Aos 30 anos, Gabriel Padula acompanha de perto um mercado que, na avaliação dele, ainda está no início de um ciclo de expansão. CEO da Everblue, ecossistema de soluções de crédito corporativo, Padula afirma que a companhia se aproxima de R$ 4 bilhões em crédito concedido, acima dos R$ 3 bilhões informados quando entrou para a lista Forbes Under 30, em 2025.
“Hoje a gente opera por volta de mais ou menos R$ 110 milhões de crédito por mês”, diz. O grupo já realizou mais de 10 mil operações e concedeu mais de R$ 4 bilhões em crédito ao longo da trajetória. Só nos últimos 12 meses, o portfólio movimentou mais de R$ 6 bilhões em transações. A companhia também projeta investir R$ 10 milhões no desenvolvimento de uma plataforma proprietária de gestão e administração de fundos, mirando capacidade de até R$ 3 bilhões em crédito por ano.
Padula não classifica a Everblue como uma “gestora” tradicional. Durante a entrevista, fez questão de diferenciar o modelo da companhia. “Tem uma gestora, tem uma registradora, tem um consultor e tem um originador. São frentes que prestam diferentes serviços para um ecossistema de FIDC”, disse.
Os FIDCs, sigla para Fundos de Investimento em Direitos Creditórios, ganharam espaço nos últimos anos em meio aos juros elevados e à maior demanda das empresas por capital de giro. Na visão do executivo, o segmento ainda está distante do potencial máximo.
“Hoje a gente tem quase R$ 1 trilhão de ativos sob gestão no mercado de FIDCs, mas nós vemos que é um nicho que está só no começo”, afirmou.
Dados da ANBIMA confirmam o avanço do setor. Em março de 2026, os FIDCs registraram captação líquida positiva de R$ 2,4 bilhões, em um cenário ainda marcado por juros elevados e busca crescente por alternativas ao crédito bancário tradicional. No mesmo período, classes mais arriscadas continuaram pressionadas. Os fundos multimercados tiveram saída líquida de R$ 3,1 bilhões no mês, enquanto os fundos de ações registraram resgates de R$ 1,4 bilhão.
Para Padula, a principal vantagem dos fundos de crédito em relação às instituições tradicionais está na velocidade das operações. “Os FIDCs conseguem ser muito mais ágeis, ter condições tão próximas quanto os bancos têm, mas trazendo entendimento do setor e do negócio que o cliente busca”, disse. “A maior dor do mercado industrial e empresarial hoje está ligada à agilidade.”
Embora a EverBlue atue de forma multissetorial, cerca de 70% da carteira da companhia está ligada à indústria. Segundo Padula, o ambiente de juros elevados ampliou a procura das empresas por crédito.
“O mercado empresarial no Brasil vem sofrendo um grande desafio, principalmente pelo custo. A Selic hoje é algo que realmente desenvolve uma tremenda ruptura no crescimento dos negócios brasileiros”, afirmou. Ele também destacou o peso da indústria na economia brasileira ao justificar o foco do grupo no setor. “Hoje 24% do PIB do Brasil está ligado à indústria. E 11 milhões dos empregos formais do Brasil estão ligados à indústria.”
Crédito além dos bancos
Nos últimos meses, a companhia ampliou sua estratégia para além da concessão de crédito. A Everblue lançou a Everblue Pay, plataforma que reúne serviços como Pix, TED, conta, câmbio, cartões corporativos e gestão financeira em um único ambiente.
Segundo Padula, o objetivo é aproximar os fundos da rotina operacional das empresas.
“O FIDC só era lembrado no dia a dia do crédito. Então a gente quis gerar recorrência, ter proximidade. E, para ter proximidade, nós precisamos ter serviço”, afirmou. “A gente vem trazendo mais serviços e indo muito além do crédito.”
A expansão também ganhou tração fora da Avenida Paulista. A empresa abriu novas frentes comerciais em Porto Alegre, Salvador e Belo Horizonte, além de ampliar atuação em Goiás e em cidades do interior paulista, como Ribeirão Preto, Jundiaí, Sorocaba e São José dos Campos.
Hoje, a Everblue soma quase 60 colaboradores. Segundo o executivo, a estratégia regional passa pela contratação de profissionais vindos de grandes bancos para estruturar operações locais antes da abertura de escritórios físicos.
“Hoje a nossa posição comercial não necessariamente necessita de um ponto físico. A gente vai no Itaú, por exemplo, e busca o melhor gerente daquela região para montar a base comercial da Everblue no estado”, disse.
Padula afirma que o grupo nasceu quando ele ainda estava na faculdade, aos 21 anos, inicialmente em um modelo de securitizadora antes da evolução para a estrutura atual ligada aos FIDCs. “A minha vida é o nosso negócio, sempre foi”, afirmou. “A gente não tem uma exclusão entre CPF e CNPJ aqui”, diz.