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As Maiores Empresas Familiares dos EUA: Walmart, Wegmans, Wawa e outras 97

Nova lista da Forbes classifica as 100 maiores empresas familiares do país por receita

5 min

“Em um momento em que grande parte das discussões sobre negócios é definida por velocidade, escala e disrupção, as empresas familiares representam um modelo diferente de sucesso, baseado em longevidade, responsabilidade, resiliência e confiança”, afirma Byron Trott, lendário chairman e co-CEO do banco de investimentos BDT & MSD Partners, em artigo publicado pela Forbes nesta quarta-feira. “O impacto delas muitas vezes é sentido não apenas nas receitas ou avaliações de mercado, mas também nos meios de subsistência, nas instituições e na força das comunidades locais. É por isso que a lista inaugural da Forbes com as principais empresas familiares dos Estados Unidos é importante neste momento”, diz Trott, que trabalhou com companhias fundadas e controladas por famílias como Koch, Pritzker, Mars e Cox.

Não há dúvida de que as empresas familiares americanas – incluindo as 100 maiores destacadas no novo ranking da Forbes – são o que Trott chama de “motor silencioso da economia”. Elas representam 25% das empresas dos EUA, 23% da força de trabalho americana e 23% do PIB do setor privado, segundo o que quatro acadêmicos de destaque descreveram em um estudo recente como a “definição intermediária” de empresa familiar.

As empresas familiares estão por toda parte. As que aparecem na lista da Forbes controlam supermercados onde fazemos compras (Wegmans), hotéis onde nos hospedamos (Hyatt), jornais que nos mantêm informados (The Wall Street Journal) e cosméticos que ajudam a manter nossa aparência (Estée Lauder). Elas produzem algumas das marcas mais populares em categorias como doces (M&Ms), frango (Perdue) e concreto (Quikrete). E estão distribuídas por todo o país, em 31 estados diferentes, do Arizona a Wisconsin e Carolina do Norte.

Muitas delas superaram as dificuldades e permaneceram bem-sucedidas por três ou mais gerações. É o caso da gigante de aluguel de carros Enterprise Mobility, atualmente comandada por Chrissy Taylor, neta do fundador Jack Taylor (morto em 2016) e filha do chairman e ex-CEO Andy Taylor. “O que eu queria transmitir aos meus filhos era que ter uma empresa familiar de capital fechado é um privilégio e deve ser tratado dessa forma”, disse Andy Taylor à Forbes em 2024. “Existem milhares de exemplos de empresas que não fizeram bem essa transferência entre gerações, que fracassaram ou acabaram optando por abrir capital na bolsa. Tentamos aprender com esses exemplos.”

Das 100 empresas familiares presentes no ranking da Forbes, 67 ainda são privadas, enquanto 33 têm ações negociadas em bolsa. A maior empresa familiar privada em receita é a gigante do setor alimentício e agrícola Cargill, que faturou US$ 154 bilhões (R$ 770 bilhões) e é controlada em 88% pelos descendentes do fundador William Wallace Cargill (morto em 1909). Já a maior empresa familiar de capital aberto é o Walmart, com vendas de US$ 713 bilhões (R$ 3,565 trilhões). Os herdeiros do fundador Sam Walton (morto em 1992) ainda controlam 44% da companhia e presidem o conselho desde sua morte. Em fevereiro, o Walmart se tornou a primeira varejista física a atingir valor de mercado de US$ 1 trilhão (R$ 5 trilhões).

A empresa mais antiga da lista da Forbes é a Levi Strauss & Co., cuja família fundadora Haas ainda detém 54% da companhia de 174 anos que inventou o jeans azul e voltou à bolsa pela segunda vez em 2019. A mais jovem é a rede de concessionárias Sonic Automotive, sediada em Charlotte, fundada em 1997 – o mesmo ano em que abriu capital – e ainda controlada em 44% pelos descendentes do fundador O. Bruton Smith (morto em 2022), incluindo o filho David Bruton Smith, chairman e CEO da empresa.

Embora seja notoriamente difícil definir o que caracteriza uma empresa familiar – e as estatísticas variem de acordo com a amplitude da definição utilizada – a Forbes consultou pelo menos cinco especialistas no tema, incluindo professores de universidades como Babson, Northwestern e Universidade da Carolina do Norte em Charlotte, para elaborar sua metodologia. Na composição do ranking, a Forbes excluiu empresas com fundadores vivos, a menos que eles tenham cofundado o negócio com um dos pais já falecido, como os irmãos Reyes, da distribuidora de alimentos e bebidas Reyes Holdings. A revista abriu exceção para casos em que a segunda geração já assumiu os cargos de chairman ou CEO, como na Fox Corp, onde Lachlan Murdoch, filho de Rupert Murdoch, ocupa atualmente as duas funções.

Quase todas as empresas privadas da lista da Forbes pertencem em mais de 50% às famílias fundadoras, embora tenham sido incluídas algumas companhias majoritariamente controladas por funcionários, como Fidelity e Publix, nas quais os herdeiros do fundador possuem participação estimada em pelo menos 20% e atuam como executivos ou membros do conselho.

Para as empresas de capital aberto, a Forbes utilizou um critério mínimo de 10% de participação econômica da família, recomendado por acadêmicos e especialistas, combinado com assentos no conselho ou cargos executivos ocupados por familiares. Também foram incluídas companhias como Ford e Comcast, nas quais a família possui menos de 10% do capital, mas controla ao menos 33% dos votos graças às ações com poder de voto diferenciado, além de manter um integrante da família na presidência do conselho ou no comando executivo.

A Forbes obteve as informações sobre as empresas de capital aberto a partir de documentos regulatórios enviados ao mercado. Muitas das companhias privadas compartilharam dados sobre receita e estrutura societária, mas outras não o fizeram; nesses casos, os números apresentados são estimativas baseadas em apurações da revista.

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