O dólar fechou a terça-feira (16) em alta ante o real, ainda que no exterior a moeda norte-americana tenha cedido ante outras divisas de países emergentes, com investidores à espera das decisões sobre juros no Brasil e nos EUA e repercutindo nova pesquisa eleitoral CNT/MDA.
O dólar à vista fechou o dia com alta de 0,45%, aos R$5,0894. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 7,28% ante o real.
Às 17h03, o dólar futuro para julho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — subia 0,56% na B3, aos R$5,1040.
O acordo preliminar assinado por Estados Unidos e Irã na segunda-feira seguiu permeando os negócios nesta terça-feira, mas não foi suficiente para segurar o dólar no território negativo no Brasil.
“A tendência de alta (para o dólar) está sendo percebida desde ontem por aqui. O mercado está confiante nos anúncios de paz, mas está com o pé atrás. Este deve ter sido o décimo anúncio do (presidente dos EUA, Donald) Trump a respeito de um acordo”, ponderou Nicolas Gomes, especialista de câmbio da Manchester Investimentos.
O viés de alta para a moeda norte-americana foi reforçado no fim da manhã, após divulgação de pesquisa mostrando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu vantagem de 12,5 pontos sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma simulação de segundo turno da eleição presidencial de outubro. Lula tem 49,3% das intenções de voto, ao passo que Flávio soma 36,8%, conforme pesquisa do instituto MDA, contratado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT).
No levantamento anterior, de abril, o atual presidente tinha 44,9%, ante 40,2% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ainda que a campanha eleitoral não tenha começado oficialmente, os mercados no Brasil têm reagido negativamente a algumas pesquisas que indicam chances maiores de Lula vencer a eleição. Por trás disso está a leitura de uma parcela dos agentes de que o controle fiscal seria mais frouxo em um novo governo Lula.
Assim, após marcar a cotação mínima intradia de R$5,0478 (-0,37%) às 9h00, na abertura da sessão, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,1043 (+0,74%) às 11h41, após a divulgação da pesquisa eleitoral.
O avanço da moeda norte-americana no Brasil ocorreu a despeito de no exterior o dólar ter sustentado perdas ante divisas emergentes como o peso colombiano e o peso chileno. Às 17h13, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes – também estava em baixa, de 0,09%, aos 99,568.
Ibovespa
O Ibovespa fechou com declínio modesto, ditado principalmente pela queda das ações da Petrobras, em mais uma sessão de recuo dos preços do petróleo no exterior.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,45%, a 169.648,47 pontos, após marcar 169.121,31 pontos na mínima e 170.415,52 pontos na máxima do dia.
O volume financeiro no pregão somou R$ 27,94 bilhões.
Na visão do sócio e advisor da Blue3 Investimentos Willian Queiroz, a performance do Ibovespa refletiu uma combinaçãode cautela antes das decisões de juros nos Estados Unidos e Brasil na quarta-feira com a queda dos preços do petróleo.
O Banco Central também anuncia decisão sobre juros na quarta-feira, com a maioria das apostas na direção de mais um corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa Selic para 14,25% ao ano.
O cenário base da equipe de pesquisa macroeconômica do BTG Pactual é de um último corte de 0,25 ponto, seguido de estabilidade até o fim de 2026
“Dada a deterioração relevante do cenário desde a última reunião e a maior assimetria do balanço de riscos, a decisão mais adequada seria pausar já em junho, mas a comunicação do BC continuou apontando para continuidade do processo de calibragem.”
Em relação à comunicação, equipe do BTG disse esperar que o Comitê de Política Monetária (Copom) preserve aopcionalidade para as próximas reuniões, mas aumente a barra para a continuidade do ciclo.
“A semana começou com o Ibovespa novamente pressionado e cada vez mais perto do suporte de 168.100 pontos”, destacaram analistas do Itaú BBA no relatório Diário do Grafista.
“Esse é um patamar perigoso para o índice, pois, abaixo dele, a tendência de médio prazo para o Ibovespa ficará ameaçada, o que trará um viés mais negativo para o segundo semestre de 2026.”
De acordo com os analistas do Itaú BBA, para sair dessa tendência de baixa e retornar a um cenário neutro, o Ibovespa precisará superar a região dos 174.900 pontos
Destaques
• PETROBRAS PN caiu 1,33% e PETROBRAS ON recuou 0,96%, em mais um dia negativo para as petrolíferas brasileiras, seguindo o movimento do petróleo no exterior. PRIO ON perdeu 0,44%, PETRORECONCAVO ON cedeu 2,15% e BRAVA ON fechou negociada em baixa de 2,68%.
