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As Contas Externas Pioram, Mas Investidores Estrangeiros Seguem Apostando no Brasil

Apesar do salto de 65,9% nos investimentos estrangeiros diretos, déficit em transações correntes atingiu US$ 1,765 bilhão em abril, quase nove vezes acima das expectativas do mercado

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O Brasil voltou a testar os limites de seu equilíbrio externo em abril. O saldo negativo das contas externas somou US$ 1,765 bilhão em abril, quase nove vezes acima da projeção de mercado, que apontava para um déficit de apenas US$ 200 milhões. Embora o resultado ainda permaneça distante dos níveis considerados preocupantes para economias emergentes, ele amplia um movimento de deterioração observado ao longo dos últimos meses.

Nos 12 meses encerrados em abril, o déficit em transações correntes alcançou o equivalente a 2,66% do Produto Interno Bruto (PIB), percentual que começa a se aproximar de patamares historicamente associados a uma maior necessidade de financiamento externo.

Por trás do resultado está um fenômeno típico de economias em expansão: o aumento das importações, das despesas com serviços e da remessa de lucros ao exterior.

A balança comercial continuou robusta, registrando superávit de US$ 9,707 bilhões em abril, significativamente acima dos US$ 6,957 bilhões observados um ano antes. As exportações seguem beneficiadas pela força do agronegócio e pela recuperação gradual de alguns preços de commodities.

Mas o desempenho comercial não foi suficiente para compensar o agravamento de outras contas.

O déficit em serviços alcançou US$ 5,044 bilhões, contra US$ 4,091 bilhões em abril de 2024. O avanço reflete uma economia doméstica mais dinâmica, com aumento dos gastos de brasileiros no exterior, contratação de serviços internacionais e crescimento das despesas ligadas à tecnologia e ao transporte.

Mais expressivo ainda foi o aumento do déficit na conta de renda primária, que reúne remessas de lucros, dividendos e pagamentos de juros. O rombo chegou a US$ 6,801 bilhões em abril, um salto relevante em relação aos US$ 5,018 bilhões registrados no mesmo período do ano passado.

O movimento revela um efeito colateral da própria atratividade da economia brasileira. À medida que empresas estrangeiras ampliam sua presença no país e registram resultados mais robustos, cresce também a transferência de recursos para suas matrizes no exterior.

O contraponto positivo

Se o déficit surpreendeu negativamente, a entrada de capital produtivo ofereceu um importante contraponto.

Os investimentos diretos no país (IDP) somaram US$ 8,912 bilhões em abril, um avanço de 65,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior e bem acima dos US$ 5,4 bilhões projetados pelo mercado.

O dado é particularmente relevante porque o investimento direto é considerado a forma mais estável de financiamento externo. Diferentemente dos fluxos financeiros de curto prazo, que podem entrar e sair rapidamente diante de mudanças no cenário global, os investimentos produtivos costumam estar associados à instalação de fábricas, expansão de operações, aquisições e projetos de longo prazo.

Na prática, o volume de investimento estrangeiro foi suficiente para financiar integralmente o déficit em transações correntes do período, preservando uma das principais fortalezas da posição externa brasileira.

Essa dinâmica ajuda a explicar por que, apesar da deterioração das contas externas, não há sinais imediatos de pressão estrutural sobre o balanço de pagamentos.

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