O dólar fechou a segunda-feira (13) em alta ante o real, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes no exterior, em meio ao recrudescimento da guerra entre Estados Unidos e Irã.
O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,46%, aos R$5,1314. No ano, a moeda passou a acumular baixa de 6,51% ante o real.
Forças dos EUA e do Irã trocaram ataques com mísseis e drones no Oriente Médio ao longo do fim de semana e nesta segunda-feira. Teerã informou ter fechado novamente o Estreito de Ormuz, via de transporte de cerca de 20% do petróleo e do gás comercializados no mundo.
Nesta segunda, Trump afirmou que os EUA estavam restabelecendo o bloqueio naval ao Irã. Além disso, disse que os EUA serão reembolsados em 20% de toda a carga transportada pelo Estreito de Ormuz, “por todos os custos necessários para garantir a segurança desta região tão instável do mundo”.
Nos mercados de moedas, o dólar sustentou ganhos ante divisas emergentes como o peso chileno, o rand sul-africano e o real — ainda que no caso brasileiro as variações fossem limitadas.
Após registrar a cotação mínima de R$5,1089 (+0,02%) às 10h02, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,1417 (+0,66%) às 13h37, já após o anúncio de Trump.
“A escalada das tensões geopolíticas afetou de novo as cotações e o dólar sobe — mas não muito”, comentou à tarde o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. “Há uma aversão ao risco, mas não tão profunda.”
No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 3 de agosto.
No exterior, às 17h10, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,22%, a 101,280.
Ibovespa
A bolsa paulista começou a semana pressionada negativamente por novos capítulos do conflito entre Estados Unidos e Irã, que reacendeu preocupações com o transporte de energia no Estreito de Ormuz, fazendo os preços do petróleo dispararem nesta segunda-feira.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,2%, a 175.739,08 pontos, chegando a 175.567,05 pontos na mínima, após marcar 178.153,90 pontos na máxima do dia.
O volume financeiro no pregão somou R$19,59 bilhões.
“O Oriente Médio voltou a ser o fator dominante do dia”, afirmou a coordenadora de alocação e inteligência da Avenue, Juliana Benvenuto, acrescentando que o Ibovespa refletiu o humor mais cauteloso do mercado externo.
O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira que os EUA estavam restabelecendo o bloqueio ao transporte marítimo do Irã e disse que vão garantirque o Estreito de Ormuz permaneça aberto — mediante pagamento.
O bloqueio começará na terça-feira, de acordo com o Centro Conjunto de Informações Marítimas, liderado pela Marinha dos EUA, abrangendo todo o litoral, portos e terminais petrolíferos do Irã, bem como todas as embarcações, independentemente da bandeira. Ele havia sido suspenso em meados de junho.
“O Estreito de Ormuz está ABERTO e permanecerá ABERTO, com ou sem o Irã. Estamos restabelecendo O BLOQUEIO IRANIANO”, disse Trump no Truth Social.
“Os EUA…serão reembolsados em 20% de toda a carga transportada, por todos os custos necessários para garantir a segurança desta região tão instável do mundo”, acrescentou.
A decisão dos EUA vem após nova troca de ataques entre os dois lados no fim de semana, quando oIrã anunciou que fecharia o estreito.
O alto comando militar conjunto iraniano afirmou que os EUA não tinham qualquer papel na definição do futuro da rota de navegação vital e que não teriam permissão para intervir na gestão do estreito.
No cenário local, uma nova pesquisa eleitoral BTG/Nexus mostrou pela manhã empate técnico na disputa pelo Planalto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Na simulação de segundo turno, Lula tem 47% das intenções de voto, contra 44% de Flávio. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
No boletim Focus divulgado mais cedo, a mediana das projeções dos economistas do mercado para o dólar no fim deste ano seguiu em R$5,20 e para o final do próximo ano em R$5,28.
Já a Selic projetada para o encerramento de 2026 seguiu em 14,00%, o que pressupõe mais um corte de 25 pontos-base da taxa básica até o fim do ano. Para o final de 2027, a projeção da Selic permaneceu em 12,00%.
Atualmente a Selic está em 14,25% ao ano, bem acima das taxas praticadas em países como EUA e Japão, e este diferencial de juros vinha sendo apontado nos últimos meses como um fator favorável à atração de dólares para o Brasil. Hoje o cenário é um pouco diferente em função da perspectiva de alta de juros nos EUA e de nova baixa no Brasil.
Destaques
• PETROBRAS PN avançou 2,55% e PETROBRAS ON subiu 3,44%, endossadas pela alta do petróleo no exterior. No setor, PRIO ON valorizou-se 3,16% e PETRORECONCAVO ON ganhou 0,78%, mas BRAVA ON caiu 0,74%.
