esse tipo de aumento de capital funciona como uma “opção”: a empresa pode optar por exercê-la ou não. Em um cenário positivo, no qual registre boa geração de caixa, a companhia compra as ações emitidas dos investidores a valor de mercado, e distribui o recurso como um “dividendo sintético”, já que contabilmente é considerado um ganho de capital. Em um cenário negativo, pode converter as ações em ordinárias.

Neste cenário, o investidor pode ficar um pouco frustrado, já que não terá mais tanto dinheiro pingando na conta. Contudo, o analista destaca que neste caso as ações podem valorizar mais ao longo do tempo, já que a tesouraria da empresa atuará como uma importante fonte compradora. 

Lembrando que, a partir de agora, caso o investidor venda uma ação, pagará 15% sobre o ganho de capital, e não 10%.

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