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Prévia do PIB Recua 0,7% em Março e Registra Primeira Retração em Seis Meses

IBC-Br registra queda acima do esperado pelo mercado, pressionada pelo setor de serviços e por retrações disseminadas entre os principais setores da economia

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A economia brasileira perdeu força de maneira abrupta em março. O IBC-Br, índice calculado pelo Banco Central e tratado pelo mercado como uma espécie de termômetro antecipado do PIB, recuou 0,7% em relação a fevereiro, na série com ajuste sazonal. A queda foi mais intensa do que a esperada por analistas, que projetavam retração de apenas 0,2%.

O recuo interrompeu uma sequência de seis resultados positivos seguidos e atingiu praticamente todos os grandes setores da economia.

O principal peso veio dos serviços, setor que responde por cerca de 70% do PIB brasileiro e que caiu 0,8% no mês. A retração é particularmente relevante porque os serviços haviam sustentado boa parte da resiliência econômica observada nos últimos trimestres, mesmo diante de juros elevados e crédito mais caro. Quando o setor desacelera, o sinal costuma ser mais estrutural do que episódico.

A indústria também perdeu tração, com queda de 0,2%, enquanto a agropecuária recuou no mesmo ritmo. Excluindo o setor agrícola, tradicionalmente mais volátil, o IBC-Br caiu 0,9% em março, um indício de que a fraqueza foi disseminada pela economia.

O número reforça a percepção de que os efeitos da política monetária começam a aparecer de forma mais evidente sobre a demanda doméstica. O consumo das famílias já mostra sinais de desgaste após um longo período pressionado por crédito restrito, endividamento elevado e desaceleração gradual do mercado de trabalho. Empresas também enfrentam condições financeiras mais apertadas, o que limita investimentos e reduz o ritmo de contratação.

Mesmo com a retração mensal, o IBC-Br acumulou alta de 1,3% no primeiro trimestre em relação aos três meses anteriores, impulsionado principalmente pelo avanço de 1,3% da indústria, enquanto agropecuária e serviços também registraram crescimento pouco superior a 1% no período. O contraste entre um trimestre ainda robusto e um março mais fraco sugere uma economia que começou o ano em ritmo forte, mas perdeu tração ao longo do caminho.

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