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Boletim Focus: Mercado Eleva Projeção da Inflação para 5,04%

Economistas consultados pelo Banco Central elevaram pela 11ª semana consecutiva o IPCA, ultrapassando o teto da meta, de 4,5%

2 min

Economistas consultados pelo Banco Central elevaram, pela 11ª semana consecutiva, as estimativas para a inflação de 2026, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (26).

A expectativa para o IPCA subiu de 4,92% para 5,04% para 2026, ultrapassando novamente o teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,5%, considerando a margem de tolerância em torno da meta central de 3%.

O mercado também revisou para cima a expectativa para a taxa Selic ao fim de 2026, de 13% para 13,25%. Em paralelo, as projeções para 2027 permaneceram elevadas: inflação de 4,01% e juros em 11,25%.

A combinação entre petróleo pressionado, incerteza cambial e deterioração das expectativas reacende um velho dilema da política monetária brasileira: combater a inflação sem sufocar ainda mais uma economia que já cresce em ritmo moderado.

Banco Central enfrenta cenário mais complexo

A revisão para cima da Selic esperada em 2026 sinaliza que os agentes financeiros passaram a considerar um período mais prolongado de juros restritivos.

O cenário representa um desafio para o Banco Central, especialmente em um ambiente de desaceleração econômica global e incertezas fiscais domésticas. Mesmo com alguma melhora recente do real frente ao dólar, o avanço das expectativas inflacionárias limita o espaço para flexibilização monetária.

No caso brasileiro, a sensibilidade aos preços internacionais de commodities segue elevada. Combustíveis mais caros afetam diretamente o IPCA, mas também pressionam custos logísticos, alimentos e serviços, espalhando os efeitos pela economia.

Ainda assim, o mercado manteve relativamente estáveis as projeções cambiais para os próximos anos. A estimativa para o dólar em 2026 caiu levemente, de R$ 5,20 para R$ 5,17. Para 2028, a projeção recuou para R$ 5,30.

Crescimento resiste, mas perde força no horizonte

Apesar da deterioração inflacionária, as projeções para a atividade econômica mostraram alguma resiliência. A expectativa para o crescimento do PIB em 2026 subiu de 1,85% para 1,89%.

O avanço, porém, ainda sugere uma economia operando abaixo de seu potencial. Para 2027, o movimento foi inverso: a projeção caiu de 1,77% para 1,70%, indicando que o mercado começa a incorporar os efeitos prolongados de juros altos sobre consumo, crédito e investimentos.

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