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Dólar Fecha a R$ 5,18, Menor Valor em Quase Dois Anos, Após Derrubada de Tarifas de Trump

Suprema Corte dos EUA decidiu que a interpretação da Lei de Emergência Internacional, que concede a Trump o poder de impor tarifas, viola a lei

3 min

O dólar fechou a sexta-feira em queda firme no Brasil e novamente abaixo dos R$5,20, acompanhando o recuo da moeda norte-americana no exterior após a Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitar tarifas comerciais impostas pelo presidente Donald Trump.

O dólar à vista fechou a sessão em baixa de 0,99%, aos R$5,1766, o menor valor de fechamento desde 28 de maio de 2024, quando encerrou em R$5,1539. Na semana encurtada pelo Carnaval, a moeda norte-americana acumulou baixa de 1,03% e, no ano, queda de 5,69%.

Às 17h06, o dólar futuro para março — atualmente o mais líquido no Brasil — cedia 0,77% na B3, aos R$5,1840.

O recuo do dólar no Brasil esteve em sintonia com a baixa quase generalizada da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior, após a Suprema Corte rejeitar as tarifas aplicadas por Trump com base em uma lei destinada a ser usada em emergências nacionais.

Decisão da Suprema Corte

O tribunal decidiu que a interpretação da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, (IEEPA na sigla em inglês) que concede a Trump o poder de impor tarifas, interferiria nas atribuições do Congresso e violaria a doutrina das “questões principais”.

Essa doutrina exige que as ações do Poder Executivo de “vasta importância econômica e política” sejam claramente autorizadas pelo Congresso e derrubou as tarifas abrangentes aplicadas pelo presidente.

Os juízes mantiveram a decisão do tribunal de que o uso da lei de 1977 pelo presidente republicano excedeu sua autoridade.

Em reação, o dólar despencou ao redor do mundo, atingindo a cotação mínima do pregão de R$5,1739 (-1,04%) no mercado brasileiro às 15h47, quando Trump concedia entrevista nos Estados Unidos prometendo novas medidas.

O norte-americano afirmou que assinará uma ordem para impor uma tarifa global de 10%, em conformidade com a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, e prometeu iniciar novas investigações comerciais.

“Na margem, o fim das tarifas reforça o movimento de reposicionamento global de portfólios estrangeiros, que favoreceu o real e a bolsa brasileira, mas a principal consequência deve ser o aumento da volatilidade cambial diante da incerteza sobre os próximos passos do governo americano”, disse André Valério, economista sênior do Inter, em comentário escrito. “Ainda assim, a tendência global de depreciação do dólar permanece.”

Pela manhã, o Banco Central do Brasil vendeu apenas US$1 bilhão do total de US$2 bilhões ofertados em dois leilões de linha (venda de dólares com compromisso de recompra) simultâneos, para rolagem dos vencimentos de março.

No fim da manhã, o BC vendeu 35.100 contratos do total de 50.000 contratos de swap cambial tradicional, também para a rolagem de março.

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