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Mercado Reduz Aposta em Cortes de Juros e Projeta Selic em 13,25%

Boletim Focus elevou a projeção da Selic para o fim de 2026, mas manteve a expectativa de corte de 0,25 ponto em junho. Mercado vê BC mais cauteloso diante da inflação e do cenário externo

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O mercado financeiro começou a recalibrar suas apostas para os juros no Brasil. Depois de semanas sustentando a expectativa de um ciclo mais intenso de afrouxamento monetário, analistas consultados pelo Banco Central passaram a enxergar uma trajetória mais conservadora para a Selic diante da inflação ainda resistente e do aumento das incertezas externas.

O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (18) mostrou que a projeção para a taxa básica de juros ao fim de 2026 subiu de 13% para 13,25%, na primeira revisão altista em quase um mês. A mudança, embora discreta, sinaliza uma percepção crescente de que o Banco Central terá menos espaço para reduzir juros ao longo do próximo ano.

O mercado, contudo, ainda trabalha com a expectativa de um novo corte de 0,25 ponto percentual na reunião de junho. Nesse cenário, a Selic passaria dos atuais 14,50% para 14,25%. Para 2027, as projeções seguem apontando juros de 11,25%.

A revisão ocorre em um ambiente mais desconfortável para a política monetária. Nas últimas semanas, a inflação voltou a ser pressionada por alimentos e combustíveis, em meio à escalada das tensões no Oriente Médio e à alta do petróleo. Embora o IPCA tenha desacelerado em abril na margem, a inflação acumulada em 12 meses avançou para 4,39%, permanecendo acima do centro da meta oficial de 3%.

O movimento ajuda a explicar por que o mercado passou a enxergar um Banco Central mais cauteloso. Na última reunião do Copom, a autoridade monetária já havia indicado que adotaria uma postura mais dependente dos dados, evitando sinalizações firmes sobre os próximos passos dos juros em razão do ambiente internacional mais instável.

O Focus captou essa mudança de humor. A expectativa para a inflação de 2026 foi elevada marginalmente, de 4,91% para 4,92%, enquanto a projeção para 2027 permaneceu em 4%. Ainda que as alterações tenham sido pequenas, elas reforçam a percepção de que a convergência da inflação para a meta continua lenta e sujeita a choques.

O mercado manteve em 1,85% a previsão de expansão do PIB em 2026 e elevou ligeiramente a projeção para 2027, de 1,76% para 1,77%. O câmbio, por sua vez, permaneceu relativamente estável nas projeções. A expectativa para o dólar no fim de 2026 continuou em R$ 5,20, enquanto a estimativa para 2027 recuou levemente, de R$ 5,30 para R$ 5,27.

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