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10 Formas de Pequenas Empresas Usarem IA para Crescer e Contratar Mais Funcionários

Especialistas afirmam que companhias que adotam IA tendem a crescer, contratar mais funcionários e aumentar a produtividade

9 min

Quatro testemunhas depuseram nesta semana perante o Comitê de Pequenas Empresas da Câmara dos EUA e contestaram a crença comum de que a inteligência artificial vai substituir trabalhadores humanos. Elas insistiram que pequenas empresas que usam IA tendem a precisar contratar mais funcionários, justamente porque crescem.

Atualmente, a maioria dessas empresas já usa IA para uma ampla gama de finalidades, disse Jordan Crenshaw, vice-presidente sênior do Centro de Engajamento Tecnológico da Câmara de Comércio dos EUA. No ano passado, 58% das pequenas companhias do país relataram usar inteligência artificial generativa, um aumento em relação aos 40% de 2024 e aos 23% de 2023, afirmou ele aos parlamentares.

Mas o dado mais relevante, segundo ele, é que 82% das pequenas empresas que declararam usar IA aumentaram o número de funcionários no último ano.

“Essas empresas não estão usando IA para substituir pessoas”, disse Crenshaw. “Estão usando a tecnologia para ajudar os funcionários a se concentrarem em trabalhos de alto valor, que exigem julgamento, criatividade e relacionamento.”

Então qual é a melhor forma de uma pequena empresa adotar IA?

  • Concentre-se no que você ainda não está fazendo, e que poderia aumentar as vendas

“Muitas pequenas empresas não têm site”, observou Chike Aguh, chefe de inovação e estratégia do Kapor Center, organização que promove inclusão no setor de tecnologia. “Muitas pequenas empresas não fazem nenhum tipo de propaganda porque não conseguem contratar um designer. A IA pode viabilizar isso.”

Não se trata apenas de um site, mas de uma mentalidade. “As pequenas empresas precisam pensar assim: ‘O que não está acontecendo no meu negócio que a IA pode fazer acontecer?’, em vez de ‘O que já está acontecendo agora e que poderia ser feito por outra pessoa?'”, disse Aguh aos parlamentares.

  • Comece por algo que precisa ser corrigido

“Sempre aconselho as empresas a começarem pelo problema mais urgente. Qual é a questão que incomoda o negócio no dia a dia? É por aí que se deve começar”, disse France Hoang, fundador e CEO da empresa de IA BoodleBox, que cria ambientes on-line nos quais equipes de educação, direito ou negócios podem usar ferramentas de IA de forma segura e colaborativa.

Ele citou o caso de Tekeyah Gaines, dona de uma pequena cafeteria em Detroit, que segundo ele usou IA para precificar seus produtos com mais precisão e também para fortalecer sua presença de marketing. O resultado, contou Hoang, foi que o valor médio dos pedidos de Gaines subiu de US$ 38 (R$ 193,04) para US$ 47 (R$ 238,76).

  • Invista em capacitar os funcionários em IA e ouça as ideias deles

Em vez de substituir trabalhadores por IA, disse Aguh, as empresas deveriam investir em treinar suas equipes sobre a melhor forma de usar as novas ferramentas, e até consultá-las sobre onde e como aplicar a tecnologia.

  • Pense na IA como um multiplicador de força

“A IA é um multiplicador de força que ajuda pequenas empresas a fazerem mais com tempo, equipe e recursos limitados”, disse Crenshaw. Como exemplo, ele citou que um varejista pode usar IA para entender a demanda e personalizar o marketing, um restaurante pode melhorar escalas de trabalho e controle de estoque, uma empresa de serviços profissionais pode automatizar redação e pesquisas rotineiras, e uma fábrica pode reduzir desperdícios e aprimorar operações.

  • Torne seu back office mais eficiente

Aguh afirmou que as pequenas empresas já estão achando a IA útil para tarefas administrativas como contabilidade, pagamento de impostos, escrituração financeira e geração de leads de marketing e vendas.

  • Use IA para simplificar a integração e o treinamento de novos funcionários

Anthony Qaiyum, dono da Merz Apothecary, em Chicago, contou aos membros do comitê que recentemente usou ferramentas de transcrição de voz e escrita por IA para criar um programa de integração de vários meses para uma nova contratada. “Ela me disse depois que aquele foi o roteiro mais claro que já recebeu ao começar um novo emprego”, relatou.

  • Escolha a ferramenta de IA certa para cada tarefa

Hoje existe uma ampla variedade de modelos de IA disponíveis on-line, com custo baixo ou gratuito, cada um com pontos fortes e fracos diferentes. É importante que os usuários aprendam quais modelos são mais adequados para a tarefa que desejam realizar.

“É tentador achar que tudo é um prego que pode ser resolvido com o martelo da IA”, disse Aguh. “Ajudar esses líderes de pequenas empresas a escolher o martelo certo para o prego certo é fundamental. Pode ser o Claude, pode ser o ChatGPT.”

  • Encontre um sistema de IA seguro

Quanto mais franco um empresário puder ser com um sistema de IA sobre finanças internas e dados sensíveis, mais útil o modelo será para a empresa. Por isso, é importante encontrar um sistema que o dono do negócio sinta como seguro.

