Os preços do petróleo chegaram a subir mais de 4% nesta quarta-feira(18), com os operadores precificando possíveis interrupções na oferta em meio a preocupações geopolíticas. De um lado temos o conflito entre os Estados Unidos e o Irã. Do outro, as negociações entre Ucrânia e Rússia em Genebra terminarem sem um avanço. Vale lembrar que as idas e vindas da guerra na Europa fazem preço no mercado da commodity desde 2022.
Os futuros do petróleo Brent subiam US$ 2,81, ou 4,17%, a US$ 70,23 o barril por volta de 15h10 (horário de Brasília), enquanto os futuros do petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos subiam US$ 2,78, ou 4,46%, a US$ 65,11. Ambos os contratos caíram para mínimas de duas semanas na terça-feira.
“Os grandes movimentos nos preços do petróleo hoje estão sendo impulsionados exclusivamente pela geopolítica, eles continuam reagindo às manchetes sobre as reuniões entre EUA e Irã, e Rússia e Ucrânia”, disse Andrew Lipow, presidente da Lipow Oil Associates. “O mercado de petróleo está precificando o risco adicional de uma interrupção no fornecimento”.
A queda do petróleo na terça-feira (17) seguiu as esperanças de que as tensões entre EUA e Irã estivessem diminuindo depois que o ministro das Relações Exteriores do Irã disse que os países haviam chegado a um entendimento sobre os principais princípios orientadores de suas negociações nucleares.
No Brasil, a bolsa esteve fechada na terça-feira por conta do feriado de Carnaval, mas as negociações nesta Quarta-feira de Cinzas refletem a turbulência do mercado internacional.
Por volta das 16h30, os papéis PETR3 da Petrobras avançavam tímidos 0,23%, mas as “junior oils” tinham mais fôlego para subir: os papéis da PetroRecôncavo somavam alta de 3,13% e a Brava Energia apresentava ganhos de 1,47%.
Contexto
Nesta quarta-feira, a agência de notícias semioficial iraniana Fars informou que Irã e Rússia realizarão exercícios navais no Mar de Omã e no norte do Oceano Índico na quinta-feira.
Assim que as negociações começaram na terça-feira, a mídia estatal iraniana disse que o Irã estava fechando temporariamente partes do Estreito de Ormuz, uma rota vital de abastecimento de petróleo global, devido a precauções de segurança, enquanto sua Guarda Revolucionária de elite conduzia exercícios militares no local. Mais tarde, a mídia estatal disse que o estreito havia sido fechado por algumas horas, sem deixar claro se havia sido totalmente reaberto.
“O Irã conhece as táticas de negociação de Trump agora. Ele também sabe que uma interrupção nas exportações de petróleo do Estreito de Ormuz e uma alta nos preços do petróleo para US$ 150 por barril é a última coisa que Trump deseja”, disse o analista-chefe de commodities do SEB, Bjarne Schieldrop, em uma nota. “O Irã tem tempo para negociar com calma.”
A consultoria política Eurasia Group disse em uma nota aos clientes na terça-feira que acredita haver 65% de probabilidade de ataques militares dos EUA contra o Irã até o final de abril.
“Todos estão monitorando a quantidade de equipamentos militares que estão inundando a região vindos dos EUA, o que indica que as hostilidades são iminentes”, disse John Kilduff, sócio da Again Capital.