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Petróleo Supera Us$ 100, Derruba Ibovespa e Leva Dólar a R$ 5,08

Ataques a petroleiros sauditas ampliaram o temor de interrupções no abastecimento, pressionaram as bolsas globais e fortaleceram a moeda americana

5 min

O petróleo Brent fechou acima de US$ 100 nesta quinta-feira (23) pela primeira vez desde maio, após ataques a dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho ampliarem o risco de interrupções no abastecimento global. A escalada do conflito no Oriente Médio pressionou as bolsas, elevou o dólar e fez o Ibovespa encerrar o dia em queda, apesar da alta das ações da Petrobras.

Os contratos futuros do Brent avançaram 7%, para US$ 100,69 o barril, maior fechamento desde 22 de maio. A referência global acumula valorização de quase 40% desde o início da guerra com o Irã, em fevereiro, com a maior parte dos ganhos concentrada neste mês.

Nos Estados Unidos, o petróleo West Texas Intermediate (WTI) subiu 6,2%, para US$ 92,19 por barril, maior valor de fechamento desde 4 de junho.

O movimento ganhou força depois que os houthis do Iêmen, aliados do Irã, afirmaram ter atacado dois petroleiros da Arábia Saudita no Estreito de Bab el-Mandeb. O grupo havia anunciado que imporia um bloqueio naval aos embarques provenientes do país.

A agência estatal saudita SPA confirmou que uma das embarcações pegou fogo após ser atacada enquanto navegava pelo Mar Vermelho, mas não identificou os responsáveis. Depois do episódio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu uma “forte retaliação militar” contra o Irã e os houthis.

A nova frente de tensão se soma à paralisação quase total do tráfego pelo Estreito de Ormuz e à queda das exportações iranianas. Os estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb concentram, juntos, o equivalente a aproximadamente um quarto da oferta mundial de petróleo.

“A escalada agrava a paralisação quase total do tráfego em Ormuz e a redução acentuada das exportações iranianas, intensificando as preocupações com a disponibilidade global no curto prazo”, afirmou a Gelber and Associates em relatório.

Apesar dos ataques, dois superpetroleiros chineses que transportavam, juntos, 4 milhões de barris de petróleo saudita conseguiram deixar o Mar Vermelho pelo Estreito de Bab el-Mandeb nesta quinta-feira, segundo dados de transporte marítimo.

O Goldman Sachs estima que o Brent pode ultrapassar US$ 120 por barril no quarto trimestre caso Ormuz permaneça bloqueado até 2027. Nesse cenário, o banco projeta preço médio de US$ 100 no próximo ano, com possibilidade de novas altas se as interrupções também atingirem de forma persistente Bab el-Mandeb e o Canal de Suez.

Ibovespa recua, mas Petrobras limita perdas

A disparada do petróleo reacendeu as preocupações com a inflação e provocou uma onda de aversão ao risco nos mercados globais. O Ibovespa caiu 0,46%, aos 176.723,62 pontos.

Na mínima do dia, o principal índice da B3 chegou aos 176.293,25 pontos. Na máxima, alcançou 177.895,77 pontos. O volume financeiro do pregão somou R$ 21,04 bilhões.

As perdas foram limitadas pela valorização da Petrobras, beneficiada pela alta do petróleo. As ações preferenciais da estatal avançaram 0,87%, enquanto as ordinárias subiram 1,67%.

“O mercado tem dado mais peso ao temor inflacionário da guerra do que ao efeito positivo do petróleo sobre os termos de troca do Brasil”, disse Vitor Kayo, economista sênior da Nomad.

Em Nova York, o S&P 500 recuou 1,2%, pressionado pela perspectiva de que a alta da energia mantenha a inflação elevada e dificulte a queda dos juros.

Entre as maiores altas do Ibovespa, a Vale avançou 0,77%, acompanhando o desempenho do minério de ferro no exterior. O contrato mais negociado para setembro na Bolsa de Mercadorias de Dalian, na China, subiu 0,74%, para US$ 110,43 por tonelada.

Os bancos tiveram desempenho negativo. As ações preferenciais do Itaú Unibanco recuaram 0,79%, enquanto as do Bradesco caíram 1,32%. As units do Santander Brasil perderam 1,19% e os papéis ordinários do Banco do Brasil cederam 0,76%.

Na ponta negativa, a Azzas 2154 caiu 4,27%. Analistas do Citi disseram esperar “mais um trimestre fraco” para a companhia, com redução da receita em relação ao mesmo período de 2025 e desalavancagem operacional.

O Assaí recuou 4,52%, em uma sessão marcada pela alta dos juros futuros e pela pressão sobre empresas mais sensíveis ao custo do crédito.

Dólar sobe com busca por proteção

O dólar interrompeu uma sequência de três sessões de queda e fechou com alta de 0,63%, cotado a R$ 5,0842. No ano, porém, a moeda americana ainda acumula desvalorização de 7,37% diante do real.

O dólar futuro para agosto, atualmente o contrato mais negociado na B3, subia 0,49%, a R$ 5,0950, às 17h03.

A moeda americana ganhou força no exterior diante da procura por ativos considerados mais seguros. O movimento atingiu tanto divisas fortes, como o euro e a libra, quanto moedas emergentes, entre elas o rand sul-africano e os pesos mexicano e chileno.

Às 17h05, o índice que mede o desempenho do dólar diante de uma cesta de seis moedas fortes subia 0,31%, aos 101,420 pontos.

No Brasil, o efeito positivo da valorização do petróleo sobre o real foi superado pela aversão ao risco. O país é exportador da commodity e costuma se beneficiar da alta das cotações, mas o receio de agravamento da guerra predominou nas negociações.

“O movimento foi predominantemente externo, com o real acompanhando o enfraquecimento generalizado das moedas frente ao dólar diante de um cenário de aversão a risco”, afirmou Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad.

Durante a sessão, o dólar oscilou entre R$ 5,0694 e R$ 5,0941. No fim da manhã, sem impacto relevante sobre as cotações, o Banco Central vendeu 50 mil contratos de swap cambial para a rolagem do vencimento de 3 de agosto.

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