O empresário Luis Eulalio de Bueno Vidigal Filho morreu em São Paulo na tarde desta segunda-feira (29), aos 87 anos, em decorrência de complicações de um quadro de isquemia intestinal e insuficiência renal.
Vidigal Filho foi dirigente da Cobrasma de 1980 a 1993 e presidiu a Fiesp nos anos 1980. Ele também foi diretor e 1º vice-presidente da CNI, além de ter ocupado cargos em entidades ligadas à indústria de autopeças e de forjaria.
Ele nasceu em São Paulo em 26 de março de 1939. Estudou no Colégio São Luis, formou-se em Direito pela Universidade de São Paulo em 1963 e concluiu pós-graduação em Administração de Empresas na Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, em 1965.
Filho do empresário e professor Luis Eulalio Bueno Vidigal, ligado à indústria de bens de capital, Vidigal Filho construiu sua trajetória empresarial no setor industrial. Na Cobrasma, ocupou posição de direção durante o período em que também se tornou uma das principais lideranças empresariais paulistas.
Em 1980, disputou a presidência da Fiesp contra Theobaldo De Nigris, que encerrava seu oitavo mandato consecutivo, e venceu a eleição. À frente da entidade, participou dos debates sobre política industrial, desenvolvimento econômico, inflação, dívida pública, relação entre empresas e trabalhadores e papel do Estado na economia.
Durante sua gestão na Fiesp, defendeu a reorganização das entidades empresariais em um momento de fortalecimento da ação sindical dos trabalhadores e de transição política no país. Também manteve interlocução frequente com autoridades em Brasília em temas de interesse da indústria.
Vidigal Filho foi membro do Conselho Monetário Nacional e ocupou cargos em conselhos empresariais voltados às relações do Brasil com outros países. Em 2008, recebeu o título de presidente emérito da Fiesp.
Ele também presidiu o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores, o Sindipeças, e foi 1º vice-presidente do Sindicato da Indústria de Forjaria do Estado de São Paulo.
Parlamentarista, não ingressou na política partidária. Defendia que a participação política do empresariado deveria ocorrer por meio das entidades representativas do setor produtivo.
Casado com Lygia Fonseca Vidigal, Luis Eulalio deixa os filhos Luis Eulalio Neto, Silvia Vidigal Ramos e Luis Fernando Vidigal, além de dez netos.
Em depoimento dado meses antes de sua morte, Vidigal Filho afirmou que, em sua trajetória como dirigente empresarial, viveu “episódios importantes, em momentos de enormes dificuldades para as empresas e para a própria indústria como um todo”.
“Sou grato à vida por ter me dado tantas oportunidades de contribuir de alguma forma com a indústria brasileira e com o desenvolvimento do meu país”, disse.