Bom dia. Estamos na terça-feira, 14 de julho.
Cenários
Três notícias movimentam o mercado na abertura dos negócios desta terça-feira: a alta do petróleo, a inflação americana de junho e os resultados dos bancos dos EUA referentes ao segundo trimestre.
Pela ordem. As cotações do petróleo estão em uma forte alta no início dos negócios. Os contratos futuros do barril de óleo do tipo Brent sobem 3,89% para US$ 86,54. No caso do West Texas Intermediate (WTI), referência para o mercado americano, a alta é de 3% para US$ 80,58.
A alta reflete o anúncio de Donald Trump de que os Estados Unidos vão cobrar tarifas de 20% sobre toda a carga transportada de navios que passarem pelo Estreito de Ormuz. Trump chamou os Estados Unidos de “guardião da rota” e também anunciou o retorno do bloqueio aos portos iranianos próximos ao estreito. A medida deve entrar em vigor às 16 horas desta terça-feira (14), hora de Washington.
A medida aumenta a tensão com o Irã. O banco Citi alertou para o risco de escalada militar e citou a possibilidade de o Irã abandonar o acordo assinado com os Estados Unidos. Essa hipótese pode manter os preços do petróleo elevados por mais tempo. O tráfego pelo Estreito de Ormuz por onde passa um quinto do fornecimento mundial de petróleo, estava se recuperando da queda após o início da guerra.
O segundo assunto é o índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos, o Consumer Price Index (CPI) referente a junho. Os investidores esperam uma desaceleração no índice cheio. A mediana das expectativas é de uma deflação (queda de preços) de 0,1%.
Segundo o banco de investimentos Goldman Sachs, há três vetores relevantes para a baixa dos preços em junho: a queda de 0,5% nos preços de carros usados, uma desaceleração nos preços da habitação e também nos preços das passagens, devido ao fim da Copa do Mundo. O Goldman está esperando uma alta de 0,17% no núcleo do CPI, abaixo da mediana das expectativas, que é de 0,3%.
O CPI de junho deve influenciar a expectativa dos juros nos Estados Unidos. Subiu um pouco a probabilidade de manutenção da taxa entre 3,50% e 3,75% na reunião do Federal Open Market Committe (Fomc) que termina no dia 29 de julho.
No entanto, o cenário majoritário para a reunião de setembro ainda é de alta, para a faixa entre 3,75% e 4%. O apoio a essa visão vem da ata da reunião de junho, divulgada em 8 de julho. O texto mostrou que a maioria dos dirigentes do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, vê riscos de alta para a inflação. Nove dos 18 membros do comitê já projetam pelo menos uma elevação dos juros neste ano.
Finalmente, os cinco grandes bancos americanos – JP Morgan Chase, Citi, Wells Fargo, Bank of America e Goldman Sachs – devem divulgar seus resultados do segundo trimestre antes da abertura do mercado. A expectativa dos investidores é de uma forte alta no desempenho devido ao aumento dos juros e da volatilidade ao longo do trimestre, e essa perspectiva está elevando os contratos futuros dos principais índices americanos no pré-mercado.
Perspectivas
Um CPI de junho com núcleo abaixo do consenso pode reduzir um pouco a expectativa de alta dos juros. Um único dado, porém, dificilmente muda o rumo do Fed. A inflação segue acima de 4% na comparação anual, puxada pelos preços de energia. Para o mercado, só uma queda mais consistente da inflação nos próximos meses derrubaria a hipótese de alta em setembro.
Indicadores
BRASIL
Sem indicadores relevantes
ESTADOS UNIDOS
Consumer Price Index / CPI (Jun)
Esperado: – 0,1%
Anterior: + 0,5%
Consumer Price Index / CPI (12M)
Esperado: 3,8%
Anterior: 4,2%
Núcleo do Consumer Price Index / CPI (Jun)
Esperado: 0,2%
Anterior: 0,2%
Núcleo do Consumer Price Index / CPI (12M)
Esperado: 2,8%
Anterior: 2,9%