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2 Hábitos Que Aumentam Significativamente Sua Felicidade

A ciência mostra que a felicidade pode ser mais simples do que imaginamos: dois hábitos estão consistentemente relacionados a níveis mais elevados de bem-estar em diferentes culturas

8 min

A busca pela felicidade é uma jornada de vida que transcende fronteiras, culturas e idiomas. Para muitas pessoas, é a única coisa que esperamos alcançar com nossas vidas, acima de qualquer outra. Passamos anos procurando o hábito, a mentalidade ou a conquista certa que finalmente nos trará uma felicidade duradoura.

Ao mesmo tempo, porém, a felicidade pode parecer incrivelmente difícil de alcançar. Ela é retratada de inúmeras maneiras e associada a incontáveis fatores. Dinheiro, família, carreira, amor, sucesso, somos apresentados a tantos caminhos diferentes para encontrar a felicidade. Mas, depois de anos perseguindo esses objetivos, muitas pessoas descobrem que não estão tão felizes quanto imaginavam que estariam.

Parte da razão é que aquilo que constitui felicidade em uma parte do mundo não necessariamente se traduz para outra. O individualismo ocidental em contraste com culturas mais coletivistas, combinado com as inúmeras diferenças que tornam cada pessoa única, faz com que seja extraordinariamente difícil prescrever um único caminho universal para a felicidade.

No entanto, ao longo de décadas de pesquisa e estudos psicológicos transculturais, os cientistas fizeram avanços notáveis na identificação de fatores que predizem a felicidade e que parecem transcender fronteiras culturais. A seguir, estão dois deles e como, independentemente de quem você seja, incorporá-los à sua rotina diária pode torná-lo exponencialmente mais feliz.

Hábito 1: Seja gentil

A gentileza é uma das virtudes mais universalmente reconhecidas, mas também é um dos indicadores mais confiáveis de felicidade. Embora muitas pessoas pensem na gentileza como algo que beneficia apenas quem a recebe, pesquisas em psicologia sugerem que quem pratica o ato de bondade também recebe um impulso emocional significativo.

Em um estudo de 2018 publicado no The Journal of Social Psychology, pesquisadores investigaram se uma intervenção de sete dias baseada em atividades de gentileza aumentaria a felicidade subjetiva dos indivíduos, avaliando se diferentes tipos de atos gentis teriam efeitos distintos sobre a felicidade.

No estudo, 683 participantes de 29 países diferentes foram convidados a realizar e observar atos de gentileza dirigidos a pessoas com quem tinham laços fortes ou fracos, além de praticar novos atos de autogentileza. No geral, os autores descobriram que realizar atividades de gentileza durante sete dias aumentou consistentemente os níveis de felicidade. Além disso, observaram uma correlação positiva entre o número de atos gentis praticados e o aumento da felicidade.

Talvez o aspecto mais interessante tenha sido o fato de que os efeitos não variaram entre os diferentes grupos experimentais. Em outras palavras, não importava se os atos de gentileza eram direcionados a amigos próximos, conhecidos, a si mesmo ou apenas observados: a gentileza, em todas as suas formas, teve efeitos igualmente positivos sobre a felicidade.

Pequenos atos de gentileza não precisam ser grandes ou caros. Na verdade, alguns dos mais significativos costumam ser os mais simples. Considere experimentar algumas destas atitudes:

  • Envie uma mensagem carinhosa para alguém com quem você não fala há algum tempo;
  • Faça um elogio sincero a um colega, amigo ou desconhecido;
  • Segure a porta para alguém ou ajude a carregar algo pesado;
  • Entre em contato com um ente querido que possa estar passando por uma semana difícil;
  • Deixe uma avaliação positiva para um pequeno negócio que você aprecia;
  • Doe livros, roupas ou utensílios domésticos que não utiliza mais;
  • Deixe alguém entrar na sua frente no trânsito ou ceda seu lugar na fila;
  • Pratique um ato de autogentileza, como reservar um tempo para descansar sem culpa.

Por que esses pequenos gestos nos fazem sentir tão bem? Uma explicação é que os seres humanos são profundamente sociais.

Ser gentil oferece diversos benefícios ao mesmo tempo: fortalece nossos vínculos sociais, faz com que nos sintamos mais conectados aos outros e, mais importante, nos lembra de que somos capazes de causar um impacto positivo nas pessoas ao nosso redor. Isso desloca nossa atenção das próprias preocupações para algo muito maior do que nós mesmos.

