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Por Que o Dólar Disparou Nesta Sexta-feira e Chegou a Bater os R$ 5,16?

Moeda americana não ultrapassava os R$ 5,10 há quase dois meses. Principal impulso vem dos dados do mercado de trabalho

3 min

O dólar disparou nesta sexta-feira (5) e chegou a R$ 5,16 na máxima do dia, acumulando alta de 1,48%, em um movimento impulsionado principalmente pela divulgação de dados mais fortes do que o esperado sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos. A moeda americana não ultrapassava o patamar de R$ 5,10 desde o início de abril. Por voltas das 15h20, a moeda americana era negociada a R$ 5,14.

O principal gatilho para a valorização foi o payroll, relatório mensal de emprego dos EUA. O indicador mostrou a criação de 172 mil vagas de trabalho em maio, mais do que o dobro do número que o mercado esperava, enquanto a taxa de desemprego permaneceu estável em 4,3%. O consenso era de 80 mil postos criados.

Os números divulgados reforçaram a percepção de que a economia americana segue aquecida, mesmo diante de um ambiente de juros elevados o que tende a fortalecer a moeda americana. “Para o Brasil, o efeito é negativo no curto prazo, onde os juros americanos pressionados e menor apetite por risco favorecem um dólar mais forte, o que se reflete em ajustes no Ibovespa e pressão sobre o real”, explica Cassio Viana de Jesus, diretor de Investimentos e Novos Negócios da Pilar Capital.

Na avaliação de Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, os dados não apontam para uma deterioração abrupta da atividade econômica. “A criação de 172 mil vagas e o desemprego estável em 4,3% indicam que a economia dos Estados Unidos ainda tem tração, mas já opera com mais prudência diante de juros elevados, petróleo pressionado e incerteza geopolítica”, afirma.

O resultado reduz o espaço do Fed para iniciar cortes de juros neste ano. A perspectiva, que já era de apenas um ajuste no ano, pode se tornar ainda mais conservadora, prevê Peterson Rizzo, Head de R.I da Multiplike. “Para o Brasil, juros americanos elevados por mais tempo fortalecem o dólar, pressionam o câmbio e dificultam a ancoragem das expectativas de inflação, complicando a tarefa do Banco Central brasileiro num momento em que a Selic já está em patamar muito elevado”, diz. 

Gustavo Assis, CEO da Asset Bank vai na mesma linha de análise. “O payroll de maio reforça que a economia americana entrou em uma fase de calibragem. O mercado de trabalho continua saudável, com 172 mil vagas criadas e desemprego estável em 4,3%, mas a desaceleração em relação a abril mostra que empresas estão mais cautelosas para contratar em meio a juros altos, petróleo pressionado e incertezas globais”, afirma.

Para o executivo, os dados têm reflexos diretos sobre os mercados brasileiros. “Esse dado importa diretamente para o Brasil porque influencia a expectativa sobre o Fed, o dólar, o fluxo estrangeiro e o custo de captação das empresas. Se o emprego perde força, aumenta a leitura de que os juros americanos podem cair no futuro, mas a pressão inflacionária ainda impede uma sinalização mais clara”, diz.

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