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Novo Nordisk Investe US$ 2,1 Bilhões no Desenvolvimento de Pílulas para Tratamento da Obesidade

A farmacêutica dinamarquesa está colaborando com a Vivtex, cofundada pelo bilionário Robert Langer, para desenvolver versões orais das próximas gerações do Ozempic e do Wegovy

5 min

O Ozempic é um nome conhecido há menos de cinco anos, mas ele e outros medicamentos da classe GLP-1 já se tornaram uma categoria farmacêutica bilionária, com projeção de alcançar US$ 150 bilhões (R$ 769,5 bilhões) globalmente até 2030.

O mercado de GLP-1 ainda é dominado pela Novo Nordisk, fabricante do Ozempic, e pela Eli Lilly, sediada no estado de Indiana, nos Estados Unidos, responsável pelos concorrentes Mounjaro e Zepbound.

No mês passado, a Novo lançou a versão em comprimido de seu medicamento para obesidade Wegovy, que já acumula quase 250 mil prescrições em apenas cinco semanas. A Lilly também prepara sua própria versão oral para obesidade, cuja aprovação pela FDA é esperada para o segundo trimestre.

Em meio à disputa por esse segmento, a Novo Nordisk anunciou na quarta-feira (25) que firmou um acordo com a startup de biotecnologia Vivtex, sediada em Boston, especializada em transformar medicamentos injetáveis em versões orais, para desenvolver pílulas de próxima geração voltadas ao tratamento de obesidade e diabetes.

O contrato pode alcançar US$ 2,1 bilhões (R$ 10,773 bilhões) em pagamentos iniciais e por metas atingidas, além de royalties sobre eventuais medicamentos comercializados. “Estamos entusiasmados”, afirmou àForbesRobert Langer, cofundador da Vivtex e integrante da lista Forbes Innovator 250, acrescentando que é gratificante “levar as descobertas que fazemos até os pacientes”.

Novas possibilidades

A aposta é estratégica para a Novo Nordisk, sediada na Dinamarca. Embora tenha sido pioneira no segmento de GLP-1, o mercado financeiro projeta que a companhia perca a liderança para a Lilly até o fim do ano.

As ações da empresa acumulam queda superior a 24% em 2026, tendo recuado recentemente em dois dígitos após um estudo clínico indicar que seu mais novo medicamento contra obesidade, CagriSema, apresentou desempenho inferior ao do Zepbound, da Lilly. A companhia também perdeu uma concorrência de grande visibilidade pela startup de biotecnologia focada em obesidade Metsera para a Pfizer.

Ainda assim, a Novo Nordisk mantém vantagem nas versões em comprimido para obesidade. Esses medicamentos devem conquistar uma fatia relevante do mercado, tanto por dispensarem o uso de agulhas quanto por apresentarem custos de produção mais baixos.

A versão oral do Wegovy demonstra melhor perda de peso no longo prazo em comparação com o Orforglipron, da Lilly, que ainda deve levar alguns meses para chegar ao mercado.

Investir em GLP-1 orais de nova geração pode ajudar a empresa a preservar sua competitividade. Isso porque estudos clínicos tanto da Lilly quanto da Novo identificaram níveis mais elevados de efeitos colaterais nas versões orais em comparação com as injetáveis, o que tende a levar pacientes a buscar alternativas à medida que novas opções forem disponibilizadas.

Como os pacientes costumam recuperar 75% do peso após 18 meses da interrupção do tratamento, analistas de Wall Street não preveem uma redução significativa e duradoura na base de usuários.

Pílulas do futuro

É nesse contexto que entra a Vivtex. Fundada em 2018 por Robert Langer e pelos cientistas do MIT Giovanni Traverso e Thomas von Erlach, a startup atua com clientes como Orbis Medicines e Astellas Pharma no desenvolvimento de versões em comprimido de medicamentos biológicos — fármacos grandes e complexos, como os GLP-1, geralmente administrados por via intravenosa ou injetável.

Segundo Traverso, transformar esses compostos em pílulas é desafiador porque eles “se assemelham ao que ingerimos”, o que faz com que o organismo, por mecanismos evolutivos, tenda a degradá-los. Como resultado, apenas uma pequena fração do medicamento administrado é efetivamente absorvida, muitas vezes insuficiente para gerar efeito terapêutico.

Para enfrentar essa limitação, a Vivtex desenvolveu um “sistema gastrointestinal em chip” — pequenos fragmentos de tecido gastrointestinal suíno integrados a um laboratório automatizado.

A tecnologia permite realizar milhares de experimentos por dia, segundo Langer, cujos resultados são analisados por sistemas de aprendizado de máquina para identificar formulações químicas ideais para versões orais de medicamentos.

De acordo com Langer, os sistemas de inteligência artificial da empresa utilizam os dados obtidos nesses testes para prever composições ainda mais eficazes, possibilitando que os cientistas avancem rapidamente no aprimoramento dos fármacos. “Em determinadas moléculas, conseguimos aumentar a absorção em mais de cem vezes”, afirmou. O processo é “tão mais rápido que, em condições normais, dificilmente aconteceria”, acrescentou.

Ao firmar parceria com a Vivtex, a Novo Nordisk pretende utilizar a plataforma tecnológica da startup para acelerar a transição de novas versões de medicamentos contra obesidade do formato injetável para comprimidos.

Quanto maior for a absorção alcançada, menor tende a ser o custo de fabricação. Isso permite que a companhia concorra tanto em preço quanto em diferenciais clínicos — e, potencialmente, mantenha sua posição de liderança no mercado.

*Matéria originalmente publicada em Forbes.com

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