Mas talvez o maior efeito da gentileza seja sua capacidade de se propagar. Quando ajudamos os outros, geralmente recebemos gratidão, acolhimento ou reconhecimento em troca. Isso melhora nosso humor e o das outras pessoas, reforçando esse comportamento. Em alguns casos, até inspira outros a fazer o mesmo. Um pequeno gesto de bondade pode gerar um verdadeiro efeito borboleta de positividade, alcançando muito mais pessoas do que você imagina.

Quando integrada à rotina, a gentileza diária pode gerar um maior senso de propósito, conexão e satisfação com a vida. Essas descobertas trazem uma mensagem esperançosa: a felicidade não é algo pelo qual você precisa esperar. Neste exato momento, você pode escolher criar felicidade ativamente por meio da forma como trata a si mesmo e aos outros.

Hábito 2: Mexa o corpo

Se a gentileza demonstra o poder da nossa natureza social, a atividade física reflete a força escondida em nossa própria biologia. Entre muitas outras coisas, o corpo humano evoluiu para se movimentar. E há uma vasta quantidade de estudos mostrando que nosso bem-estar psicológico está intimamente ligado ao movimento.

Segundo uma revisão sistemática de 2018 publicada no Journal of Happiness Studies, a atividade física está consistentemente associada à felicidade em diferentes países e regiões. Entre mais de 1.100 estudos identificados, os pesquisadores analisaram 15 estudos observacionais (13 transversais e dois longitudinais) e oito estudos de intervenção (seis ensaios clínicos randomizados e dois não randomizados).

No geral, os autores concluíram que bastam apenas 10 minutos de atividade física por semana — ou um único dia de exercício por semana — para que haja aumento nos níveis de felicidade. Dois dos ensaios clínicos incluíram idosos e até sobreviventes de câncer, constatando que tanto exercícios aeróbicos quanto atividades de alongamento e equilíbrio foram eficazes para melhorar a felicidade.

De modo geral, as evidências mostraram uma relação positiva consistente entre atividade física e felicidade.

A boa notícia é que aproveitar os benefícios da atividade física não exige academia cara, equipamentos especializados ou habilidades atléticas extraordinárias. Algumas formas acessíveis de começar incluem:

  • Fazer uma caminhada rápida pelo bairro;
  • Seguir vídeos gratuitos de yoga ou alongamento na internet;
  • Dançar ao som das suas músicas favoritas na sala de casa;
  • Usar as escadas em vez do elevador sempre que possível;
  • Andar de bicicleta com amigos ou familiares;
  • Fazer um treino curto com o peso do próprio corpo em casa;
  • Cuidar do jardim, limpar a casa ou realizar tarefas domésticas que exijam movimento;
  • Caminhar enquanto fala ao telefone, em vez de permanecer sentado.

A relação entre movimento e felicidade é impulsionada por diversos fatores ao mesmo tempo. A atividade física estimula a liberação de neurotransmissores e endorfinas associados à melhora do humor, reduzindo o estresse e promovendo bem-estar emocional. O exercício também pode melhorar a qualidade do sono e aumentar os níveis de energia, ao mesmo tempo em que proporciona uma sensação de realização e recompensa.

Igualmente importante, o movimento nos ajuda a nos reconectar com o próprio corpo. Muitos de nós passamos horas sentados, rolando telas ou trabalhando diante de computadores, o que transforma a atividade física em uma oportunidade valiosa para estarmos mais presentes e conectados à experiência imediata. Seja uma caminhada na natureza, alguns minutos de alongamento ou a prática competitiva de um esporte, o movimento oferece uma renovação mental bem-vinda.

A descoberta mais encorajadora dessas pesquisas é que o limite necessário para colher benefícios parece surpreendentemente baixo. Você não precisa se tornar maratonista nem passar horas se exercitando toda semana. Pequenas doses consistentes de movimento já são suficientes para produzir uma diferença mensurável na felicidade. E, assim como a gentileza, a atividade física funciona melhor quando se torna parte regular da vida cotidiana, em vez de um esforço ocasional.

A felicidade continua sendo uma experiência profundamente complexa e pessoal. Não existe um único hábito capaz de garantir uma vida feliz em todas as circunstâncias. Ainda assim, em diferentes culturas, contextos e fases da vida, esses dois comportamentos surgem repetidamente como indicadores confiáveis de maior bem-estar. São simples, acessíveis e estão ao alcance da maioria das pessoas. E, segundo décadas de pesquisas em psicologia, abrir espaço para ambos na sua rotina diária pode ser o investimento mais eficaz que você pode fazer na sua própria felicidade.

*Mark Travers é colaborador da Forbes USA. Ele é um psicólogo americano formado pela Cornell University e pela University of Colorado em Boulder.

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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