A economia de serviços brasileira voltou a ganhar tração em abril. O setor registrou expansão mais forte da atividade, sustentada pela retomada dos novos negócios. O PMI de serviços da S&P Global avançou de 50,1 em março para 52,3 em abril, superando ligeiramente a média histórica da série, de 50,3. Acima da linha dos 50 pontos, o índice indica expansão da atividade.
Embora o crescimento ainda seja moderado, o dado sugere uma recuperação após a perda de fôlego observada no fim do primeiro trimestre. O principal motor da melhora veio da retomada das vendas. Depois da contração registrada em março, as empresas relataram aumento dos novos pedidos no início do segundo trimestre. O movimento foi relativamente disseminado: três dos quatro grandes segmentos monitorados pela pesquisa (Serviços ao Consumidor; Transportes, Informação e Comunicação; Finanças e Seguros) registraram avanço nas vendas, com destaque para os Serviços ao Consumidor. Apenas o setor de imóveis e serviços comerciais ficou para trás.
A confiança para os próximos 12 meses atingiu o maior nível em 11 meses, sustentada por expectativas de melhora gradual da demanda, estabilização do ambiente econômico e maior previsibilidade política após as eleições presidenciais. O otimismo também começou a aparecer no mercado de trabalho. Pelo terceiro mês consecutivo, empresas de serviços ampliaram seus quadros de funcionários. A geração de vagas segue modesta, mas disseminada entre os subsetores, novamente com exceção de imóveis e serviços comerciais.
PRESSÃO INFLACIONÁRIA
O dado de abril reforça a percepção de que o consumo de serviços segue relativamente resiliente, mesmo em um ambiente de crédito caro, com a Selic em 14,5%, e renda pressionada. Mas essa resistência da demanda também ajuda a explicar por que a inflação do setor continua elevada.
As empresas voltaram a reajustar preços em abril, e o fizeram no ritmo mais intenso em mais de um ano. Segundo a S&P Global, a aceleração refletiu sobretudo o repasse dos custos mais altos aos clientes. Os custos de insumos, por sua vez, subiram na segunda maior intensidade em quase quatro anos, perdendo apenas para fevereiro de 2025. “Embora as pressões inflacionárias não tenham suprimido a
demanda por serviços brasileiros em abril, elas representam riscos para a renda familiar e para a política monetária”, diz Pollyanna De Lima, diretora associada de economia da S&P
Global Market Intelligence.
Por trás da escalada estão fatores externos. Empresas consultadas pela pesquisa relataram que a guerra no Oriente Médio elevou os preços internacionais de combustíveis e pressionou cadeias de fornecimento. Combustível, energia, transporte e materiais diversos apareceram entre os itens de maior impacto sobre as despesas operacionais.
O setor de Serviços ao Consumidor liderou a inflação de custos, enquanto Transportes, Informação e Comunicação registraram os aumentos mais agressivos nos preços cobrados. O movimento adiciona complexidade ao cenário inflacionário brasileiro justamente porque serviços são tradicionalmente mais sensíveis ao mercado de trabalho e tendem a apresentar desinflação mais lenta.
No consolidado da economia, o PMI composto, que agrega os dados dos setores industrial e de serviços, subiu de 49,9 para 52,4 em abril, retornando ao território de expansão e registrando o crescimento mais forte em mais de um ano. A indústria voltou a crescer e se juntou ao setor de serviços na recuperação da atividade privada. A inflação de custos no setor privado alcançou o nível mais alto desde meados de 2022, enquanto os preços cobrados avançaram na maior intensidade em quase quatro anos.