O dólar fechou a quarta-feira (17) em alta ante o real, acompanhando o fortalecimento da moeda norte-americana ante as demais divisas no exterior, após o Federal Reserve não alterar sua taxa de juros, mas indicar que um aumento pode ocorrer ainda em 2026.
O dólar à vista fechou o dia com alta de 0,41%, aos R$5,1104. No acumulado do ano, a divisa passou a acumular queda de 6,90% ante o real.
Às 17h03, o dólar futuro para julho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — subia 0,36% na B3, aos R$5,1245.
Até a decisão do Fed, anunciada às 15h00, o dólar exibiu perdas ante o real e outras divisas da América Latina, como o peso chileno, o sol peruano e o peso mexicano.
O ambiente mudou após o Fed manter a taxa de referência na faixa de 3,50% a 3,75%, como era largamente esperado, mas indicar que espera por um aumento ainda este ano.
A perspectiva de juros mais altos nos EUA deu força aos rendimentos dos Treasuries e ao dólar ante todas as demais divisas, incluindo o real.
“Na primeira reunião sob a gestão de Kevin Warsh, o Fed não trouxe surpresas: manteve os juros inalterados, em um patamar que ainda pressiona a atividade econômica, mas reflete a cautela do novo presidente diante das incertezas geradas pelo conflito no Oriente Médio”, destacou Edson Mendes, sócio-fundador da Private Investimentos, em referência ao fato de esta decisão ser a primeira com Warsh como chair do Fed.
“No curto prazo, a decisão tende a reforçar o dólar frente às moedas emergentes e pode continuar reduzindo o fluxo de capitais para esses mercados”, acrescentou.
Após atingir a cotação mínima de R$5,0511 (-0,75%) às 14h59 — 1 minuto antes do anúncio do Fed — o dólar à vista marcou a máxima de R$5,1225 (+0,65%) às 16h38, já após a decisão e à coletiva de imprensa de Warsh.
No fim da manhã, o Banco Central vendeu 60.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 1º de julho. À tarde, o BC informou que o Brasil registrou fluxo cambial total positivo de US$4,130 bilhões em junho até dia 12.
Ibovespa
O Ibovespa fechou em queda perdendo fôlego após projeções de autoridades do banco central norte-americano apontarem uma alta na taxa de juros da maior economia do mundo ainda neste ano.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,7%, a 168.453,93 pontos, renovando mínima de fechamento desde janeiro. Durante a sessão, chegou a 167.915,71 pontos na mínima, após avançar a 171.878,23 pontos na máxima. O volume financeiro somou R$68,79 bilhões, em pregão também marcado pelo vencimento de opções sobre o Ibovespa e do contrato futuro do índice.
Investidores da bolsa paulista ainda aguardam o desfecho da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central no Brasil, após o fechamento do mercado, com a maioria das projeções apontando para um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 14,25% ao ano.
“O ponto mais importante será o comunicado. A expectativa é de que o BC corte, mas já prepare o terreno para uma pausa, diante da inflação resistente, atividade ainda forte e risco fiscal”, avalia o responsável pela área de renda variável da Criteria, Thiago Pedroso.
Destaques
• VALE ON recuou 2,04%, acelerando as perdas à tarde, após a decisão do Fed, em sessão também marcada pelo declínio dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado em Dalian caiu 2,61%. No setor, CSN ON tombou 6,48% e USIMINAS PNA caiu 5,63%, enquanto GERDAU PN cedeu 2,06%.
• ITAÚ UNIBANCO PN fechou em alta de 0,87%, distante da máxima da sessão, em dia misto no setor. Analistas do Bradesco BBI reiteraram recomendação “ouperform” para as ações do Itaú , bem como o preço-alvo de R$45, citando que em um ambiente ainda desafiador, o banco apresenta um balanço defensivo e um forte histórico de execução. O índice do setor financeiro perdeu 0,24%, com B3 ON também pesando com queda de 2,86%.
