Além dos craques Messi, Haaland e Mbappé, um avião está brilhando na Copa do Mundo de 2026. Veterano e confiável, o Boeing 757 é peça fundamental para o sucesso da logística complicada da Copa do Mundo em três países da América do Norte.
Responsável por mais de 60% da aviação privada global, os Estados Unidos têm uma particularidade neste mercado: o uso de grandes jatos comerciais adaptados para viagens de equipes esportivas. É neste nicho que o Boeing 757, colocado em uso comercial em 1983 e cujo último modelo saiu de fábrica em 2004, ainda brilha. O avião é grande (54,47 metros), com enorme envergadura (38,05 metros), confiável e versátil. Capaz de transportar até 295 pessoas em versão comercial, o 757 VIP oferece sala de reunião, espaço para recuperação de atletas e conforto para 72 passageiros em assentos executivos. Capacidade é ideal para as equipes que participam da Copa do Mundo, cujas delegações são de 65 a 67 pessoas.
Outro segredo do sucesso da aeronave é o preço. Um 757 de segunda mão em bom estado custa cerca de US$ 18 milhões. Uma pechincha para um avião com excelente performance, capaz de cumprir rotas transoceânicas e transcontinentais sem escalas e pousar em grandes aeroportos, o que compensa o fato de estar datado tecnologicamente.
Há cerca de 15 Boeing 757 em configuração VIP operando nos Estados Unidos. Boa parte dele está sendo utilizada no transporte de seleções. A Delta Airlines mantém uma pequena frota de 757 VIPs em uso durante a Copa. Empresas de aviação privada como Elevate Jet e ACC Aviation também operam a aeronave durante o Mundial. A Seleção Brasileira voou no 757 em alguns deslocamentos. As autoridades aeronáuticas dos Estados Unidos decidiram que as seleções participantes não poderiam usar seus aviões fretados no espaço aéreo norte-americano e as empresas do país assumiram o transporte. Os 757 VIP também têm sido utilizados em viagens de grandes grupos de torcedores corporativos e patrocinadores.
Um ativo fundamental no mercado de aviação privada de grandes aeronaves é a rapidez de embarque e desembarque. Há milhares de hubs de aviação privada nos Estados Unidos. Uma das maiores empresas desse nicho, a Signature Aviation, opera mais de dois mil pontos de embarque e desembarque no país. Enquanto o embarque num voo comercial pode demorar três horas, um hub de aviação privada desenrola o processo em minutos. Argentina, França e Alemanha estão entre as seleções que foram atendidas nesse sistema, num total de mais de 130 voos fretados.
Assim como o tempo chega para grandes craques como Cristiano Ronaldo, Messi e Neymar, que em 2026 devem ter disputado sua última Copa do Mundo, o 757 faz seus últimos voos de glória nesse Mundial. Ele tem sido gradativamente substituído por outros aviões veteranos como o 767 (cujo projeto foi desenvolvido simultaneamente, mas é maior, com dois corredores e mais conforto) e por aeronaves modernas com grande autonomia de voo e economia, como o Airbus A321.