O Comitê de Política Monetária (Copom) divulgou nesta manhã a Ata da reunião de número 277, realizada nos dias 17 e 18 de março. O texto foi duro. Indicou um aumento da incerteza com relação à inflação devido ao conflito no Irã e afirmou que “as expectativas de inflação (…), que seguiam em trajetória de declínio, subiram após o início dos conflitos no Oriente Médio, permanecendo acima da meta de inflação em todos os horizontes”.
O Comitê indicou que a incerteza com relação ao cenário externo se elevou consideravelmente. “Além do agravamento das tensões geopolíticas, novas incertezas com relação à política econômica dos Estados Unidos colaboraram para tornar esse cenário ainda mais incerto”, afirmou o texto.
Apesar de indicar que “a atividade econômica doméstica manteve trajetória de moderação no crescimento”, o Comitê informou que “para o primeiro trimestre de 2026, indicadores preliminares apontam na direção de uma retomada da atividade econômica em relação ao final de 2025”.
Segundo a Ata, “este movimento é consistente com projeções e expectativas de uma variação positiva do PIB em 2026, ainda que menor que em 2025”.
O texto indicou um novo risco na análise do Comitê, o aquecimento do mercado de trabalho. “No período mais recente, a taxa de desemprego tem se mantido em patamares historicamente baixos enquanto os rendimentos reais médios têm mantido a tendência de elevação acima do crescimento da produtividade do trabalho”, diz o texto. O Copom vê “a necessidade do aprofundamento dessa análise para a avaliação dos padrões de transmissão dos níveis de ocupação para os rendimentos do trabalho e, finalmente, para os preços dos diversos setores da economia”.
O Comitê deixou de prever um corte de juros na próxima reunião, e afirmou que “a principal conclusão (…) foi a de que, em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”.
Sem indicações futuras
A conclusão só poderia ser a ausência de uma indicação para o que esperar nas próximas reuniões. “Após debater alterações no balanço de riscos, o Comitê julgou apropriado seguir com serenidade e reunir mais informações ao longo do tempo, em função da incerteza elevada em relação à evolução de seus elementos”, é a conclusão da Ata.
No entanto, o Comitê reduziu a Selic apesar disso, baixando a taxa em 0,25 ponto percentual para 14,75% ao ano. Essa redução, porém, não veio acompanhada de um “forward guidance” para os próximos movimentos dos juros. O texto é claro: “o Comitê estabeleceu que a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises”.