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O Erro Que Faz Muita Gente Continuar Infeliz Mesmo Ganhando Mais Dinheiro, Segundo Harvard 

Para Michael Norton, os maiores retornos emocionais vêm de experiências e de gastar com outras pessoas

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“Dinheiro não compra felicidade”. Esse é um dos ditados mais antigos e repetidos do mundo, presente na maioria das religiões e nos discursos de autoajuda. No entanto, segundo o professor Michael Norton, da Harvard Business School, essa premissa pode não ser totalmente verdadeira.

O pesquisador defende que se o dinheiro não está trazendo mais satisfação, o problema pode estar na forma como ele é utilizado e não na quantidade acumulada. “Em vez de concentrar os gastos no acúmulo de bens materiais, a ciência comportamental mostra que os maiores retornos emocionais costumam vir de investir em experiências e gastar com outras pessoas”, afirmou, em evento do Sicredi, na  quarta-feira (20).

Segundo Norton, ao imaginar o que faria com uma grande quantia de dinheiro, a maioria das pessoas tende a pensar primeiro em si mesma e, muitas vezes, em formas de se isolar. Como exemplo, ele cita uma reportagem da CNN que mostra que ganhadores de loteria frequentemente acabam menos felizes após receber o prêmio.

“Na vida real, um ganho repentino de US$ 5 milhões frequentemente afasta as pessoas das comunidades às quais eram ligadas e pode até provocar divórcios, à medida que alguns passam a enxergar a possibilidade de um ‘upgrade’ no parceiro”, diz Norton.

O pesquisador explica que os dados mostram que a compra de bens materiais – como uma casa nova ou um carro de luxo – não é, por si só, um indicador de felicidade. O encantamento costuma desaparecer rapidamente, já que o telhado da casa nova pode começar a vazar na semana seguinte, e o carro luxuoso continuará preso no mesmo trânsito de sempre.

O poder das experiências

Se os bens materiais não resolvem a equação da felicidade, as experiências assumem o protagonismo. “A grande vantagem de gastar com viagens ou eventos é que essas vivências nos trazem recompensas emocionais antes, durante e depois de acontecerem”, diz o professor.

Segundo ele, o dia mais feliz para a maioria das pessoas costuma ser a véspera das férias, justamente pela expectativa da viagem. O efeito, afirma, também é diferente do provocado por bens materiais, como uma televisão na parede, que perde valor com o tempo ou passa a parecer menos interessante quando o vizinho compra um modelo maior. Já as experiências tendem a se tornar mais valiosas na memória à medida que o tempo passa. “Estudos com casais mostram que, embora a lua de mel possa ter imprevistos estressantes, como voos atrasados, anos depois a viagem é lembrada de forma irreal, como o momento mais romântico e perfeito de suas vidas”, afirma o especialista de Harvard.

Essas descobertas psicológicas quando aplicadas no cotidiano podem transformar a saúde financeira da população. Uma pesquisa em parceria com a ferramenta de gestão Hello Wallet indicou que o incentivo à poupança para experiências, como viagens e shows, resulta em mais contas abertas do que estímulos voltados para aquisição de bens materiais. Além disso, as pessoas que poupam para experiências conseguem resistir mais à tentação de gastar o dinheiro guardado precocemente.

A ciência de gastar com o outro

A segunda chave para a felicidade financeira, de acordo com o professor Michael Norton, é usar o dinheiro com o próximo. Em um experimento relatado por ele, pessoas receberam envelopes com dinheiro pela manhã: metade foi instruída a gastar consigo mesma até as 17h, e a outra metade deveria gastar com outras pessoas ou fazer caridade.

Aqueles que compraram itens para si, como um café no Starbucks, terminaram o dia com o mesmo nível de felicidade de quando começaram. Por outro lado, as pessoas que usaram o dinheiro para presentear alguém, ajudar um morador em situação de rua ou comprar um brinquedo para um parente relataram níveis maiores de bem-estar ao final do dia.

A sensação de satisfação gerada pela doação também pode — e, segundo pesquisadores, deveria — ser incorporada à cultura das empresas. Em muitos casos, a filantropia corporativa fica concentrada nas mãos de CEOs e executivos, limitando o impacto emocional positivo da iniciativa a poucas pessoas.

Em estudos realizados com instituições como o National Australia Bank e a varejista Crate & Barrel, pesquisadores trocaram doações tradicionais feitas pelas empresas por vouchers de caridade distribuídos a funcionários e clientes.

O resultado chamou atenção. Os funcionários relataram maior satisfação no trabalho e os consumidores com créditos para doar passaram a gastar mais nas lojas e demonstraram maior fidelidade às marcas, na comparação com clientes que receberam cupons de desconto convencionais.

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