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E-commerce, medicamentos e Data Centers Fazem DHL Investir R$ 100 Milhões no Brasil

Empresa de logística colocou o país como um de seus mercados estratégicos na América Latina

5 min

O comércio eletrônico brasileiro segue em expansão acelerada. Em 2024, o setor faturou R$ 170 bilhões, alta de 20% ante 2023. Ainda não há dados fechados de 2025, mas as projeções indicam um faturamento de R$ 195 bilhões, alta de 15%. E segundo as estimativas do setor, a perspectiva é de um crescimento de 12%, chegando a R$ 220 bilhões e rompendo o marco de R$ 200 bilhões.

Essa expansão é uma oportunidade para as empresas de logística. E justifica o fato de a empresa alemã DHL ter colocado o Brasil como um de seus países estratégicos na América Latina, ao lado de México e Colômbia. Neste ano, a empresa deverá investir R$ 100 milhões no Brasil em infraestrutura e na expansão de sua frota, diz Agustín Croche, CEO da DHL Supply Chain para a América Latina, em uma entrevista exclusiva à Forbes Brasil.

Um dos movimentos mais recentes é a abertura do quinto hub de distribuição da companhia no território brasileiro, o primeiro localizado na região Centro-Oeste. Segundo Croche, isso acompanha uma mudança estrutural no comportamento do consumo. “O comércio eletrônico exige uma logística muito mais rápida, flexível e distribuída. Os hubs regionais permitem reduzir o tempo de entrega e ampliar a capacidade de processamento de pedidos”, afirmou.

A companhia planejou investimentos de cerca de R$ 1 bilhão no Brasil entre 2023 e 2028, o que representa cerca de R$ 200 milhões por ano. Desse total, cerca de R$ 600 milhões já foram investidos e os demais estão encaminhados. “Haverá investimentos em infraestrutura, como a ampliação da frota e o estabelecimento de novas lojas, e principalmente a abertura de mais centros de distribuição à medida que houver demanda”, diz Croche. Que, avalia o executivo, não deverá faltar.

Setor de saúde

Um dos vetores de crescimento mais importantes vem do setor de saúde. O avanço da demanda por medicamentos de alto valor e sensíveis à temperatura exige infraestrutura especializada de transporte e armazenagem, com frota e instalações refrigeradas. Entre os produtos que mais impulsionam essa expansão estão medicamentos voltados ao tratamento de diabetes e controle de peso, cuja demanda cresceu rapidamente nos últimos anos. “São medicamentos de alto valor agregado e que exigem cadeia de frio rigorosa, diz Croche. “É preciso que eles permaneçam com temperaturas constantes entre dois e oito graus Celsius.”

A expansão desse mercado exige rastreamento detalhado das remessas, controle constante de temperatura e redes de distribuição capazes de cobrir grandes distâncias com segurança. Para atender a essas necessidades, a empresa vem modernizando sua frota refrigerada e ampliando instalações voltadas à logística de saúde.

Além do comércio eletrônico e da área farmacêutica, mudanças estruturais no comércio internacional também favorecem o crescimento da logística local. Um dos principais movimentos é o chamado “nearshoring”, estratégia pela qual empresas transferem parte da produção para países mais próximos de seus mercados consumidores.

Croche afirma que essa reorganização das cadeias produtivas cria novas rotas comerciais e aumenta a complexidade da logística internacional. “As empresas estão diversificando suas cadeias de suprimento para reduzir riscos geopolíticos e dependência de um único país. Isso gera mais fluxos regionais de mercadorias e amplia a demanda por serviços logísticos integrados”, afirmou.

Na avaliação do executivo, o Brasil se beneficia desse processo por reunir grande mercado interno, base industrial relevante e conexões comerciais com diferentes regiões do mundo. Isso faz com que o país seja cada vez mais utilizado como plataforma regional de produção e distribuição. “Quando empresas reorganizam suas cadeias globais, elas precisam de infraestrutura logística confiável para conectar fábricas, centros de distribuição e mercados consumidores. O Brasil tem condições de assumir um papel mais relevante nesse processo”, disse Croche.

Data centers

Outro setor que vem impulsionando a demanda logística é o de infraestrutura digital, com investimento em data centers. Uma obra dessas gera movimentação de servidores, sistemas de armazenamento, equipamentos de energia e de refrigeração. Esses componentes precisam ser transportados com alto nível de segurança e planejamento logístico detalhado. “São equipamentos sensíveis, que exigem logística precisa desde a chegada ao país até a instalação final”, afirmou.

A expansão da infraestrutura digital também cria fluxos logísticos contínuos, não apenas durante a construção das instalações, mas ao longo de toda a operação dos centros de dados. Isso inclui reposição de equipamentos, manutenção e atualização tecnológica.

A combinação de todos esses fatores — expansão do comércio eletrônico, crescimento do setor farmacêutico, reorganização das cadeias globais e aumento dos investimentos em infraestrutura digital — reforça a importância estratégica da logística no Brasil.

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