• PETROBRAS PN encerrou com acréscimo de 0,08% e PETROBRAS ON cedeu 0,58%, em dia de alta do petróleo no exterior.
• NATURA ON perdeu 8,74%, com a alta nas taxas dos contratos de DI após a sinalização do Fed minando o setor de consumo dada a sensibilidade dessas companhias aos juros. O índice de consumo da B3 caiu 1,92%.
• COSAN ON valorizou-se 6,12%, com o anúncio de que a Radar firmou acordo para a venda de 12% do seu portfólio total de propriedades agrícolas por R$1,85 bilhão — sendo aproximadamente R$ 586 milhões referentes à participação da Cosan. O BTG reiterou recomendação de compra para as ações em relatório no qual destacaram que ficou mais claro o caminho para destravar o “valor significativo” da complexa estrutura do conglomerado.
• WEG ON subiu 2,26%, um dia após aprovar a distribuição de juros sobre capital próprio (JCP) no valor total de R$438,146 milhões, com pagamento previsto para 10 de março de 2027 para titulares de ações escriturais em 19 de junho deste ano.
• JALLES MACHADO ON, que não faz parte do Ibovespa, caiu 9,66%, após a produtora de açúcar e etanol divulgar o resultado do quarto trimestre da safra 2025/26 e projeções para a safra 2026/2027.
Petróleo
Os preços do petróleo subiram quase 1% depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o novo acordo de cessar-fogo com o Irã não era definitivo e que a guerra com o Irã poderia ser retomada caso ele não ficasse satisfeito.
As preocupações com o excesso de oferta no próximo ano, entretanto, limitaram os ganhos.
Os contratos futuros do petróleo Brent fecharam com alta de 0,75%, a US$79,55 o barril, e os do West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos subiram 0,97%, para US$76,79.
Trump afirmou nesta quarta-feira que um memorando de entendimento com o Irã ainda não estava finalizado e que ele poderia retomar uma campanha de bombardeios caso não gostasse do acordo ou se o Irã não “se comportasse”. Os EUA e o Irã anunciaram no domingo que haviam chegado a um acordo sobre os termos para encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz.
“Ainda há um pouco de incerteza em relação à situação dos EUA… (isso) faz sentido para que o petróleo se recupere desses níveis após ter registrado uma queda bastante acentuada nos últimos dias”, disse Fawad Razaqzada, analista de mercado da City Index e da FOREX.com.
Novos ataques aéreos e disparos de artilharia israelenses ocorreram em várias cidades do sul do Líbano nesta quarta-feira. Fontes de segurança libanesas afirmaram que o Hezbollah também lançou dois ataques com drones contra forças israelenses no sul.
O memorando pede a suspensão das hostilidades entre Israel e o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, no Líbano.
Do lado da oferta, os estoques de petróleo dos EUA caíram pela décima semana consecutiva na semana passada, à medida que a demanda aumentou, levando os estoques totais ao seu nível mais baixo desde 1985, enquanto a guerra no Irã continuava a abalar os mercados globais de energia, informou a Administração de Informação Energética dos EUA nesta quarta-feira. [EIA/S]
“Os EUA e o resto do mundo continuam a reduzir as reservas estratégicas, bem como os estoques comerciais, na tentativa de mitigar as perturbações no Oriente Médio”, disse Andy Lipow, presidente da Lipow Oil Associates.
No entanto, um excesso de oferta se aproxima no horizonte. Em sua primeira projeção para 2027, a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) afirmou que o mercado de petróleo entrará em um período de excesso significativo de oferta, com a oferta global prevista para aumentar em 8 milhões de barris por dia e a demanda crescendo em apenas 2 milhões.
No curto prazo, a agência afirmou que o acordo entre o Irã e os EUA deve oferecer uma oportunidade para reabastecer os estoques esgotados ou construir novas reservas estratégicas.