A fortuna de Mark Zuckerberg encolheu quase US$ 18 bilhões (R$ 90 bilhões) nesta quinta-feira, à medida que as ações da Meta ampliaram uma sequência de 11 pregões consecutivos de queda. O movimento reflete a piora do humor de Wall Street em relação aos planos da controladora do Facebook de acelerar os investimentos em inteligência artificial (IA).
As ações da Meta recuavam 9% na tarde de quinta-feira, no que caminha para ser a maior queda diária do papel neste ano. Nos últimos 11 pregões, a ação acumula desvalorização de 21,7%.
A mais recente queda das ações da Meta reduziu em US$ 17,8 bilhões (R$ 89 bilhões) a fortuna de Zuckerberg, agora estimada em US$ 183,3 bilhões (R$ 916,5 bilhões). Com isso, ele ocupa a sexta posição entre as pessoas mais ricas do mundo, à frente de Jensen Huang, da Nvidia, com US$ 167,2 bilhões (R$ 836 bilhões), e atrás de Michael Dell, com US$ 228,9 bilhões (R$ 1,1445 trilhão).
A desvalorização das ações da Meta ocorreu depois que a empresa elevou sua projeção de gastos para este ano para US$ 137,5 bilhões (R$ 687,5 bilhões), ao mesmo tempo em que evitou apresentar uma estimativa para 2027.
A Meta também divulgou lucro trimestral de US$ 6,18 por ação, bem abaixo da expectativa consensual dos analistas, de US$ 7,18, segundo a FactSet. Ainda assim, a receita superou as projeções, alcançando US$ 60,8 bilhões (R$ 304 bilhões).
O aumento dos investimentos gerou críticas de parte dos analistas. Nat Schindler, do Scotiabank, reduziu o preço-alvo das ações da Meta de US$ 700 para US$ 600, alertando que, até que a companhia consiga comprovar sua capacidade de gerar receitas com inteligência artificial, deveria priorizar a sustentabilidade do fluxo de caixa livre, em vez de focar no tamanho da oportunidade representada pela IA.
A Wedbush Securities também reduziu seu preço-alvo, de US$ 671 para US$ 595, argumentando que os investidores devem avaliar com mais rigor se os gastos da Meta efetivamente trarão retorno financeiro. A revisão se soma a cortes promovidos por outras instituições, como Evercore ISI (redução de US$ 110), Wolfe Research (US$ 100), Goldman Sachs (US$ 90) e Cantor Fitzgerald (US$ 90), entre outras.
Em contraste
As ações da Microsoft dispararam 15% após a empresa informar que seu assistente de IA para o ambiente de trabalho, o Microsoft 365 Copilot, ultrapassou 30 milhões de usuários pagantes, ante 20 milhões registrados em abril. A companhia reafirmou sua meta de investimentos para este ano e indicou uma possível expansão dos gastos no ano fiscal de 2027.
Para Tracy Woo, analista da Forrester, a receita trimestral da Microsoft, de US$ 90 bilhões (R$ 450 bilhões), acima da estimativa de US$ 87,6 bilhões (R$ 438 bilhões), e o sucesso do Copilot indicam que a expansão da infraestrutura de data centers da empresa “está começando a gerar retorno”.
Contexto
A Meta, que durante anos foi considerada uma ação de destaque e pouco vulnerável, acumula queda de quase 18% neste ano, em meio a decisões judiciais históricas e preocupações com os elevados investimentos em inteligência artificial.
A empresa de Zuckerberg chegou a recuperar parte das perdas no início deste mês, registrando sua melhor semana desde 2024 em um intervalo de cinco pregões encerrado em 10 de julho, quando suas ações avançaram mais de 14%.
O movimento ocorreu após a Meta lançar o Muse Image, um novo modelo de inteligência artificial voltado à criação de imagens, apesar das críticas de sindicatos de Hollywood, agências de talentos e empresas de cibersegurança, que levantaram preocupações relacionadas à privacidade.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com