A Copa do Mundo de 2026 está tirando a poeira do torcedor brasileiro. As ruas estão enfeitadas novamente, a seleção brasileira é um dos tópicos mais quentes nas redes sociais e aparecem cada vez mais acessórios, camisetas e até comidas temáticas, de preferência em verde e amarelo.
Essa sensação desperta em pequenos e médios empreendedores a vontade e a urgência de abrir o seu negócio. Muitos enxergam no e-commerce a possibilidade acessível e rápida para fazer uma renda extra durante as próximas semanas.
De acordo com uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com o SPC Brasil, 99,2 milhões de brasileiros estão interessados em comprar produtos ou serviços relacionados à Copa do Mundo. A mesma pesquisa mostra que essa é a principal janela de consumo de 2026.
Para aproveitar a ocasião, Hugo Vasconcelos, sócio fundador da Pronix, afirma que seguir o timing é o ideal. “O comportamento do consumidor dita a tendência e aumenta o consumo. Então apostar nesses itens é melhor que o vendedor pode fazer”. Usar palavras chaves para ranquear o produto também é uma ótima estratégia, de acordo com o especialista.
Para o empreendedor Mareval Nascimento, que estreou o seu e-commerce em menos de um mês, a Copa foi o principal motor que impulsionou a família rumo a renda extra. “Nós compramos uma impressora 3D e nossos produtos são chaveiros temáticos e réplicas da taça em diferentes tamanhos”, disse à Forbes.
Outro segmento promissor é o de camisetas personalizadas para os jogos do Brasil. Danny Junqueira mantém emprego fixo numa agência de viagens e promoção de eventos, mas também empreende há seis anos, entre idas e vindas. Para esta Copa, decidiu apostar nas vendas de artigos temáticos de vestuário. “Eu notei que a procura para esse ano seria pautada nas camisetas de time, então migrei”.
Levantamento “Meli Trends” divulgado pelo Mercado Livre nesta quinta-feira (11) confirma a percepção do empreendedor. Buscas por streetwear com as cores do Brasil cresceram 640%. É o retrato de um torcedor mais jovem, atento à moda e à estética, de acordo com a pesquisa.
Outro fator que sustenta o avanço das vendas online é a evolução da logística. Segundo Vasconcelos, a possibilidade de receber produtos em um ou dois dias reduz a dependência do varejo físico e favorece compras de última hora. “O consumidor encontra mais variedade, compara preços rapidamente e recebe o produto a tempo do evento”, diz.
As tendências de consumo no e-commerce
Dados de duas das maiores plataformas de marketplace do país confirmam a Copa do Mundo de 2026 como oportunidade relevante para o varejo eletrônico.
Na Shopee, entre abril e maio, as buscas por itens relacionados ao álbum oficial da Copa dispararam. O interesse por álbuns cresceu mais de 800%, enquanto as pesquisas por figurinhas aumentaram mais de 20 vezes no período. Os pacotes de figurinhas registraram alta superior a 18 vezes, e os porta-figurinhas avançaram mais de 900%.
Segundo Felipe Piringer, diretor de marketing da Shopee, a competição mobiliza consumidores em todo o país e cria oportunidades para vendedores de diferentes portes. “A Copa gera demanda por produtos que ajudam a compor a experiência de celebrar o evento, seja em casa, com amigos ou em família. Esse movimento também fortalece pequenos e médios vendedores, que conseguem aproveitar datas de grande interesse nacional para oferecer produtos conectados aos interesses dos consumidores”, afirma.
O levantamento da Shopee mostra ainda que os itens colecionáveis lideram as intenções de compra. Nos últimos três meses, álbuns e figurinhas representaram, em média, 58% das buscas relacionadas ao evento. Produtos de vestuário e decoração temática responderam por outros 20%, evidenciando o interesse dos consumidores em personalizar a experiência de torcida.
No Mercado Livre, os dados indicam uma mudança no perfil do torcedor brasileiro em relação ao último Mundial. As buscas por cerveja sem álcool cresceram 985% na comparação com o período pré-Copa de 2022, enquanto a procura por tintas para decorar ruas e fachadas subiu 642%, refletindo a retomada das tradições de torcida fora de casa.
A convocação oficial da seleção brasileira funcionou como um gatilho adicional para o consumo. A camisa oficial registrou aumento de 500% nas buscas em relação ao ciclo anterior.
Os números também mostram que a experiência de assistir aos jogos em casa continua ganhando relevância. Smart TVs acumularam 2,2 milhões de buscas na plataforma, enquanto air fryers chegaram a 2,5 milhões. Projetores somaram 739 mil pesquisas e sistemas de som ultrapassaram 600 mil consultas.
Para os especialistas, o conjunto desses indicadores sugere que a Copa movimenta muito mais do que os produtos tradicionalmente associados ao futebol. O evento cria uma cadeia de consumo que vai de itens colecionáveis e vestuário até eletrônicos, decoração e alimentação, ampliando as oportunidades para pequenos e médios empreendedores que conseguem identificar tendências e reagir rapidamente à demanda.
“A Copa não é apenas um acelerador de produtos esportivos. O consumo aumenta como um todo, impulsionando categorias como TVs, projetores, caixas de som, churrasqueiras e itens para receber amigos em casa”, afirma Vasconcelos.