A poucos dias do fim do prazo do Imposto de Renda 2026, milhões de brasileiros ainda não enviaram a declaração à Receita Federal. E, nesta reta final, a pressa costuma aumentar o número de erros e esquecimentos justamente nos pontos mais monitorados pelo Fisco, dizem os especialistas.
O prazo de entrega termina na próxima sexta-feira, 29. Quem perder a data está sujeito à multa mínima de R$ 165,74, que pode chegar a 20% do imposto devido.
Segundo Caio Bartine, advogado tributarista e sócio fundador da Caio Bartine Advocacia, deixar a declaração para os últimos dias reduz o tempo de conferência e aumenta o risco de inconsistências.
“Na pressa, o contribuinte tende a esquecer informes de rendimento, despesas médicas, contas em corretoras, rendimentos de aluguel ou dados de dependentes”, afirma.
Nos últimos anos, a Receita Federal ampliou o cruzamento automatizado de dados com bancos, empresas, cartórios, corretoras e planos de saúde. Por isso, especialistas recomendam uma revisão cuidadosa antes do envio para fugir da malha fina. Veja os principais pontos que merecem atenção nesta reta final:
Investimentos também precisam entrar na declaração
Um dos erros mais comuns é acreditar que apenas aplicações tributadas precisam ser informadas.
Segundo Karine Alves, CEO da KLM Contabilidade, investimentos isentos também devem aparecer na declaração porque ajudam a justificar a evolução patrimonial do contribuinte.
Na lista entram aplicações como poupança, LCI, LCA, CDBs, Tesouro Direto, fundos, ações, previdência privada e criptomoedas.
Ela alerta ainda para os ativos mantidos no exterior, que passaram a exigir mais atenção após mudanças recentes na tributação.
Despesas médicas exigem organização
Gastos com saúde continuam entre os itens que mais demandam atenção na hora de declarar.
O ideal, segundo especialistas, é separar recibos, notas fiscais e comprovantes antes de preencher os dados. Informações divergentes ou despesas sem comprovação podem gerar questionamentos da Receita.
Venda de imóveis e operações em bolsa precisam ser declaradas
Quem vendeu imóveis, veículos ou outros bens com lucro em 2025 deve informar corretamente a operação na declaração.
O mesmo vale para investidores que movimentaram mais de R$ 40 mil na bolsa ou tiveram ganhos tributáveis com ações, ETFs e fundos imobiliários.
Pré-preenchida ajuda, mas não elimina revisão
A declaração pré-preenchida virou aliada de muitos contribuintes, mas especialistas reforçam que ela não substitui a conferência manual das informações.
“Informações incompletas, divergentes ou omitidas continuam sendo responsabilidade do contribuinte”, afirma Karine Alves.
Errou depois de enviar? Ainda dá para corrigir
Mesmo após o envio, o contribuinte pode corrigir informações por meio da declaração retificadora. Segundo Bartine, o ideal é fazer a correção assim que identificar o erro. A única limitação é que, após o fim do prazo, não é mais possível alterar o modelo de tributação escolhido entre desconto simplificado e deduções legais.
Quem não declarou no ano passado precisa regularizar antes
Especialistas também alertam para quem estava obrigado a declarar em 2025 e não enviou a documentação.
Nesse caso, será necessário regularizar primeiro a declaração atrasada e, só depois, entregar a deste ano. Não é possível fazer os dois exercícios em um único envio.
“Se a pessoa comprou um imóvel neste ano, mas não declarou rendimentos ou aplicações do ano anterior, a Receita pode questionar a origem dos recursos”, afirma Bartine.
Para os especialistas, o principal conselho nesta reta final reunir documentos, revisar os dados com calma e evitar deixar o envio para os últimos minutos.