1. Início
  2. /
  3. Forbes Money
  4. /
  5. Recuperação Judicial ou Extrajudicial: Qual a Diferença entre os Caminhos Usados por Empresas para Renegociar Dívidas
Forbes Money

Recuperação Judicial ou Extrajudicial: Qual a Diferença entre os Caminhos Usados por Empresas para Renegociar Dívidas

Instrumentos previstos na lei brasileira permitem que companhias reorganizem passivos e evitem a falência

4 min

Quando empresas enfrentam dificuldades financeiras relevantes, renegociar dívidas pode ser a única alternativa para manter as operações e preservar empregos. Recentemente, duas grandes empresas ganharam manchetes por procurarem os mecanismos — GPA e Raízen

No Brasil, dois dos principais instrumentos legais para isso são a Recuperação Judicial e a Recuperação Extrajudicial: previstos na Lei de Recuperação e Falências que permitem a reorganização de passivos sem que a empresa precise encerrar suas atividades.

De acordo com documento divulgado pela Fecomércio, a Lei estabelece os instrumentos de reorganização empresarial e tem como um de seus princípios centrais a preservação da atividade econômica, “um dos seus princípios norteadores é a recuperação das empresas, sendo que a decretação de falência é utilizada apenas em último caso”.

Embora os dois processos tenham o mesmo objetivo, viabilizar a reestruturação financeira e evitar a falência, eles seguem caminhos diferentes em termos de negociação com credores, supervisão da Justiça e grau de formalidade.

A escolha entre um ou outro modelo depende do nível de endividamento da empresa, do relacionamento com os financiadores e da urgência da situação.

De forma geral, a recuperação judicial é mais ampla e estruturada, enquanto a extrajudicial tende a ser mais rápida e negociada diretamente entre as partes.

Recuperação Judicial

A Recuperação Judicial é um processo formal conduzido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ela é utilizada quando a empresa precisa reorganizar uma parte significativa de suas dívidas e não consegue negociar diretamente com todos os credores.

De acordo com o CNJ, a ferramenta evita que empresas em crise fechem as portas, permitindo a renegociação das dívidas com a mediação do Judiciário e preservando empregos e interesses dos credores.

Ao pedir recuperação judicial, a companhia apresenta ao tribunal um plano detalhando como pretende pagar ou renegociar seus débitos – o que pode incluir prazos maiores, descontos ou mudanças nas condições de pagamento.

A lógica central do processo é permitir que a empresa reorganize suas finanças enquanto continua operando.

Um dos efeitos mais importantes do processo é o chamado “stay period”, período em que as cobranças e execuções judiciais contra a empresa ficam suspensas. Isso cria uma espécie de fôlego financeiro para que a companhia organize sua reestruturação.

Esse modelo costuma ser adotado por empresas com estruturas mais complexas de dívida, que envolvem diversos credores — como bancos, fornecedores, investidores e detentores de títulos.

Recuperação Extrajudicial

A recuperação extrajudicial, por sua vez, funciona de maneira mais flexível. Nesse modelo, a negociação ocorre diretamente entre a empresa e parte de seus credores, fora do ambiente judicial.

Após chegar a um acordo, a companhia pode levar o plano à Justiça apenas para homologação. Esse passo torna o acordo vinculante para todos os credores daquela mesma classe, desde que uma parcela mínima deles já tenha concordado com a proposta.

Por exigir menos etapas processuais e menor intervenção judicial, a Recuperação Extrajudicial tende a ser mais rápida e menos custosa.

Outra diferença é que, em geral, apenas determinados tipos de credores participam desse processo. Créditos trabalhistas e fiscais, por exemplo, costumam ficar fora desse tipo de negociação.

A Recuperação Extrajudicial costuma ser escolhida quando a empresa ainda mantém um bom relacionamento com seus credores e consegue avançar em negociações diretas.

Como cada instituição escolhe o melhor caminho

A decisão entre Recuperação Judicial e Extrajudicial depende principalmente da complexidade do passivo e da capacidade de negociação da companhia.

Empresas com poucos credores ou dívidas concentradas em determinados grupos, como bancos ou investidores institucionais, podem optar pela via Extrajudicial, já que o acordo tende a ser mais simples de construir.

Já companhias com dívidas maiores ou com conflitos entre credores normalmente recorrem à Recuperação Judicial, que oferece um ambiente institucional para mediar as negociações.

Impacto para credores

Para credores, os dois modelos representam uma tentativa de maximizar a recuperação de valores. Em um cenário de falência, as chances de receber integralmente uma dívida costumam ser menores.

A própria legislação foi criada para priorizar a continuidade das atividades econômicas quando possível. Por isso, muitas vezes os próprios credores preferem aceitar prazos maiores ou descontos moderados se isso significar preservar a operação da empresa.

Para investidores e analistas de mercado, acompanhar processos de reestruturação também é relevante para avaliar o risco financeiro de empresas e entender suas perspectivas de recuperação.

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.