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“Efeito Master” no FGC Ultrapassa R$ 50 Bilhões após Liquidação do Banco Pleno

Fundo já havia sido impactado por desembolsos bilionários após liquidações recentes do Banco Master e do Will Bank

4 min

Nesta quarta-feira (18), o Banco Central (BC) anunciou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno e da Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, que pertenciam a Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Com isso, o “efeito Master” sobre o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) cresce.

De acordo com o FGC, o Pleno têm cerca de 160 mil credores com depósitos elegíveis ao pagamento da garantia de até R$ 250 mil por CPF. O pagamento total deve retirar cerca de R$ 4,9 bilhões do fundo.

A nova liquidação ocorre em um momento já de pressão sobre FGC. Nos últimos meses, ele já havia sido impactado por desembolsos bilionários decorrentes de intervenções anteriores no sistema bancário. O pagamento combinado dos depósitos garantidos do Will Bank e do Banco Master soma R$ 46,9 bilhões — representando em torno de um terço de seu volume de liquidez existente, de aproximadamente R$ 121 bilhões em junho de 2025.

O valor irá reduzir as reservas do FGC, liquidez e habilidade de absorver novos choques no sistema bancário, gerando custos aos bancos associados, que precisarão recompor o volume à níveis saudáveis. Atualmente, esse valor está em 0,01% sobre instrumentos garantidos.

“Todos os créditos enquadrados no Regulamento do Fundo Garantidor terão o processo de pagamento iniciado tão logo o levantamento dos dados dos credores seja concluído e disponibilizado”, destaca o FGC em nota.

Panela de pressão

Mesmo com todo o impacto recente sobre o FGC, a agência de classificação de risco Moody’s considera que esse ele será administrável pelas instituições financeiras que absorverão o impacto do rombo de R$ 50 bilhões.

Embora não haja divulgação sobre a proporção dos depósitos de cada banco que são efetivamente segurados, os bancos mais importantes, incluindo Itaú, Banco do Brasil, Bradesco, Santander, Caixa e BTG Pactual respondem juntos por 75% dos depósitos do sistema elegíveis para seguro.

Em relação ao efeito sobre as instituições bancárias, a Moody’s estima um déficit de liquidez de R$ 55 bilhões em comparação ao índice mínimo de cobertura de 2,5% dos depósitos segurados do FGC. Isso distribuído de acordo com a participação dos cinco maiores bancos no total de depósitos, equivaleria a 2,3% do estoque combinado de ativos líquidos de alta qualidade no terceiro trimestre de 2025.

Essa redução da liquidez dos bancos pesará sobre a rentabilidade dos investimentos. Com a taxa de política monetária atualmente em 15%, uma redução total de R$ 55 bilhões na liquidez do sistema implica um efeito anual de mais de R$ 8 bilhões na receita líquida de juros, correspondendo a 2,1% do total reportado nos 12 meses até setembro de 2025.

Quando os recursos líquidos do FGC caem abaixo de seu índice mínimo de cobertura de 2,5% dos depósitos segurados, o conselho pode ativar ferramentas legais para reconstruir a liquidez. Os mecanismos incluem antecipar futuras contribuições ordinárias de forma proporcional ao financiamento coberto de cada membro e aprovar sobretaxas temporárias além da alíquota de 0,01% que todos os bancos pagam mensalmente sobre os depósitos segurados.

Para mitigar as pressões de liquidez sobre os membros, o conselho do FGC provavelmente dependerá de uma combinação de antecipação multianual das contribuições ordinárias e de uma sobretaxa temporária de 50% sobre a a contribuição ordinária até que a liquidez seja restabelecida ao nível-alvo.

Banco Pleno

De acordo com o Banco Central, trata-se de um conglomerado de porte pequeno e enquadrado no segmento S4 da regulação prudencial, tendo como instituição líder o Banco Pleno. “O conglomerado detém 0,04% do ativo total e 0,05% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN).”

O FGC afirma que a instituição não faz parte do conglomerado Master, assim, o liquidante irá apurar a garantia até o limite da regulamentação — até R$ 250 mil por CPF/CNPJ para a instituição, limitando-se os pagamentos realizados pelo FGC a R$ 1 milhão em um período de quatro anos.

A medida ocorre, segundo o BC, pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez. Outro motivo foi pela infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do Banco Central. O BC também tornou indisponíveis os bens de controladores e administradores da instituição.

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