A poucos dias da precificação do maior IPO da história, a SpaceX tenta convencer Wall Street de que é muito mais do que uma empresa espacial. O prospecto protocolado pela SpaceX na SEC, a apresentação do roadshow para investidores e o factsheet oficial do IPO disponibilizados pela companhia em seu site destinado à oferta pública mostram que a tese da companhia combina foguetes reutilizáveis, internet via satélite, inteligência artificial e até projetos de computação orbital.
A aposta é tão ambiciosa quanto os números: a empresa diz disputar mercados que somam US$ 28,5 trilhões e busca captar US$ 75 bilhões em uma única oferta.
A companhia de Elon Musk pretende vender 555,6 milhões de ações a US$ 135 cada, em uma operação que avalia a empresa em cerca de US$ 1,7 trilhão (R$ 8,5 trilhões). Se o cronograma anunciado for mantido, a precificação nesta quinta-feira, 11, seguida pela estreia das ações na Nasdaq sob o código SPCX.
O valor que a SpaceX pretende captar é quase três vezes superior ao recorde global atual, pertencente à Saudi Aramco, que levantou US$ 25,6 bilhões em sua abertura de capital. Também supera com folga o IPO da Alibaba, de US$ 21,8 bilhões, ainda o maior da história dos Estados Unidos.
O que acontece agora
Nos próximos dias a empresa concluirá o roadshow com investidores institucionais iniciado dia 3 de junho. Diferentemente da maioria dos IPOs, a SpaceX não apresentou uma faixa indicativa de preço. A empresa já definiu diretamente o valor de US$ 135 por ação, sinalizando confiança de que os grandes investidores estão dispostos a comprar os papéis nesse patamar.
Também será observada a participação dos investidores de varejo. A companhia reservou parte das ações para plataformas como Robinhood, Fidelity, Schwab e SoFi, ampliando o acesso do público à oferta.
Após a precificação, o mercado voltará sua atenção para o desempenho das ações nos primeiros dias de negociação. Historicamente, IPOs muito aguardados costumam registrar forte volatilidade e podem impulsionar rapidamente a avaliação da companhia.
A corrida para o primeiro trilionário
O interesse em torno da oferta vai além da SpaceX. A operação pode acelerar uma corrida que já mobiliza analistas de Wall Street: quem será o primeiro trilionário da história.
Atualmente, Elon Musk já figura como a pessoa mais rica do planeta, com patrimônio concentrado principalmente em participações na SpaceX, na Tesla, na X, na xAI, na Neuralink e na The Boring Company.
A avaliação de US$ 1,7 trilhão da SpaceX fortalece a principal fonte de riqueza do empresário. Embora parte significativa das ações esteja sujeita a estruturas de controle e direitos diferenciados, uma valorização expressiva após o IPO pode adicionar centenas de bilhões de dólares ao patrimônio líquido de Musk.
Estimativas de mercado já apontam que a SpaceX representa a maior fatia de sua fortuna, superando inclusive a participação na Tesla. Se a empresa continuar expandindo o Starlink, os contratos governamentais e os projetos ligados à exploração espacial e inteligência artificial, o valuation poderá avançar para além dos US$ 2 trilhões nos próximos anos.
Mais do que foguetes
A SpaceX chega à bolsa com um perfil diferente daquele que a transformou em símbolo da nova corrida espacial. Além dos foguetes Falcon e do programa Starship, a empresa opera a rede global de internet via satélite Starlink, que conta com cerca de 9.600 satélites em órbita.
A companhia também passou a incluir em seu ecossistema negócios ligados à inteligência artificial, como o chatbot Grok, os supercomputadores Colossus e a plataforma X.
Com esse conjunto de ativos, alguns investidores enxergam a SpaceX não apenas como uma empresa aeroespacial, mas como uma plataforma de infraestrutura tecnológica capaz de disputar espaço com gigantes da inteligência artificial.
A abertura de capital da SpaceX também é vista como um teste para o apetite dos investidores por empresas de tecnologia em grande escala. O sucesso da operação pode abrir caminho para outras ofertas aguardadas pelo mercado, incluindo as da OpenAI e da Anthropic.
Se a estreia confirmar as expectativas, Wall Street poderá testemunhar não apenas o maior IPO da história, mas também mais um passo na trajetória de Elon Musk rumo a um marco que até pouco tempo parecia ficção: tornar-se o primeiro trilionário do mundo.