Bom dia. Estamos na quarta-feira, 28 de janeiro.
Cenários
As reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) e do Federal Open Market Committee (Fomc) devem terminar nesta quarta-feira (28) sem surpresas relevantes. A expectativa predominante é de manutenção das taxas básicas de juros nos dois países. No Brasil, a Selic deve permanecer em 15% ao ano. Nos Estados Unidos, a taxa dos Fed Funds deve seguir no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano.
Nas últimas semanas, a probabilidade desse desfecho aumentou de forma consistente. No caso americano, a ferramenta FedWatch, da Bolsa de Chicago, indica que a chance de manutenção dos juros subiu de 82,3% há um mês para 97,2% na terça-feira (27) ontem. O movimento reflete a leitura de que o ciclo de aperto monetário chegou a um ponto de pausa mais prolongada, diante de uma inflação que perdeu força, mas ainda não permite cortes imediatos.
No Brasil, a sinalização é semelhante. As opções de Copom negociadas na B3 apontam 81% de probabilidade de manutenção da Selic na reunião atual. O mercado entende que o Banco Central (BC) segue cauteloso. A autoridade monetária prefere observar por mais tempo o comportamento da inflação, das expectativas e da atividade econômica antes de iniciar qualquer flexibilização.
Os dados recentes de inflação ajudam a explicar esse posicionamento. No Brasil, os índices mostram preços relativamente estáveis, mas ainda em um patamar que encosta ou supera o teto da meta. A desinflação ocorre de forma lenta e irregular, com pressões concentradas em serviços e itens mais sensíveis ao nível de atividade. Isso reduz o espaço para decisões precipitadas.
Nos Estados Unidos, o cenário não é muito diferente. A inflação perdeu o ritmo mais agudo, mas segue acima do objetivo do Federal Reserve. Núcleos e componentes ligados ao mercado de trabalho continuam resilientes. Esse quadro reforça a mensagem de que a política monetária precisa permanecer restritiva por mais tempo.
Diante disso, o foco dos investidores vai além das decisões desta semana. O que realmente importa são as sinalizações sobre os próximos passos. As atenções se voltam para as reuniões de março e abril, tanto do Copom quanto do Fomc. O mercado busca pistas sobre quando pode começar o ciclo de cortes e qual será o ritmo desse processo.
Comunicação, tom do comunicado e eventuais mudanças no balanço de riscos ganham peso. Em um ambiente de inflação resistente e crescimento moderado, cada palavra conta. Mais do que a taxa atual, o que move os mercados é a trajetória futura dos juros.
Perspectivas
Os mercados devem operar na expectativa do resultado da reunião do FOMC e aguardar o Comunicado da reunião do Copom.
Indicadores
Brasil
Comunicado do Copom
Decisão da Selic
Estados Unidos
Decisão dos Fed Funds
Comunicado do Fomc
Entrevista coletiva de Jerome Powell