• VALE ON cedeu 1,79%, sofrendo com o aumento da aversão a risco global, em pregão também marcado pela queda dos futuros do minério de ferro na China. Na contramão do setor, CSN MINERAÇÃO ON valorizou-se 4,21% e CSN ON subiu 1,16%.
• ITAÚ UNIBANCO PN perdeu 1,76%, com o setor como um todo contaminado pelo viés negativo do exterior. O índice do setor financeiro fechou em queda de 1,47%.
• WEG ON caiu 4,56%, com investidores também na expectativa do balanço da companhia na próxima semana. Analistas do Citi esperam um trimestre fraco, com expansão de capacidade ainda pressionando margens.
• MRV&CO ON perdeu 5,39%, após duas altas seguidas, em pregão negativo para construtoras, tendo como pano de fundo avanço na curva futura de juros seguindo a aversão a risco global. O índice do setor imobiliário na B3 recuou 2,5%.
Petróleo
Os preços do petróleo fecharam em alta de mais de 9% atingindo a maior cotação em um mês, após a notícia de que um bloqueio naval dos Estados Unidos — com início previsto para terça-feira — abrangerá todo o litoral, portos e terminais petrolíferos do Irã, bem como todas as embarcações, independentemente da bandeira, reacendendo as preocupações com o transporte de energia pelo Estreito de Ormuz.
Os contratos futuros do petróleo Brent fecharam com alta de US$7,29, ou 9,59%, a US$83,30, enquanto os do petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos EUA fecharam com alta de US$6,73, ou 9,42%, a US$78,14 o barril.
Os futuros do Brent registraram seu maior ganho diário em dólares desde 2 de abril e o maior fechamento desde 12 de junho. Já os futuros do petróleo dos EUA tiveram seu maior ganho diário desde 29 de abril, fechando no nível mais alto desde 15 de junho.
Os EUA devem restabelecer o bloqueio naval em 14 de julho às 20h GMT, de acordo com o Centro Conjunto de Informações Marítimas, liderado pela Marinha dos EUA. O bloqueio havia sido suspenso em meados de junho.
No início do dia, o presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos estavam restabelecendo o bloqueio naval e receberiam um reembolso de 20% sobre toda a carga transportada pelo Estreito de Ormuz, após novas tensões militares com o Irã.
“A reinstituição das restrições ao tráfego marítimo iraniano pelo presidente Trump, juntamente com ataques retaliatórios e a redução drástica do fluxo de embarcações pelo estreito, intensificou as preocupações quanto à disponibilidade de suprimentos no curto prazo”, afirmaram analistas da Gelber & Associates em uma nota.
O alto comando militar conjunto do Irã havia afirmado anteriormente que não permitiria que Washington interviesse na gestão do estreito e que qualquer tentativa dos EUA de transitar sem sua autorização seria combatida.
A agência de navegação da ONU rejeitou a proposta de Trump, afirmando que se opõe a quaisquer taxas para estreitos utilizados na navegação internacional e enfatizando que não há base legal para a introdução de pedágios obrigatórios no trânsito pelo estreito.
Antes do início do conflito, no final de fevereiro, o Estreito de Ormuz era responsável por cerca de um quinto do abastecimento diário global de petróleo e gás natural liquefeito.
O tráfego havia começado a aumentar durante um frágil cessar-fogo acordado em junho, mas diminuiu à medida que as tensões aumentaram.
“O foco continuará sendo o número de petroleiros que chegam, já que um número menor poderia afetar a produção; portanto, atualmente vemos um prêmio de risco e um risco de interrupção sustentando os preços”, disse o analista do UBS, Giovanni Staunovo.
CONTORNANDO O ESTREITO
À medida que a perspectiva de uma interrupção de longo prazo se aproxima, analistas esperam que os países busquem maneiras de contornar permanentemente o Estreito de Ormuz.
O Goldman Sachs estimou que a expansão da capacidade dos oleodutos no Oriente Médio poderia proteger mais de 60% das exportações de petróleo do Golfo, anteriores à guerra, contra quaisquer interrupções futuras no Estreito de Ormuz até o final de 2028.
A previsão base do banco pressupõe que a capacidade dos oleodutos que contornam o Estreito de Ormuz aumentará em 3,8 milhões de bpd até o final de 2027 e em 7,3 milhões de bpd cumulativamente até o final de 2028, elevando a capacidade efetiva total de transporte alternativo para mais de 14 milhões de bpd até o final de 2028.
Durante o acordo de paz provisório, Teerã aumentou as exportações, o que levou a um aumento nos estoques de petróleo iraniano retidos no mar.
As vendas têm sido lentas, no entanto, já que as refinarias independentes da China passaram a utilizar petróleo mais barato do Iraque, dos Emirados Árabes Unidos e do Catar.