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Ibovespa Termina o Dia em Queda Pressionado por Petrobras

Já o dólar, após iniciar a sessão em leve alta, perdeu força ante o real no fim da manhã e fechou a quinta em baixa

5 min

Nesta quinta-feira (28), o Ibovespa fechou com queda modesta de 0,39%, após trocar de sinal em vários momentos do dia. O indicador foi influenciado pelo noticiário sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã, em pregão marcado ainda por uma bateria de dados econômicos.

O indicador brasileiro terminou a 175.063 pontos, com as ações da Petrobras entre as maiores pressões negativas, mesmo com o anúncio de aumento no preço da gasolina pela estatal. Na máxima do dia, o Ibovespa marcou 176.627 pontos. Na mínima, 174.686. O volume financeiro no pregão somou R$ 21,21 bilhões, de uma média diária de R$ 31,1 bilhões em maio.

Já o dólar, após iniciar a sessão em leve alta, perdeu força ante o real no fim da manhã e fechou a quinta em baixa. A virada aconteceu após notícias de que EUA e Irã teriam chegado a um memorando de entendimentos para estender o cessar-fogo no Oriente Médio por 60 dias.

A moeda americana encerrou o dia com baixa de 0,56%, aos R$ 5,03. No ano, passou a acumular recuo de 8,31% ante o real.  Às 17h10, o dólar futuro para junho — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,56% na B3, aos R$ 5,03.

No fim da manhã, o site Axios informou que EUA e Irã teriam chegado a um acordo preliminar para estender o cessar-fogo por 60 dias. O acordo, confirmado posteriormente pela Reuters, ainda dependia da aprovação do presidente norte-americano, Donald Trump.

“O movimento, de queda do dólar, ganhou força após anúncio de um possível acordo entre Washington e Teerã estar praticamente fechado, dependendo apenas da aprovação final de Donald Trump, reduzindo parte do prêmio de risco geopolítico”, resumiu no fim da tarde Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito. 

No noticiário local, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, reiterou pela manhã o desconforto com a alta das expectativas de inflação para 2028 no Brasil, acrescentando que a instituição buscará atingir a meta inflacionária.

“Hoje temos uma perturbação relevante”, comentou David, em referência ao conflito no Oriente Médio, durante palestra em evento do Banco Pine, em São Paulo. “O BC está atento a isso, não vai permitir que isso se transforme em inflação além do horizonte relevante”, acrescentou.

No mercado, a expectativa é de que o BC promova mais um corte de 25 pontos-base da Selic em junho, mas há dúvidas sobre o espaço para novas reduções depois disso, justamente por conta do descolamento das expectativas de inflação da meta, em meio à continuidade da guerra no Oriente Médio.

Atualmente a Selic está em 14,50% ao ano, bem acima das taxas praticadas em países como EUA e Japão, e este diferencial de juros foi nos últimos meses um fator favorável à atração de dólares para o Brasil.

No evento, David avaliou ainda que o real se comportou de forma atípica nos últimos 12 meses, quase como um “unicórnio” — ou seja, uma exceção — em eventos de pressão sobre as moedas globais, em meio ao tarifaço dos EUA e da guerra no Oriente Médio. No exterior, às 17h25, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes — caía 0,27%, a 99,028.

Movimento do dia

A perspectiva de um acordo, que pode levar à normalização no tráfego no Estreito de Ormuz, enfraqueceu os preços do petróleo, que trabalharam em alta em parte do pregão após o Irã ter atacado uma base aérea norte-americana no Kuweit, na sequência de ataques dos EUA contra o que Washington descreveu como uma operação iraniana com drones.

No fechamento, o barril da commodity sob o contrato Brent mostrou declínio de 0,62%, a US$ 93,71.

Em Wall Street, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, fechou em alta de 0,56%, renovando recorde, com investidores também analisando uma bateria de dados econômicos, incluindo o indicador de inflaçãopreferido do Federal Reserve.

No Brasil, a pauta macroeconômica também ocupou as atenções. Dados do mercado de trabalho mostraram que a taxa de desemprego no Brasil atingiu 5,8% no trimestre encerrado em abril, enquanto o emprego formal teve o pior desempenho para abril desde a pandemia. O índice de preços ao produtorteve no mês passado a maior altaem quatro anos.

Pesquisa com assessores e consultores vinculados à XP, divulgada nesta quinta-feira pela instituição financeira, mostrou aumento dos níveis de alocação em ações, embora a intenção de aumentar ainda mais a exposição tenha diminuído. O estudo também mostrou que o sentimento dos assessores em relação à bolsa piorou ante a pesquisa anterior, em abril, e que a renda fixa segue como a classe de ativos preferida dos clientes, seguida de ativos internacionais.

“Instabilidade política e eleições são as principais preocupações, seguidas pelos riscos fiscais no Brasil e pelos riscos geopolíticos”, revelou a pesquisa.

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