A Neuralink, empresa de neurotecnologia fundada por Elon Musk, divulgou um vídeo em que um paciente com esclerose lateral amiotrófica (ELA) volta a se comunicar por voz usando apenas o pensamento. Identificado como Terry, o participante perdeu a capacidade de falar por causa da doença. Com o implante cerebral experimental da empresa, ele conseguiu dizer “eu te amo” à esposa, em uma voz sintetizada pelo computador.
Terry participa do VOICE, estudo clínico da Neuralink voltado à recuperação da fala em pessoas com comprometimento grave da comunicação. O teste usa o N1, uma interface cérebro-computador que capta a atividade neural e a traduz em texto ou voz.
A ELA é uma doença neurodegenerativa progressiva que atinge os neurônios motores. Com o avanço do quadro, o paciente perde gradualmente a força muscular, o que pode comprometer a fala, a deglutição e até a respiração. A doença é mais frequente em homens e costuma se manifestar entre os 55 e os 75 anos.
Fundada em 2016, a Neuralink desenvolve dispositivos capazes de registrar sinais cerebrais e estabelecer comunicação direta entre o cérebro e computadores. Os primeiros implantes em humanos foram feitos em janeiro de 2024. Nessa primeira fase, o foco era permitir que pessoas com paralisia controlassem computadores e celulares com o pensamento.
Como funciona
O implante é posicionado na região do cérebro ligada ao planejamento da fala. Ali, os eletrodos captam a atividade neural gerada quando o paciente tem a intenção de falar. Segundo a Neuralink, algoritmos de inteligência artificial são treinados para reconhecer os padrões de sinais associados a essa intenção. Depois do treinamento, o sistema converte os sinais em texto e, em seguida, em voz sintetizada.
O que há dentro do implante
O N1 reúne quatro componentes principais. O primeiro é um invólucro biocompatível, feito de um material tolerado pelo organismo, que protege a parte eletrônica. Dentro dele ficam os chips que processam os sinais neurais e os transmitem sem fio para o aplicativo da Neuralink, onde os dados são transformados em comandos para dispositivos externos.
A captação da atividade cerebral é feita por fios de eletrodos ultrafinos e flexíveis, projetados para reduzir danos ao tecido durante e após a implantação. Por fim, uma pequena bateria recarregável por indução, sem necessidade de cabos, alimenta o sistema, desenhado para consumir pouca energia e permitir o uso contínuo.
A cirurgia conta com um robô desenvolvido pela própria Neuralink, que insere os fios ultrafinos no cérebro. O implante fica acomodado no crânio, coberto pelo couro cabeludo.
Ainda em fase de testes
Apesar do resultado, o N1 continua experimental e não tem aprovação da FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, para uso geral. A Neuralink ressalta que o dispositivo segue em investigação e que os resultados obtidos com um participante podem não se repetir em outros pacientes.