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PIB Resiste Aos Juros e Mercado Melhora Previsão de Crescimento Pela Sexta Semana Consecutiva

Apesar da Selic projetada em 14% e da inflação acima da meta neste ano, Boletim Focus eleva PIB para 1,99%

3 min

A economia brasileira parece desafiar, ao menos por enquanto, a força do maior ciclo de juros restritivos dos últimos anos. O mercado financeiro voltou a elevar a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, mas a melhora da atividade não alterou o diagnóstico central dos economistas: a inflação continua resistente, exigindo uma política monetária apertada por mais tempo.

O retrato aparece na edição mais recente do Boletim Focus, levantamento semanal do Banco Central com cerca de uma centena de instituições financeiras. A estimativa para a taxa Selic permaneceu em 14% no encerramento deste ano, enquanto a projeção para a inflação foi mantida em 5,33%, acima do teto da meta perseguida pela autoridade monetária.

A novidade veio da atividade econômica. Pela sexta semana consecutiva, os analistas revisaram para cima a expectativa de crescimento do PIB. A projeção passou para 1,99%, ante 1,90% há um mês. Embora a diferença pareça modesta, a sequência de revisões sugere que empresas e consumidores continuam sustentando a economia mesmo diante do crédito caro e das condições financeiras restritivas.

Essa resiliência, no entanto, tem um efeito colateral. Uma economia que desacelera menos do que o esperado tende a reduzir a velocidade de queda da inflação, especialmente nos setores ligados a serviços, mais sensíveis ao mercado de trabalho e à demanda doméstica. O resultado é um Banco Central com menos espaço para iniciar um ciclo acelerado de cortes de juros.

Os números projetados para os próximos anos reforçam esse diagnóstico. A expectativa para a inflação em 2027 voltou a subir para 4,17%. Embora ainda permaneça abaixo do teto de tolerância da meta, de 4,5%, o indicador continua distante do centro do objetivo perseguido pela política monetária. Em 2028, a projeção recua para 3,70%, e apenas em 2029 a inflação retornaria ao centro da meta, em 3,5%.

O custo dessa convergência mais lenta aparece no crescimento econômico. Depois da expansão esperada para este ano, o mercado prevê desaceleração da atividade em 2027, quando o PIB deve crescer apenas 1,68%. A expectativa reflete os efeitos defasados da política monetária: juros elevados encarecem o crédito, desestimulam investimentos e reduzem o consumo das famílias, mecanismos que ajudam a conter a inflação, mas também limitam a expansão da economia.

Esse cenário também se reflete na trajetória esperada para a Selic. Após permanecer em 14% neste ano, a taxa básica deve recuar para 12% em 2027. Em 2028, a projeção foi elevada de 10,25% para 10,5%, indicando que o mercado passou a enxergar um processo de flexibilização monetária mais gradual. Para 2029, a expectativa segue em 10%, patamar ainda elevado para os padrões históricos brasileiros.

No câmbio, as projeções permaneceram praticamente estáveis para o curto prazo. A estimativa para o dólar no fim deste ano foi mantida em R$ 5,20. Nos anos seguintes, entretanto, a expectativa é de uma depreciação gradual da moeda brasileira, com a cotação alcançando R$ 5,28 em 2027, R$ 5,35 em 2028 e R$ 5,40 em 2029.

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