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Prévia do PIB Sobe 0,1% em Maio com Impulso da Indústria e Freio da Agropecuária

IBC-Br acumulou alta de 0,7% no trimestre encerrado em maio, indicando uma desaceleração gradual da atividade e uma mudança nos vetores que sustentam o crescimento da economia

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O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), avançou 0,1% em maio na comparação com abril, na série com ajuste sazonal. O resultado indica uma desaceleração da atividade em relação aos meses anteriores e revela um desempenho desigual entre os setores da economia. Enquanto a indústria cresceu 0,4% e os serviços avançaram 0,1%, a agropecuária recuou 1,0%, reduzindo o ritmo de expansão do indicador.

Quando excluída a agropecuária, setor mais sujeito a oscilações climáticas e ao calendário das safras, o IBC-Br sobe 0,2%, sugerindo que a economia ligada ao mercado doméstico apresentou desempenho mais favorável do que o índice agregado.

Apesar da perda de ritmo observada em maio, o indicador continua apontando para crescimento da atividade no segundo trimestre. No acumulado dos três meses encerrados em maio, o IBC-Br registrou alta de 0,7% frente ao trimestre encerrado em fevereiro, mantendo uma trajetória positiva, embora menos intensa do que a observada no início do ano.

A composição do índice mostra uma mudança na origem desse crescimento. Depois de exercer papel relevante na expansão da atividade ao longo dos últimos trimestres, a agropecuária passou a contribuir negativamente, refletindo a normalização do ciclo agrícola após safras recordes. Em contrapartida, a indústria voltou a ser o principal suporte da atividade, enquanto os serviços seguiram em expansão, ainda que em ritmo moderado.

O desempenho do setor de serviços, responsável pela maior parcela da economia brasileira, também sugere um ambiente de crescimento mais contido. A alta de apenas 0,1% em maio é compatível com um cenário de demanda doméstica menos aquecida, em meio à manutenção de condições financeiras restritivas e ao elevado custo do crédito.

Indústria concentra o impulso da atividade

A abertura setorial do IBC-Br evidencia que a expansão da economia em maio foi sustentada principalmente pela indústria. O setor avançou 0,4% no mês e acumulou crescimento de 1,3% no trimestre encerrado em maio, o melhor desempenho entre os grandes segmentos da economia.

O chamado carregamento estatístico reforça essa tendência. Mesmo que a produção industrial permanecesse estável em junho, o setor já teria contratado uma alta de 1,0% no segundo trimestre em relação ao primeiro, indicando que boa parte do crescimento do período já está incorporada aos dados.

Os serviços, que representam cerca de 60% da composição do IBC-Br, cresceram 0,1% em maio e 0,3% no trimestre. Embora o ritmo seja inferior ao da indústria, o setor continua sendo decisivo para o resultado agregado devido ao seu peso na economia. O carregamento estatístico de 0,2% indica que a atividade entra em junho com um ganho já acumulado para o trimestre.

Na direção oposta, a agropecuária caiu 1,0% em maio e praticamente zerou sua contribuição no trimestre, com alta de apenas 0,1%. O carregamento estatístico de -0,2% indica que, caso o setor permaneça estável em junho, deverá exercer influência negativa sobre o resultado do segundo trimestre, contrastando com a contribuição observada ao longo de 2025.

No conjunto, a leitura setorial aponta para uma economia que continua crescendo, mas com uma composição diferente da observada nos últimos trimestres. O impulso deixa de vir do agronegócio e passa a depender mais da indústria e, sobretudo, da capacidade dos serviços de sustentar a demanda doméstica em um ambiente ainda marcado por juros elevados.

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