• VALE ON subiu 0,34%, atuando como contrapeso, mesmo com o declínio dos futuros do minério de ferro na China. No setor, USIMINAS PNA tombou 6,2%, enquanto CSN ON caiu 1,15%, CSN MINERAÇÃO ON perdeu 0,91% e GERDAU PN recuou 0,3%. A Gerdau divulgou na véspera que fechou um acordo para aquisiçãoda participação da Copel na DFESA, de geração de energia elétrica.
• ITAÚ UNIBANCO PN avançou 0,12%, em dia de oscilações modestas entre os bancos do Ibovespa. BRADESCO PN registrou variação positiva de 0,06%, SANTANDER BRASIL UNIT fechou estável e BANCO DO BRASIL ON mostrou acréscimo de 0,05%. BTG PACTUAL UNIT cedeu 0,35%. O volume negociado de units do BTG Pactual ficou bem acima da média,com o Valor Econômico citando a venda em bloco de papéis do banco pela gestora americana GQG Partners.
• MAGAZINE LUIZA ON caiu 6,54%, tendo como pano de fundo dados sobre o varejo mais fracos do que as expectativas em abril, mas também relatório do UBS BB cortando o preço-alvo das ações para R$6,50, de R$10 anteriormente, e reiterando recomendação neutra. O índice de consumo da B3 fechou em queda de 0,33%.
• BRASKEM PNA desabou 9,23%, tendo no radar decisão da Justiça Federal em Alagoas que tornou a petroquímica e ex-dirigentes réus em processo que apura as responsabilidades pelo desastre socioambiental causado pela exploração de sal-gema em Maceió. A companhia disse que seguirá empenhada no cumprimento de todos os compromissos assumidos.
• REDE D’OR ON avançou 0,83%, endossado por relatório do BTG Pactual reiterando a recomendação de compra para os papéis, com os analistas citando fundamentos operacionais resilientes, com desempenho sólido tanto nos segmentos de seguros quanto hospitalar, crescimento orgânico saudável, resiliência de margens e fortes perspectivas de geração de caixa livre.
Petróleo
Os preços do petróleo caíram cerca de 5% pelo segundo dia consecutivo, atingindo mínima de três meses, à medida que surgiram detalhes de um acordo provisório para pôr fim à guerra no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Ormuz, incluindo um acordo para permitir que o Irã venda petróleo.
Os futuros do petróleo Brent caíram US$ 4,21, ou 5,1%, fechando a US$ 78,96 o barril, enquanto o petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos caiu US$ 4,70, ou 5,8%, fechando a US$ 76,05.
Esses foram os fechamentos mais baixos para o Brent desde 2 de março e para o WTI desde 4 de março.
A guerra entre os EUA e o Irã começou em 28 de fevereiro. Em 27 de fevereiro, o Brent fechou a US$72,48 por barril e o WTI, a US$67,02.
“O petróleo está caindo rapidamente com a expectativa de que o Estreito de Ormuz seja reaberto em breve”, afirmou Bob Yawger, diretor de futuros de energia do Mizuho, em uma nota. Antes da guerra, cerca de 20% do abastecimento global de petróleo passava pelo estreito.
Detalhes do acordo provisório para encerrar a guerra começaram a surgir nesta terça-feira, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando que o acordo impedirá Teerã de possuir armas nucleares, e uma autoridade norte-americana declarando que ele permitirá que o Irã venda petróleo assim que for assinado.
O acordo prorrogaria por mais 60 dias o frágil cessar-fogo anunciado em abril e reabriria o Estreito de Ormuz, que o Irã bloqueou efetivamente desde que os EUA e Israel atacaram o país pela primeira vez.
Ainda assim, dúvidas pairavam sobre o acordo, com especialistas alertando que o transporte marítimo e as exportações de energia poderiam levar semanas para se recuperar. No Líbano, o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, afirmou acreditar que o Irã não assinará um acordo nuclear definitivo a menos que Israel se retire do Líbano.
“Por enquanto, está sendo depositada uma grande confiança no sucesso desse plano, com pouca atenção a questões espinhosas como compensação financeira, sanções e, especialmente, um acordo nuclear satisfatório — que foi, em grande parte, a razão por trás da guerra”, afirmaram analistas da empresa de consultoria em energia Ritterbusch and Associates em uma nota.
A notícia do acordo preliminar levou bancos de investimento, incluindo Goldman Sachs, Morgan Stanley e Citi, a reduzir suas previsões para o preço do petróleo.