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O Efeito da Copa no Bolso: Quanto o Brasileiro Pretende Gastar

A folia pode levar a decisões financeiras impulsivas e comprometer o orçamento

3 min

A Copa do Mundo de 2026 promete movimentar não apenas os estádios, mas também o bolso dos brasileiros. Em períodos de grandes eventos esportivos, é comum que os gastos aumentem com festas, reuniões entre amigos, decoração temática, comidas e bebidas. O problema é que a empolgação pode levar a decisões financeiras impulsivas e comprometer o orçamento.

Segundo pesquisa realizada neste mês pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas, em torno de 60% dos consumidores pretendem gastar com o evento.

A pesquisa revela que, para a Copa, o gasto médio estimado é de R$ 619 por consumidor, chegando a R$ 784 entre as classes A e B.

O movimento acontece mesmo em um cenário marcado pelo avanço da inadimplência. De acordo com o Seresa, há 83,3 milhões de negativados em abril. O mês se tornou o com maior número de inadimplentes em toda a série histórica, após 16 meses consecutivos de alta.

Os brasileiros com idades entre 41 e 60 anos representam a maior fatia da população com nome restrito, com 35,6%. Na sequência estão as faixas etárias de 26 a 40 anos (33,4%), acima de 60 anos (19,8%) e os jovens entre 18 e 25 anos (11,2%).

Para Léo Rizzo, CEO da Soccer Hospitality, empresa que administra camarotes nos principais estádios do Brasil, na Copa do Mundo, o torcedor busca uma experiência de entretenimento, e o consumo faz parte desse contexto. “Além do impacto na receita, existe um valor enorme para as marcas patrocinadoras, que conseguem criar ativações, experiências e conexões emocionais com o público dentro dos estádios e fan zones. Hoje, a hospitalidade esportiva está cada vez mais ligada à experiência, e produtos premium, como cervejas e drinks”, explica Rizzo.

Quando a festa vira dívida

Historicamente, grandes eventos esportivos estimulam compras parceladas, decisões impulsivas e despesas não previstas no orçamento mensal.

“Grandes eventos como a Copa costumam provocar um sentimento coletivo de urgência no consumo. Muitas pessoas acabam associando participação à necessidade de gastar, seja com viagens, confraternizações e eletrônicos”, afirma Patrick Santos, doutor em economia e gerente de planejamento da Multimarcas Consórcios. Ele acrescenta que o principal problema é que, sem planejamento, esse impacto emocional pode comprometer a saúde financeira por muitos meses.

Entre os consumidores inadimplentes, o cuidado precisa ser ainda maior. Segundo Patrick, o ideal é que esse público evite assumir novos compromissos financeiros durante o período. “Quem já possui dívidas em atraso precisa encarar a Copa com ainda mais cautela. O foco deveria ser reorganizar o orçamento e renegociar pendências, e não ampliar despesas motivadas pelo momento emocional do evento”, explica.

Para o especialista, um dos principais erros nesse período é utilizar crédito como complemento de renda. “Muita gente entra na lógica de que pequenas parcelas cabem no bolso, mas esquece que esses compromissos se acumulam junto às despesas fixas dos meses seguintes. Quando a Copa termina, a dívida permanece e, em muitos casos, acompanhada de juros altos do cartão de crédito” , alerta.

As principais orientações dos especialistas são criar um orçamento específico para o período, evitar compras por impulso, comparar preços antes de adquirir eletrônicos ou pacotes de viagem e fugir de parcelamentos longos para despesas momentâneas.

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