“A IA só é tão boa quanto as informações e o contexto que você fornece a ela. Muitas empresas têm receio de inserir seus dados proprietários. Isso é lamentável, porque é assim que se obtêm os melhores resultados com IA”, disse Hoang. “Busque uma plataforma na qual você sinta que a privacidade e a segurança permitem usar seus dados.”

  • Procure aceleradoras, mentores e treinamentos financiados pelo governo em IA

Os especialistas concordaram que serão necessários mais programas de letramento em IA para educar adequadamente os empreendedores sobre a melhor forma de utilizar os novos modelos, e destacaram que já existem alguns recursos disponíveis, como o programa Small Business Basics, da Câmara de Comércio dos EUA.

“Para quem já praticou algum esporte em algum momento da vida, ninguém aprendeu a fazer um arremesso ou a lançar uma bola de futebol americano lendo um livro. Isso se aprende na prática, com um treinador”, disse Aguh. “Ironicamente, a IA está mostrando a necessidade de mais trabalho de campo, no próprio local de trabalho… aulas são boas, mas a experiência real é melhor.”

  • Considere pagar por IA, se necessário

Houve tanto progresso e concorrência no setor de IA nos últimos anos que há uma abundância de ferramentas gratuitas disponíveis on-line, mas algumas das mais avançadas e valiosas ainda têm custo. Dependendo da tarefa, pode valer a pena pagar por elas.

“A IA básica é barata e está em toda parte”, disse Hoang. “Já a IA premium, que entrega resultados reais, ainda custa dinheiro, e uma nova divisão está se abrindo entre Wall Street e Main Street.”

Qaiyum também contou aos parlamentares que, desde que sua empresa passou a utilizar IA de forma mais intensa, aumentou o quadro de funcionários em 20%, passando de 50 para 60 colaboradores.

“Vemos a IA como um conjunto de ferramentas que nos ajuda a aumentar nossa capacidade e, com isso, trazer mais gente para a equipe”, disse Qaiyum. “No momento, estamos construindo um agente de IA para lidar com tarefas rotineiras de contas a pagar, que hoje tomam mais de 20 horas semanais de uma funcionária, tempo que preferimos que ela dedique a problemas estratégicos para o crescimento do negócio.”

Qaiyum contou que a Merz Apothecary, que vende produtos de saúde, beleza e cuidados pessoais, também recorre a ferramentas de IA para analisar fluxo de caixa, monitorar estoque, acompanhar investimentos, registrar despesas, administrar a folha de pagamento e identificar possíveis riscos financeiros.

“E continuamos contratando”, disse Qaiyum. “Estamos em um momento em que gostaríamos de trazer alguém com mais experiência em IA, porque enxergamos muita oportunidade pela frente.”

Qaiyum reforçou repetidamente que a IA representa uma nova vantagem tecnológica, enquanto “os seres humanos são a vantagem duradoura que você tem”. Crenshaw também alertou que as pequenas empresas vão sofrer caso o Congresso não regulamente a IA e deixe a questão a cargo dos estados, o que criaria uma colcha de retalhos nacional de regras empresariais, cara e difícil de navegar para empresas menores.

Ele citou um estudo da Information Technology and Innovation Foundation (uma organização sem fins lucrativos que recebe boa parte de seu apoio do setor de tecnologia e de outras grandes companhias). O estudo concluiu que, sem um conjunto nacional de regras de privacidade de dados para IA, o custo para o país será de aproximadamente US$ 1 trilhão (R$ 5,08 trilhões) na próxima década, dos quais US$ 200 bilhões (R$ 1,016 trilhão) recairiam sobre o setor de pequenas empresas.

Ele também mencionou uma lei estadual relativamente recente da Califórnia, o California Consumer Privacy Act, que passou por um processo regulatório envolvendo IA depois de sancionada em 2020. Segundo Crenshaw, estima-se hoje que o cumprimento da parte da lei referente à IA custará US$ 16.000 (R$ 81.280,00) anuais às pequenas empresas.

A conclusão, segundo os especialistas ouvidos pelos parlamentares, é que a IA não será capaz de substituir capacidades verdadeiramente humanas, mas deve, sim, munir os trabalhadores com novas ferramentas para se tornarem mais eficientes, produtivos e qualificados.

Os quatro depoentes pediram ao Congresso que aprove mais financiamento para treinamento em letramento de IA voltado a empresas e trabalhadores, além de estabelecer um marco regulatório nacional para os modelos de IA, em vez da atual colcha de retalhos regulatória estado a estado, que vem se formando na ausência de regras federais sobre o tema.

Embora o comitê não tenha tomado nenhuma decisão sobre projetos ou propostas específicas na terça-feira, vários deputados afirmaram acreditar ser importante que o Congresso aprove algum tipo de marco regulatório nacional para empresas de IA e tecnologia, além de financiar programas de letramento em IA por meio da Administração de Pequenas Empresas dos EUA (SBA). “Nosso objetivo é garantir que toda pequena empresa e todo empreendedor tenham a oportunidade de prosperar nesta nova era da IA”, declarou o presidente do comitê, o deputado republicano do Texas Roger Williams, na abertura da audiência de terça-feira.

*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com

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