O Brasil é o principal beneficiado pela derrubada das tarifas impostas pelo presidente americano Donald Trump pela Suprema Corte do país, mesmo com a imposição de uma nova tarifa fixa temporária, que entrou em vigor nesta quarta-feira, 24. É o que aponta um estudo da Global Trade Alert, iniciativa internacional independente que monitora e analisa medidas de política comercial adotadas por governos ao redor do mundo.
As tarifas impostas ao Brasil caíram em 13,6 pontos percentuais. A segunda economia mais beneficiada foi a China, para a qual as tarifas foram reduzidas em 7,1 ponto percentual. Em terceiro lugar fica a Índia, com redução de 5,6 ponto percentual. Os três países enfrentavam taxas elevadas sob a IEEPA (Lei de Política Econômica de Investimento Indo-Econômica), justamente as que foram consideradas ilegais pela justiça americana.

O levantamento considera os 20 principais importadores de produtos para os Estados Unidos e já inclui o impacto do anúncio de uma sobretaxa temporária de 15% pelo presidente americano no sábado, 22. A análise abrange mais de 274 mil fluxos comerciais.
Por outro lado, os países que enfrentavam tarifas baixas antes da decisão agora pagam mais. O Reino Unido (+2,1 ponto percentual), a Itália (+1,7 ponto percentual) e Singapura (+1,1 ponto percentual) registram os maiores aumentos, pois a sobretaxa de 15% supera o que pagavam sob o regime do IEEPA.
Mais democrática
A nova sobretaxa fixa trata todos os países igualmente em termos nominais, mas não em termos relativos. A vantagem tarifária relativa mede o quanto as importações de um país são tributadas a mais (ou a menos) em comparação com a média global. Países com valor positivo enfrentam tarifas acima da média; países com valor negativo enfrentam tarifas abaixo da média.
Sob o regime anterior, a diferença era grande: países como a China, Brasil e a Índia enfrentavam tarifas muito acima da média global, enquanto o Canadá, o México e a maioria dos exportadores europeus ficavam bem abaixo dela.
A tarifa temporária reduz significativamente essa diferença. Como a sobretaxa é fixa, a variação específica de cada país diminui. A China ainda enfrenta a maior carga tarifária relativa, mas a diferença diminuiu (-20, para -15), seguida pelo Brasil (-14 para -1,4). Já países que antes eram pouco tributados agora estão mais próximos da média, como México (+12 para +10,6).
Nova tarifa
Com vigência a partir desta quarta-feira, dia 24, por 150 dias, a nova tarifa global de Trump toma como base a Seção 122 do Trade Act de 1974, a lei comercial americana. As taxas podem ser prorrogadas pelo Congresso americano após o dia 24 de julho, data em que expiram. Na prática, a nova tarifa recai sobre todos os produtos importados para os EUA. Mas existem exceções:
- Produtos já sujeitos às tarifas da Seção 232 (aço, alumínio, cobre, madeira, automóveis)
- Artigos que entram no país isentos de impostos sob o USMCA
- Artigos têxteis e de vestuário que entram no país isentos de impostos ao abrigo do Acordo de Livre Comércio entre a República Dominicana e a América Central
- Aproximadamente 1.100 códigos de produtos incluídos no Anexo II estão isentos da sobretaxa.